Ética e Política


A crise económica e ideológica sem precedentes, com os seus respectivos contornos políticos, sugere uma reflexão profunda sobre a relação entre a ética e a política. Na actualidade, a ambiência política tem vindo a denotar um crescente cepticismo, desmotivação e apatia. Este sentimento difuso salienta a questão do carácter de superioridade moral das nossas instituições políticas, que deveria ser incontestável, bem como da relação que todos nós estabelecemos com elas.

Nesta linha de pensamento, é imperioso relembrar Max Weber ao distinguir dois planos de vivência ética: a ética das convicções que se caracteriza pelo seu cariz subjectivo e pessoal, ainda que influenciada pelos princípios morais assumidos na sociedade; e a Ética da Responsabilidade característica do desempenho da vida política, que se rege pelos resultados últimos da acção. É de suma importância voltar a reflectir sobre a reconstituição dos limites dessa responsabilidade, pelo que urge introduzir nas consciências colectivas a noção de “Educação Política”.

A tónica desta questão reside na distinção tácita entre fins particulares e públicos, dois domínios distintos da moralidade, ao descortinar quais devem ser os princípios éticos adequados à prática política, sem que estes se imiscuam com a ética das convicções. No desempenho da actividade político-partidária o discurso deve corresponder à práxis, com o fim último de transformar e dinamizar as estruturas sociais e económicas, norteadas pelo Bem-Comum. Mais do que uma reformulação social, a ética na política tem como objectivo a construção de instituições estáveis, numa lógica de responsabilidade e cooperação.

O plano da Política não está acima da Ética! As questões de natureza ética regulam-se pela sua própria essência e não pela política. A vida política não é exterior à nossa acção, não se apresenta desvinculada das nossas vidas, como falaciosamente temos tendência a pensar. Compete a todos reclamar, severamente, o comportamento ético e responsável, que se estenderá à vivência plena da ética na política. A imposição de regras harmónicas em torno do Bem Colectivo passa por todos nós, numa postura mediadora, de constante vigilância ideológica da condução da vida política, tão necessária ao desenvolvimento social e económico.

Mónica Ferreira Lima

Mais um momento de bom humor proporcionado pelo inimigo público

Uma Europa a Dois Tempos



A ancestralidade civilizacional da Europa, a situação estratégica e geográfica do seu território, os seus limites recortados virados para o oceano, conduziram a um papel fundamental na expansão geográfica, na interação de culturas, no desenvolvimento da ciência e da técnica.

 As migrações intercontinentais, voluntárias ou forçadas, a exploração das riquezas, a colonização, contribuíram para a ligação estreita entre a Europa e os outros continentes por vezes de uma forma esclavagista e dominadora …

As convulsões históricas conduziram a processos de poder e contrapoder geográfico, económico e territorial. A Europa contribuiu para um desenvolvimento económico e social, através da Revolução Agrícola e Industrial que impulsionou o mundo ocidental para uma evolução acelerada da tecnologia e do conhecimento.

Paralelamente, noutros continentes, outros povos e culturas deram o seu contributo para um mundo em mudança, com experiências e riquezas culturais, muitas vezes destruídas pela sede de poder de alguns povos europeus.

A Revolução Demográfica do séc. XVIII conduziu a uma duplicação da população europeia. A agricultura prosperou no aumento da produtividade e rendimento. Descobertas e invenções científicas trouxeram melhoria das condições de vida.

No século XX, duas guerras mundiais e de novo um marco histórico: o Pós – Guerra. As organizações mundiais para a paz construíram-se e alicerçaram-se segundo um novo conceito de Direitos Humanos, onde o respeito por todos e por cada um, foi de novo um passo gigantesco. Contudo, a Europa foi atingida pela Guerra Fria, de que o Muro de Berlim foi o exemplo mais emblemático.

