Notas de um puto político - um Governo que me começa a dar a volta ao estômago.




Tenho visto todas estas medidas do novo governo de direita com total entrega, respeito e reconhecimento, isto é, tenho-lhes dado o benefício da dúvida embora se saiba que a ideologia que nos orienta não coincide. Sinceramente, penso que também isto é política- aceitar que os outros podem ter boas ideias.

Foram tomadas medidas excelentes, medidas boas, medidas cuja inevitabilidade eu questiono e agora, mais recentemente, medidas que começam a “borrar a pintura” a sério. Hoje quero-vos falar mais especificamente de duas que me dão uma “especial volta ao estômago”: a privatização de grandes empresas públicas e o corte que se está a tentar levar a cabo na área da transplantação.

A primeira deixa de ter sentido a partir do momento em que o governo não sabe distinguir aquilo que vai interferir (e de que forma) na vida dos portugueses daquilo que muito dificilmente o fará. Eu sou contra a grande maioria das privatizações, todavia há umas que me deixam mais nervoso do que outras. A TAP, por exemplo, é uma empresa pública que dá prejuízo e que ao ser vendida vai poupar uns bons trocos ao estado, porém não vai interferir com a sociedade mesmo que a nova administração resolva inflacionar os preços dos bilhetes de avião (salvo o caso dos bilhetes para a madeira e açores). Mas, e no caso das Águas de Portugal? Mais um exemplo de uma empresa que dá prejuízos. A nova administração não me parece que venha a ter um particular cuidado em “facilitar” a vida aos portugueses. Quem é o dirigente de uma empresa privada que não sobe os preços quando vê os seus cofres com valores negativos? Ainda se houvesse concorrência e pudéssemos optar por “outras águas”… Eles sobem e nós temos de pagar se quisermos continuar a tomar banho. Como o Dr. Mário Soares disse  no casino Figueirense “a água é um direito” que não nos pode ser negado por serem praticados preços não controlados. Como esta privatização há outras, convido-vos a pensar em todas as consequências de cada uma delas. 

Em relação aos transplantes, o que me deu mesmo “um arrepio” (como diria um grande professor de matemática que eu tive) foram as declarações do ministro da saúde que se demonstra um economista muito competente ao dizer claramente que Portugal não pode manter-se a fazer tantos transplantes nos dias de hoje, mas, ao mesmo tempo, a demonstrar-se um péssimo respeitador da vida humana pois estes futuros cortes VÃO MATAR PESSOAS EM LISTAS DE ESPERA! Portugal encontra-se nos primeiros lugares a nível mundial no que diz respeito ao nº de transplantes feitos por ano, estragar esta oferta de qualidade de vida e de respeito pela vida de um ser é um verdadeiro crime à integridade humana. Não fosse a instabilidade de Portugal tanta (e o momento outro), tínhamos toda a pertinência em pedir a sua dem… esqueçam!

Os ataques ao nosso estado social começaram, vamos esperar que por aqui fiquem e que tudo isto não passe de umas meras ideias mal consolidadas.

Artigo de Opinião de Gonçalo Silva

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