Um Novo Modelo de Desenvolvimento para Viseu (II)



O debate sobre Viseu e o seu futuro pode e deve ser aprofundado nos próximos tempos. Não só porque o modelo de desenvolvimento actual está esgotado como também porque a crise da economia nacional a tal o obriga. A dimensão da crise e aquilo que ela comporta deve-nos fazer reflectir, seriamente, sobre muitas das decisões de investimento realizadas no passado e da forma como estas condicionarão de sobre maneira o nosso futuro colectivo. O tempo das “vacas gordas”, do “dinheiro barato” e dos “fundos comunitários chorudos” acabou.


Os anos que teremos pela frente serão muito exigentes e obrigarão a uma energia redobrada do Novo Executivo Municipal com uma Nova Geração de Políticas Municipais, necessariamente, com novos protagonistas. Anos que serão de fortes restrições e condicionalismos financeiros e que exigirão uma forte componente de inovação, engenho e arte capazes de continuar a fazer trabalho válido para as populações. A actual maioria política do PSD no executivo municipal perdeu a capacidade de o poder fazer sentindo-se um ambiente de final de ciclo político na Praça da República.


Também já aqui o referi, o enorme desafio que se vai colocar à cidade de Viseu nos próximos anos, será o de consolidar toda a área de expansão urbana entretanto consumada. A cidade precisa de pensar alternativas, de forma a poder manter os índices de crescimento e desenvolvimento que atingiu e que são conhecidos. Como podemos constatar, a morfologia urbana de Viseu tem sido ao longo, destas duas décadas, fortemente orientada pela pressão da construção numa lógica de mercado, optando-se por construções em altura, em novas áreas urbanizáveis ganhas a espaços verdes. Os diversos planos de pormenor apresentados, ao longo deste período, acabaram sempre por se tornar, grosso modo, em planos de empreitada. O problema é que o mercado, só por si, é incapaz de gerir Bens Públicos (aqueles bens que não são comercializáveis e que um número indeterminado de pessoas pode usufruir simultaneamente). Os sinais de esgotamento deste modelo são evidentes, a quantidade de apartamentos novos por vender em Viseu é enorme. O número de estruturas habitacionais ocas na cidade é já muito elevado. O modelo de desenvolvimento assente na triangulação: cimento betão alcatrão tem os dias contados.


Um problema adicional deste modelo, esgotado, é o da sua (in)sustentabilidade. O desafio do desenvolvimento urbano sustentável, numa cidade como a nossa, é o de procurar solucionar tanto os problemas que hoje conhecemos como os por ela causados, em vez de os deslocar para escalas ou localizações diferentes ou de os transferir para as gerações futuras, além de que o processo para uma cidade sustentável assenta na criatividade e na mudança coisas que também faltam ao actual Executivo Municipal.


Alexandre Azevedo Pinto,

Economista

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