Mas a Paz e o progresso reiniciaram o seu caminho! A CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), a CEE (Comunidade Económica Europeia) e, finalmente, a União Europeia, marcaram um percurso, palmilhado etapa a etapa, sendo na atualidade, uma realidade a Vinte e Sete…

Ideais de paz, progresso, bem-estar, desenvolvimento económico, respeito pelos Direitos Humanos e pelo ambiente, a interajuda, uma União Económica e Monetária, marcos relevantes, apoiados na inspiração de Robert Schuman e Jean Monnet… O lema “Unida na Diversidade” está a diluir-se num mar de incertezas relativamente ao futuro. E Portugal, qual “Jangada de Pedra“ de Saramago, flutua ao sabor das ondas das agências de rating, das decisões de um poder centralizador, da globalização da economia…

Parece que agora a Europa, ancestral e dominadora, está dependente das economias emergentes…

Uma Europa a Dois Tempos, incerta, envelhecida, onde assenta o nosso pequeno e frágil território periférico, que procura incessantemente um equilíbrio e um espaço neste nosso Mundo!


Artigo de Opinião de Rosa Ladeira

Juventudes Partidárias : No jobs for the boys



A frase é de António Guterres e ficou celebre não porque tenha sido proferida pelo então primeiro-ministro, mas porque abordava um problema latente e verdadeiro.


Há umas semanas Fernando Braga de Matos escrevia que o “jobs for the boys” tinha entrado para o anedotário nacional. Mas não foram as juventudes partidárias que entraram para o anedotário nacional. Foram os interesses das pessoas que delas se servem.


Uma análise minimamente cuidada leva-nos à seguinte conclusão: muda o governo, mudam os cargos ; mudam os directores gerais; mudam-se os directores dos serviços ; batem-se recordes de nomeações porque tem sempre de haver espaço para mais um. Vai tudo ao pote.


Pedro Pais de Vasconcelos (que ajudou a fundar o PSD) ,comparou o PSD e a JSD a um clube de futebol com claque que serve de veículo ascensional a quem não consegue subir na vida por qualidades próprias.


Esta ideia ganhou ainda mais coloração quando o país assistiu ao maior número de circo jamais visto na Assembleia da Republica : uma deputada vinda da “jota” além de não saber que o nº 112 não corresponde directamente ao INEM, realizou uma chamada anónima para testar o serviço e como se isto de per si já não fosse suficiente , ainda por cima não se demite.


Mas temos para nós que existe aqui um erro de raciocínio que subjaz à ideia de que as “jotas” são para os filhos directos de Maquiavel em que os fins justificam os meios. As juventudes partidárias são , numa palavra, o melhor veículo para um jovem que se queira envolver e olhe para a politica com a nobreza de quem a quer ver ao serviço do bem comum.


Nos EUA há um movimento que se chama Rock The Vote e que tenta dar a perceber aos jovens que a melhor forma de alterarem o que não gostam dentro das juventudes partidárias e dos partidos é eles próprios envolverem-se e votarem. E é exactamente sobre esta ideia que tem de cair o acento tónico.


A todos os jovens e a si caro leitor lhe lanço este repto: se comunga da opinião de que o mérito e a competência não podem ser substituídos pela fidelidade partidária , inscreva-se num partido com o qual se identifica. Leve os seus amigos. Inscreva os seus filhos e eles que levem os amigos deles.


Não assobie para o ar e envolva-se. Hoje em dia a politica precisa mais de nós do que nós dela.

“Um desfibrilador pode ajudar a salvar uma vida”


Ninguém pode negar a importância de um Corpo de Bombeiros, para qualquer cidade. Nos lugares onde ele não existe, a preocupação da população é grande. O serviço do Bombeiro, actualmente, não se resume apenas a apagar incêndios.

A evolução das corporações nas áreas de controlo de tragédias, epidemias, catástrofes, incêndios, assistência médica de emergência e resgate de vítimas de acidentes em lugares de difícil acesso é algo patente nos dias de hoje.

