Uma Europa a Dois Tempos



A ancestralidade civilizacional da Europa, a situação estratégica e geográfica do seu território, os seus limites recortados virados para o oceano, conduziram a um papel fundamental na expansão geográfica, na interação de culturas, no desenvolvimento da ciência e da técnica.

 As migrações intercontinentais, voluntárias ou forçadas, a exploração das riquezas, a colonização, contribuíram para a ligação estreita entre a Europa e os outros continentes por vezes de uma forma esclavagista e dominadora …

As convulsões históricas conduziram a processos de poder e contrapoder geográfico, económico e territorial. A Europa contribuiu para um desenvolvimento económico e social, através da Revolução Agrícola e Industrial que impulsionou o mundo ocidental para uma evolução acelerada da tecnologia e do conhecimento.

Paralelamente, noutros continentes, outros povos e culturas deram o seu contributo para um mundo em mudança, com experiências e riquezas culturais, muitas vezes destruídas pela sede de poder de alguns povos europeus.

A Revolução Demográfica do séc. XVIII conduziu a uma duplicação da população europeia. A agricultura prosperou no aumento da produtividade e rendimento. Descobertas e invenções científicas trouxeram melhoria das condições de vida.

No século XX, duas guerras mundiais e de novo um marco histórico: o Pós – Guerra. As organizações mundiais para a paz construíram-se e alicerçaram-se segundo um novo conceito de Direitos Humanos, onde o respeito por todos e por cada um, foi de novo um passo gigantesco. Contudo, a Europa foi atingida pela Guerra Fria, de que o Muro de Berlim foi o exemplo mais emblemático.

Mas a Paz e o progresso reiniciaram o seu caminho! A CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), a CEE (Comunidade Económica Europeia) e, finalmente, a União Europeia, marcaram um percurso, palmilhado etapa a etapa, sendo na atualidade, uma realidade a Vinte e Sete…

Ideais de paz, progresso, bem-estar, desenvolvimento económico, respeito pelos Direitos Humanos e pelo ambiente, a interajuda, uma União Económica e Monetária, marcos relevantes, apoiados na inspiração de Robert Schuman e Jean Monnet… O lema “Unida na Diversidade” está a diluir-se num mar de incertezas relativamente ao futuro. E Portugal, qual “Jangada de Pedra“ de Saramago, flutua ao sabor das ondas das agências de rating, das decisões de um poder centralizador, da globalização da economia…

Parece que agora a Europa, ancestral e dominadora, está dependente das economias emergentes…

Uma Europa a Dois Tempos, incerta, envelhecida, onde assenta o nosso pequeno e frágil território periférico, que procura incessantemente um equilíbrio e um espaço neste nosso Mundo!


Artigo de Opinião de Rosa Ladeira

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