CÂMARA MUNICIPAL DE VISEU: O DEDO NA FERIDA




“É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras." 


Quem visita Viseu, sai daqui apaixonado.

O verde dos jardins, a limpeza das vias públicas, o cintilar das avenidas, a boa gastronomia. Um sem número de factores fazem de Viseu uma Cidade única e absorvente para quem nos visita. O seu a seu dono, e o executivo da Câmara Municipal de Viseu tem méritos na imagem exterior da Cidade.

Mas será a lógica do embelezamento de Viseu o único desígnio colectivo para o futuro da Cidade? Viseenses dos mais diversos quadrantes político-partidários começam a pôr o dedo na ferida…

No início de Setembro, em conferência de imprensa, Alexandre Azevedo Pinto expressou a opinião de que o Governo da Câmara de Viseu “chegou ao fim de ciclo”.

Na última semana, Hélder Amaral, em longa entrevista ao Jornal do Centro, apresentou várias críticas ao actual executivo: “Já não é preciso fazer mais betão, mais estradas”, “Na autarquia de Viseu o projecto já está gasto há muitos anos”, “Em Viseu as pessoas sentem que vivem numa terra de oportunidades perdidas.”

Se dúvidas existissem quanto ao esgotamento do modelo da Cidade, Hélder Amaral exemplificou: “Viseu não tem Universidade Pública”, “Não se instala uma nova empresa em Viseu vai para duas décadas ou mais”, “Viseu continua a ser a única capital europeia de distrito sem acesso à Ferrovia”…

Surpreendentemente, Almeida Henriques, actual Presidente da Assembleia Municipal de Viseu (eleito pelo PSD) e Secretário de Estado Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional (nomeado pelo PSD), ainda que involuntariamente, lançou a indirecta mais cortante para o Município de Viseu: “Portugal deve seguir o exemplo de Tondela” (conforme manchete do Diário de Viseu, da última sexta-feira, 16).

Justo? Injusto? Certo? Errado? Estratégia? Oportunismo?

Seja qual for a visão sobre estas tomadas de posição, uma coisa é certa: deixam-nos a pensar. E isso é positivo. É positivo para Viseu que os seus agentes tenham capacidade de criticar e de auto-crítica. Que saibam realçar as virtudes da Cidade, mas tenham igual capacidade de assumir os erros. É positivo que quem preconiza diferentes caminhos, tenha a capacidade e a sagacidade de os explanar.

Da política do beijinho, das farturas, da vitimização, dos fantasmas, das megalomanias, é forçoso passar à Política dos valores, das ideias, dos projectos, da meritocracia, da competência.

Espero, enquanto Viseense, que o “despertar de Setembro” não seja fumaça que rapidamente se desvanece. Pensar a Cidade e pensar o futuro são missões de todos e de cada um de nós.


Artigo  publicado no Diário de Viseu

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