A importância na assistência médica pelos bombeiros é de extrema importância, pois são eles os primeiros a chegar na grande maioria dos casos. São eles que prestam os serviços primários de socorro as vítimas e, muitas vezes, são eles que salvam a vida a essas pessoas.

O bombeiro é o herói do imaginário de todos nós, as crianças ficam maravilhadas quando da passagem de um carro de bombeiros, mesmo sabendo que ele está indo em socorro, sim, porque quando o bombeiro é chamado é para ajudar alguém em dificuldades.

Milhares já morreram na tentativa de salvar a vida de outras pessoas ou tentando minimizar os prejuízos alheios. Ninguém é bombeiro por acaso, é necessário ter vocação para fazer o bem e ter consciência social e interesse pelos problemas da sociedade.

Posto isto, surgiu uma iniciativa da Juventude Socialista de Sátão, de qual faço parte, de angariar verbas para a compra de um desfibrilador, instrumento electrónico que é utilizado quando existe paragem cardíaca, ajudando na reanimação da vítima.

Instrumento indispensável a qualquer quartel de bombeiros, e daí e com a ajuda de todos decidimos angariar fundos para a compra de um desfibrilador para os Bombeiros Voluntários de Sátão.

Nunca se sabe se um dia vamos ser nós a precisar, porque nunca ninguém está livre de ter um contratempo na vida.

Espero Poder Contar com a Ajuda de Todos.

Contributos para o NIB: 0045 3301 40245422378 03

O que será?

A cratera de Alberto João Jardim...


No início do mês passado, queimava a última réstia de pavio da bomba da Madeira, que ao que se dizia iria deixar um buraco de 277 Milhões de euros. Passados poucos dias a profundidade do buraco era aumentada para uns respeitáveis 560 Milhões de euros. Já este mês, e com um bronze diferente, o Sr. Jurgen Kroger reconhecia que o buraco tinha virado cratera e se fixava agora em 1 100 Milhões de euros, deixando o PM Passos Coelho à beira de um ataque de nervos. (Afinal de contas tinha cortado no subsídio de férias com a finalidade de conseguir uma almofada capaz de alavancar, ou pelo menos segurar a economia portuguesa nestes tempos mais conturbados, e via desaparecer entre os dedos os Milhões aforrados.)

Confrontado com o buraco da Madeira, Passos Coelho é peremptório “Não caucionarei com a minha presença na campanha este tipo de comportamentos”, ou seja, enterrou a cabeça na areia o mais que pode. Foi incapaz de tomar a única atitude coerente e consentânea com o lugar que ocupa, que seria retirar a confiança politica a Alberto João Jardim, à semelhança do que o seu próprio partido já havia feito com Isaltino Morais e Valentim Loureiro. Passos Coelho deu um sinal preocupante, é hoje claro que perante um conflito de interesses envolvendo o PSD e o País, Passos escolhe proteger o seu partido em detrimento dos superiores interesses da Nação.

Em plena campanha eleitoral, ontem, numa entrevista à RTP Madeira, Alberto João Jardim afirmava que o buraco seria de 5 000 Milhões de euros mais coisa, mais coisa e meia. Por seu turno o líder do CDS Madeira vem esclarecer que o desvio é superior a 7 000 Milhões de euros e que não conta com as dívidas colossais das Câmaras e das empresas municipais da Madeira.

Ora, no meio desta trapalhada toda há três questões que neste momento me aborrecem solenemente;

1) Como é possível passados dois meses ainda não se conseguir ver o fundo do buraco, não sendo ainda mensurável o estrago que fará?

2) Como é possível que se dê como certa a vitória a A.J.J. nas eleições Regionais da Madeira, e pasme-se, com nova maioria absoluta?

3) Como é possível um Estado de direito permitir que alguém que deveria ser interditado de administrar qualquer tipo de património, seja ele pessoal ou alheio se recandidate a Presidente de uma Região Autónoma?

