A ausência das mulheres na atividade política


Por força de muitas circunstâncias são poucas as mulheres que ocupam cargos políticos. Na vida política internacional, na vida política europeia, na vida política nacional, elas constituem uma minoria e, no entanto, as mulheres representam o maior peso na balança da demografia mundial.
Seria interessante questionarmo-nos sobre as razões desta ausência.
Este apontamento pretende ser apenas um intróito para essa reflexão que poderá, eventualmente, ser tema de tratamento mais aprofundado, se assim o entenderem.
O início da luta das mulheres pelos seus direitos enquadra-se nos movimentos operários de luta pelo acesso e igualdade de tratamento no trabalho, na Inglaterra e nos Estados Unidos, desde o século XIX. Prosseguiu com a luta pelo direito ao voto. E esta luta foi feita de sobressaltos, de recuos e avanços, na história das nações.
Em Portugal, muitas mulheres se foram destacando, ora associadas aos movimentos feministas, na senda dos movimentos iniciados lá fora, ora ao esforço que muitas mulheres encetaram, ao lado dos homens, de oposição à ditadura.
Apesar do empenhamento de muitas delas e dos direitos conquistados, pelo menos a nível discursivo, continua a ser necessário refletir e tomar medidas concretas para que a sociedade as considere e a sua representatividade nos órgãos eleitos seja consentânea com a sua representatividade social, em termos numéricos.
Todas as comunidades são compostas por homens e mulheres. Logo, é natural que os seus representantes legítimos também sejam homens e mulheres.
Para além de Leis da Paridade são indispensáveis outras leis e, já agora, outras práticas, que continuem a promover mais do que a maternidade a parentalidade, a igualdade de acesso e de sucesso no trabalho, nas organizações, e que possibilitem, efetivamente, a participação ativa das mulheres na política, já que, a maior parte das vezes, elas permanecem nos bastidores das famílias e constituem o suporte da intervenção ativa dos homens.
A intervenção de uns e de outros é necessária numa sociedade retoricamente promotora da igualdade de acesso e de sucesso de todos. E neste todos estão ambos os géneros, obviamente.

Ana Albuquerque,
Deputada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Sátão

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