UM TRISTE PENSAMENTO…


Estou num dia em que não me apetece repreender às imbecilidades dos nossos políticos, nem tão pouco me apetece falar de uma desgraça chamada “Madeira”.

Vou antes falar de um problema que há vários anos mexe comigo, e que não consigo deixar de me preocupar, quer como doente, quer como potencial pai no futuro. ~

Desde os primórdios da Humanidade até aos dias de hoje, a medicina, como ciência que é, evoluiu desmesuradamente e proporcionou feitos verdadeiramente impensáveis.

Contudo, a medicina é muito mais do que uma simples ciência…é um dom e uma missão para a vida. O verdadeiro espírito de bondade e amor à profissão que um médico deve ter, despojado de sentimentos capitalistas e de proveito próprio, está cada vez mais ameaçado e tem vindo a sofrer alterações dramáticas.

Quando penso nisto, lembro-me de Dr. João Semana, um nome literário criado por Júlio Dinis, mas que assenta, no essencial, na pessoa do Dr. João José da Silveira, médico amigo dos pobres, que nasceu na casa das Luzes, em Ovar, a 29 de Fevereiro de 1813, e que veio a falecer a 29 de Novembro de 1896 na sua casa do Largo de S. Pedro.

Era ele o médico dos pobres, a quem não levava nada pelas consultas e muitas vezes fornecia os pensos e dinheiro para os medicamentos.

Júlio Dinis, ao descrever, em “As Pupilas do Senhor Reitor”, a figura de João Semana, não precisou de criar, de inventar. Pode dizer-se que se limitou a retratar aquele modelo acabado de médico bondoso.

Este ensinamento, é a chave para uma medicina mais humanizada, para que não se perca aquilo que é realmente importante nesta profissão: a dignidade e a vontade de ajudar o próximo.

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