Uma coisa eu sei, a Madeira é tão portuguesa como os Açores, o Minho ou as Beiras e portanto serão os portugueses a pagar mais esta factura, é uma questão de “animus” ou pagamos porque queremos ou pagamos porque temos de pagar, o que não podemos fazer é enveredar pelo discurso populista de A.J.J. que quando o mar não lhe vai de feição, vem logo apregoar a independência da Madeira. Mas cuidado Sr. Jardim, a força dos tiranos está na paciência dos povos e a história diz-nos que ela inevitavelmente de esgota...

Temos de uma vez por todas de nos reerguer enquanto Nação, termos orgulho de ser portugueses, “ ... NOBRE POVO NAÇÃO VALENTE E IMORTAL LEVANTAI HOJE DE NOVO O ESPLENDOR DE PORTUGAL ... BRADE A EUROPA À TERRA INTEIRA PORTUGAL NÃO PERECEU ... SEJA O ECO DE UMA AFRONTA O SINAL DO RESSURGIR ... ” (excertos do hino de Portugal)

Um Novo Modelo de Desenvolvimento para Viseu (II)



O debate sobre Viseu e o seu futuro pode e deve ser aprofundado nos próximos tempos. Não só porque o modelo de desenvolvimento actual está esgotado como também porque a crise da economia nacional a tal o obriga. A dimensão da crise e aquilo que ela comporta deve-nos fazer reflectir, seriamente, sobre muitas das decisões de investimento realizadas no passado e da forma como estas condicionarão de sobre maneira o nosso futuro colectivo. O tempo das “vacas gordas”, do “dinheiro barato” e dos “fundos comunitários chorudos” acabou.


Os anos que teremos pela frente serão muito exigentes e obrigarão a uma energia redobrada do Novo Executivo Municipal com uma Nova Geração de Políticas Municipais, necessariamente, com novos protagonistas. Anos que serão de fortes restrições e condicionalismos financeiros e que exigirão uma forte componente de inovação, engenho e arte capazes de continuar a fazer trabalho válido para as populações. A actual maioria política do PSD no executivo municipal perdeu a capacidade de o poder fazer sentindo-se um ambiente de final de ciclo político na Praça da República.


Também já aqui o referi, o enorme desafio que se vai colocar à cidade de Viseu nos próximos anos, será o de consolidar toda a área de expansão urbana entretanto consumada. A cidade precisa de pensar alternativas, de forma a poder manter os índices de crescimento e desenvolvimento que atingiu e que são conhecidos. Como podemos constatar, a morfologia urbana de Viseu tem sido ao longo, destas duas décadas, fortemente orientada pela pressão da construção numa lógica de mercado, optando-se por construções em altura, em novas áreas urbanizáveis ganhas a espaços verdes. Os diversos planos de pormenor apresentados, ao longo deste período, acabaram sempre por se tornar, grosso modo, em planos de empreitada. O problema é que o mercado, só por si, é incapaz de gerir Bens Públicos (aqueles bens que não são comercializáveis e que um número indeterminado de pessoas pode usufruir simultaneamente). Os sinais de esgotamento deste modelo são evidentes, a quantidade de apartamentos novos por vender em Viseu é enorme. O número de estruturas habitacionais ocas na cidade é já muito elevado. O modelo de desenvolvimento assente na triangulação: cimento betão alcatrão tem os dias contados.


Um problema adicional deste modelo, esgotado, é o da sua (in)sustentabilidade. O desafio do desenvolvimento urbano sustentável, numa cidade como a nossa, é o de procurar solucionar tanto os problemas que hoje conhecemos como os por ela causados, em vez de os deslocar para escalas ou localizações diferentes ou de os transferir para as gerações futuras, além de que o processo para uma cidade sustentável assenta na criatividade e na mudança coisas que também faltam ao actual Executivo Municipal.


