Quem ocupou o espaço vazio


Ainda não há muitos anos era natural que os comícios dos partidos envolvessem uma grande carga emocional e arrastassem multidões. Era frequente ver-se pequenos e graúdos juntos a bater palmas e a abanar a bandeira. Filiados e não filiados gritavam em uníssono o nome do candidato em que acreditavam.Hoje não é assim e os comícios são preenchidos por pessoas contratadas(sim, é este o termo). Move-as o autocarro sem custos a somar ao lanche gratuito. É triste mas todos os partidos o fazem.

E já alguém se perguntou porque será que isto acontece? Não acham miserável o estado a que chegámos ?

Isto chegou a este ponto porque ao longo dos anos os candidatos mentiram às pessoas( as que iam aos comícios por convicções) sem apelo nem agravo. A facilidade com que se distraem com o que é mesquinho é assustadora. A fuga crónica às decisões difíceis trouxe-nos até este tipo de comícios. Numa palavra , já ninguém acredita nos valores nem nos princípios dos candidatos. É isto que demove as pessoas dos comícios.

E, à medida que as pessoas ao longo dos anos iam virando a cara, desiludidas e cabisbaixas, quem ocupou espaço vazio? Os grupos de pressão; os cínicos ; os interesses pessoais .São estes grupos que têm de acabar em favor de uma democracia mais justa.

Na semana passada o Fernando Gonçalves num notável artigo sobre a votação para o partido socialista francês(que envolveu pessoas que não estavam filiadas) dava conta do fortalecimento do partido devido à votação externa. E a votação não fortaleceu só o partido. Determinou também que Ségolène Royal era a candidata do partido mas não da grande maioria dos votantes. Teria ganho no partido mas perdeu fora dele.

Será que isto pode dar uma ideia de que as estruturas partidárias estão viciadas e dominadas por máquinas partidárias ? É nisto que nós acreditamos ? É nisto que nos revemos ? Se não é, então como é possível aceitarmos tal prática com tanta resignação ?

Porque de uma coisa não se tenha a menor duvida : no dia em que aparecer um líder que diga a verdade e não tema a máquina partidária ; um líder que se candidate por ideais e não por ambições pessoais; um líder que ouça o povo mesmo quando discorde dele, nesse dia, voltaremos a assistir a comícios de pé e ouviremos um grito de esperança que irá ressoar do Minho ao Algarve.

E se ainda há por aí quem duvide que isto é possível , tem memória curta e pouco conhecimento de História.

Se você caro leitor acredita como eu acredito , se vê como eu vejo que juntas pessoas comuns podem fazer coisas fora do comum, que as palavras têm força e que a convicção e os valores são o que nos leva a travar os combates até ao fim, lembre-se que não é a ficar nos bastidores que se muda alguma coisa.

Ao fim e ao cabo medite na pergunta: em que medida é que esta ausência de ideais e valores que assolam a politica contribuiu para o estado a que chegámos ?


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