Ética e Política


A crise económica e ideológica sem precedentes, com os seus respectivos contornos políticos, sugere uma reflexão profunda sobre a relação entre a ética e a política. Na actualidade, a ambiência política tem vindo a denotar um crescente cepticismo, desmotivação e apatia. Este sentimento difuso salienta a questão do carácter de superioridade moral das nossas instituições políticas, que deveria ser incontestável, bem como da relação que todos nós estabelecemos com elas.

Nesta linha de pensamento, é imperioso relembrar Max Weber ao distinguir dois planos de vivência ética: a ética das convicções que se caracteriza pelo seu cariz subjectivo e pessoal, ainda que influenciada pelos princípios morais assumidos na sociedade; e a Ética da Responsabilidade característica do desempenho da vida política, que se rege pelos resultados últimos da acção. É de suma importância voltar a reflectir sobre a reconstituição dos limites dessa responsabilidade, pelo que urge introduzir nas consciências colectivas a noção de “Educação Política”.

A tónica desta questão reside na distinção tácita entre fins particulares e públicos, dois domínios distintos da moralidade, ao descortinar quais devem ser os princípios éticos adequados à prática política, sem que estes se imiscuam com a ética das convicções. No desempenho da actividade político-partidária o discurso deve corresponder à práxis, com o fim último de transformar e dinamizar as estruturas sociais e económicas, norteadas pelo Bem-Comum. Mais do que uma reformulação social, a ética na política tem como objectivo a construção de instituições estáveis, numa lógica de responsabilidade e cooperação.

O plano da Política não está acima da Ética! As questões de natureza ética regulam-se pela sua própria essência e não pela política. A vida política não é exterior à nossa acção, não se apresenta desvinculada das nossas vidas, como falaciosamente temos tendência a pensar. Compete a todos reclamar, severamente, o comportamento ético e responsável, que se estenderá à vivência plena da ética na política. A imposição de regras harmónicas em torno do Bem Colectivo passa por todos nós, numa postura mediadora, de constante vigilância ideológica da condução da vida política, tão necessária ao desenvolvimento social e económico.

Mónica Ferreira Lima

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