Alexandre Azevedo Pinto,

Economista

CÁ SE FAZEM, CÁ SE CONSOMEM!









Ora viva!


Já lá vão uns meses desde a última penada que aqui deixei! Essas férias que tal? Conseguiram fugir à depressão colectiva que nos atinge ( confesso que já não me lembro de não se falar em crise em Portugal, pelo menos desde que entrámos no Euro. Coincidência??) ? Eu consegui. Tenho uma capacidade adorável de ser pouco afectado por espíritos depressivos e consigo manter uma relativa boa disposição "no matter what". Força aí aos mais desanimados!



Tenho dado especial atenção às campanhas, formais e informais, que apelam ao consumo de produtos nacionais.

A AEP tem o programa Made in Portugal - Compro o que é nosso, já há algum tempo. É um pouco limitativo, porque impede industrias em que a matéria prima vem quase exclusivamente de importação (como é a minha, mas ue diabo havemos nós de fazer se cá em Portugal não se fabrica matéria-prima em quantidade suficiente às nossas necessidades?compramos a matéria prima lá fora e depois exportamos uma grande maioria do produto, o valor acrescentado fica cá, mas pronto... :) ) de poderem aderir, mas é uma excelente iniciativa.


Nas redes sociais correm páginas e páginas a apelar ao consumo de produtos nacionais. Claro, os espertalhões na grande distribuição marcam os produtos de marca própria com códigos de barra 560, que por si não prova que o produto foi produzido por cá. Pois muito bem, deixo mais um apelo a que todos façamos um enorme esforço, mesmo que por vezes paguemos mais uns cêntimos, para consumir o que é verdadeiramente nosso. Mais rapidamente havemos de sair da crise se assim for!



E dentro do que é nosso podemos ainda descer na escala: consumamos também o que é do Interior. Não faltam casos, em especial produtos alimentares, de produção na Beira Interior ou Trás-os-Montes. Desculpem-me lá a publicidade que possa fazer, mas consumir produtos destas empresas e cooperativas é ajudar à manutenção de postos de trabalhos e criação de riqueza onde eu mais quero que aconteça. Aqui, na Beira Interior e Trás-os-Montes. Viseu, Guarda, Castelo Branco, Bragança, Vila Real. Como não tenho aqui uma lista exaustiva deixo algumas sugestões, a terem em atenção na próxima ida ao supermercado:

  • Melhores castanhas do mundo: as da Cooperativa Agrícola de Penela da Beira, concelho de Penedono. Dentro de 1 mês tudo o que é supermercado já tem castanhas. Perguntem por estas. 100% de certeza, ao contrário de outras marcas de distribuidores, que são de castanheiros beirões!
  • Maças: as de Moimenta da Beira pois claro!
  • Vinho: não falta vinho.E já dizia o outro de Santa Comba, que beber vinho dá de comer a 1 milhão de portugueses... :) Dão, Douro, Beira Interior, as possibilidades são mais que muitas e são as melhores do país! E o espumante de Moimenta da Beira, Terras do Demo? Nhami... :)
  • Iogurtes: a antiga Yoplait, na Guarda, fornece uma série de cadeias - pingo doce, continente - com iogurtes de marca branca, mas para que saibam que estão a comprar mesmo o que é daqui e não qualquer coisa importada vejam o código (não o de barras, um outro com a indicação PT). Podem saber mais aqui: http://vivercidadeguarda.blogspot.com/2010/10/iogurtes-do-frio-pt-ilt-39-cr.html e aqui, para uns de marca própria deliciosos http://vivercidadeguarda.blogspot.com/2010/10/iogurtes-do-frio-pt-ilt-39-cr.html
  • Queijos: sendo nós uma região de queijos as ofertas são mais que muitas. Da Serra, que dificilmente será "aldrabado", de Trancoso, marca Lactovil, e muitos outros que podem ser facilmente identificados pela etiqueta. Neste particular uma chamada de atenção para os queijos Kosher, para o mercado judaico, que se fazem na região da Guarda.
  • Enchidos: alentejanos? espanhóis?? negativo! o que aqui mais temos são enchidos fabulosos, de pequenos e médios produtores. Exemplo: Casa da Prisca, Trancoso.
  • Azeite: no norte dos distritos de Viseu e Guarda e um pouco por todo Tràs-os-Montes não falta azeite de qualidade superior!

Hei-de me estar a esquecer de muita coisa e muitos produtores e fábricas. Enviem por favor comentários com mais dicas, empresas e seus contactos!



Serve este post, apenas e só, para deixar a deixa: comprem o que é nosso, Portugal! e sempre que possível comprem o que é ainda mais nosso, o que produzido por beirões e transmontanos! Apliquemos à nossa região o princípio que queremos aplicar ao país!

Portugal agradece! O Interior agradece!



abraços e beijinhos!

CÂMARA MUNICIPAL DE VISEU: O DEDO NA FERIDA




“É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras." 


Quem visita Viseu, sai daqui apaixonado.

O verde dos jardins, a limpeza das vias públicas, o cintilar das avenidas, a boa gastronomia. Um sem número de factores fazem de Viseu uma Cidade única e absorvente para quem nos visita. O seu a seu dono, e o executivo da Câmara Municipal de Viseu tem méritos na imagem exterior da Cidade.

Mas será a lógica do embelezamento de Viseu o único desígnio colectivo para o futuro da Cidade? Viseenses dos mais diversos quadrantes político-partidários começam a pôr o dedo na ferida…

No início de Setembro, em conferência de imprensa, Alexandre Azevedo Pinto expressou a opinião de que o Governo da Câmara de Viseu “chegou ao fim de ciclo”.

Na última semana, Hélder Amaral, em longa entrevista ao Jornal do Centro, apresentou várias críticas ao actual executivo: “Já não é preciso fazer mais betão, mais estradas”, “Na autarquia de Viseu o projecto já está gasto há muitos anos”, “Em Viseu as pessoas sentem que vivem numa terra de oportunidades perdidas.”

Se dúvidas existissem quanto ao esgotamento do modelo da Cidade, Hélder Amaral exemplificou: “Viseu não tem Universidade Pública”, “Não se instala uma nova empresa em Viseu vai para duas décadas ou mais”, “Viseu continua a ser a única capital europeia de distrito sem acesso à Ferrovia”…

Surpreendentemente, Almeida Henriques, actual Presidente da Assembleia Municipal de Viseu (eleito pelo PSD) e Secretário de Estado Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional (nomeado pelo PSD), ainda que involuntariamente, lançou a indirecta mais cortante para o Município de Viseu: “Portugal deve seguir o exemplo de Tondela” (conforme manchete do Diário de Viseu, da última sexta-feira, 16).

Justo? Injusto? Certo? Errado? Estratégia? Oportunismo?

Seja qual for a visão sobre estas tomadas de posição, uma coisa é certa: deixam-nos a pensar. E isso é positivo. É positivo para Viseu que os seus agentes tenham capacidade de criticar e de auto-crítica. Que saibam realçar as virtudes da Cidade, mas tenham igual capacidade de assumir os erros. É positivo que quem preconiza diferentes caminhos, tenha a capacidade e a sagacidade de os explanar.

Da política do beijinho, das farturas, da vitimização, dos fantasmas, das megalomanias, é forçoso passar à Política dos valores, das ideias, dos projectos, da meritocracia, da competência.

Espero, enquanto Viseense, que o “despertar de Setembro” não seja fumaça que rapidamente se desvanece. Pensar a Cidade e pensar o futuro são missões de todos e de cada um de nós.


Artigo  publicado no Diário de Viseu

Só Boas Notícias!


Tenho cada vez mais uma relação dual com os meios de comunicação social. Necessito da minha dose diária de notícias, mas a dose cada vez me deixa mais frustrado.

Pego no Correio da Manhã, e a manchete é sobre manifestações, acidentes e um sem fim de acontecimento insólitos. Mudo para o Público e na primeira página vem o desvio “colossal” nas contas públicas da Madeira. Invisto novamente noutro jornal, desta vez no Jornal de Negócios, e de novo o mesmo cenário: Portugal em 2º lugar da Bancarrota Mundial e lá meio a informação que a minha bela terra se encontra cada vez pior, a Câmara Municipal de Santa Comba Dão continua inundada de dívidas (no fundo o meu presidente que sempre gostou de superar os outros, supera o próprio País, e afunda a CM o máximo possível. Tenho ideia que ele e o Alberto João Jardim se iam dar muito bem caso se conhecessem).

Desisto do jornais e mudo para a televisão, pode ser que consiga melhor resultado. Ligo a televisão na RTP, e ouço o Ministro Nuno Crato dizer que a Avaliação dos professores é mesmo para manter e que mais escolas irão fechar, conforme a política da anterior ministra, e de seguida a FENPROF a anuncia greves para breve. Felizmente que tenho Meo e mudo para a Sic Noticias. Aparece o Ministro da Saúde a dizer que é insustentável o número de transplantes realizado em Portugal, e que por isso vai baixar os incentivos aos transplantes.

Enfim , numa última tentativa pego no computador e começo a ler os sites de informação. O Diário de Notícias diz que o Alberto João Jardim desvaloriza intenção da Procuradoria-Geral da República em investigar as contas da Madeira, enquanto o Expresso Online destaca o facto de mais uma empresa pública, neste caso as Estradas de Portugal, estar em risco de insustentabilidade financeira. Felizmente que na internet há a hipótese de vermos sites que só se dedicam a divulgar boas noticias. Alegrei-me deveras ao ler que produtos portugueses ganharam prémios em competições nacionais, e que as exportações nacionais continuam a subir. Mas foi sol de pouca dura. No final, aparecia a pior de todas as notícias. Afinal o site que se orgulhava de publicar só boas noticias tinha-se enganado. Pedia desculpas a todos os leitores, mas tinha publicado que com a mudança de Governo, o País iria mudar para melhor!Afinal, não tinha mudado quase nada, como o que tinha mudado tinha sido para pior.


Luís Carlos Tavares

Wanted.


Um governo em deriva de ataque aos trabalhadores

É bem verdade que, depois de oitenta dias de governação, não se podem emitir juízos definitivos sobre a qualidade da linha política do actual governo. Porém, há juízos parcelares a que não podemos, desde já, eximir-nos pela constante redundância das políticas apresentadas. E, face a isso, não podemos ficar sossegados.
Aquilo que ontem, na oposição, eram cortes na despesa, aquilo que eram necessários e urgentes emagrecimentos do estado, passaram rapidamente para cortes na carteira dos contribuintes através de significativos e permanentes aumentos dos impostos e dos serviços.
De cada vez que o primeiro-ministro ou o ministro das finanças falam é só para lançar um imposto novo ou o aumento de um existente. Seja na sobretaxa que vai subtrair 50% do subsídio de natal aos trabalhadores portugueses, seja no aumento do IVA da electricidade e do gás, ou seja no exponencial aumento dos transportes, ou ainda no corte de reembolsos de despesas de saúde há uma conjugação diabólica, sempre, no sentido de penalizar os mesmos, os contribuintes e, sobretudo, aqueles que não vivem dos dividendos financeiros, uma vez que essas mais-valias ficaram de fora de tributação extraordinária.
E essa obstinação é tanta que não há um sinal, um sinal sequer, de abertura a propostas alternativas do PS, como por exemplo a de aumentar a tributação das empresas mais lucrativas para aliviar o aumento do IVA na electricidade e gás.
Sempre se poderia dizer que esta linha política tem acolhimento no memorando da troika que foi assinado pelo estado português e ao qual o PS também está vinculado. Mas nada disso. O que se tem vindo a fazer é de ir para além do memorando e por esta via penalizar os trabalhadores e paralisar a economia.
E a deriva começa a ser global e os sinais em todos os sectores em nada nos sossegam.
Na educação ainda não se encontrou o rumo e o início do ano lectivo está com os problemas pedagógicos e de recursos humanos que bem sabemos. Na saúde começou o ataque ao SNS através de cortes sucessivos aos reembolsos de tratamentos. Na economia não se conhece uma medida concreta e um estímulo, sequer, ao aumento da produtividade e da exportação.
Enfim, se ainda é cedo para uma avaliação consistente do actual governo, há já sinais muito preocupantes com que estamos confrontados e que deixam bem clara a sede deste governo, PSD e CDS, de ataque aos rendimentos do trabalho em detrimento do favorecimento dos rendimentos financeiros.

Notas de um puto político - um Governo que me começa a dar a volta ao estômago.




Tenho visto todas estas medidas do novo governo de direita com total entrega, respeito e reconhecimento, isto é, tenho-lhes dado o benefício da dúvida embora se saiba que a ideologia que nos orienta não coincide. Sinceramente, penso que também isto é política- aceitar que os outros podem ter boas ideias.

Foram tomadas medidas excelentes, medidas boas, medidas cuja inevitabilidade eu questiono e agora, mais recentemente, medidas que começam a “borrar a pintura” a sério. Hoje quero-vos falar mais especificamente de duas que me dão uma “especial volta ao estômago”: a privatização de grandes empresas públicas e o corte que se está a tentar levar a cabo na área da transplantação.

A primeira deixa de ter sentido a partir do momento em que o governo não sabe distinguir aquilo que vai interferir (e de que forma) na vida dos portugueses daquilo que muito dificilmente o fará. Eu sou contra a grande maioria das privatizações, todavia há umas que me deixam mais nervoso do que outras. A TAP, por exemplo, é uma empresa pública que dá prejuízo e que ao ser vendida vai poupar uns bons trocos ao estado, porém não vai interferir com a sociedade mesmo que a nova administração resolva inflacionar os preços dos bilhetes de avião (salvo o caso dos bilhetes para a madeira e açores). Mas, e no caso das Águas de Portugal? Mais um exemplo de uma empresa que dá prejuízos. A nova administração não me parece que venha a ter um particular cuidado em “facilitar” a vida aos portugueses. Quem é o dirigente de uma empresa privada que não sobe os preços quando vê os seus cofres com valores negativos? Ainda se houvesse concorrência e pudéssemos optar por “outras águas”… Eles sobem e nós temos de pagar se quisermos continuar a tomar banho. Como o Dr. Mário Soares disse  no casino Figueirense “a água é um direito” que não nos pode ser negado por serem praticados preços não controlados. Como esta privatização há outras, convido-vos a pensar em todas as consequências de cada uma delas. 

Em relação aos transplantes, o que me deu mesmo “um arrepio” (como diria um grande professor de matemática que eu tive) foram as declarações do ministro da saúde que se demonstra um economista muito competente ao dizer claramente que Portugal não pode manter-se a fazer tantos transplantes nos dias de hoje, mas, ao mesmo tempo, a demonstrar-se um péssimo respeitador da vida humana pois estes futuros cortes VÃO MATAR PESSOAS EM LISTAS DE ESPERA! Portugal encontra-se nos primeiros lugares a nível mundial no que diz respeito ao nº de transplantes feitos por ano, estragar esta oferta de qualidade de vida e de respeito pela vida de um ser é um verdadeiro crime à integridade humana. Não fosse a instabilidade de Portugal tanta (e o momento outro), tínhamos toda a pertinência em pedir a sua dem… esqueçam!

Os ataques ao nosso estado social começaram, vamos esperar que por aqui fiquem e que tudo isto não passe de umas meras ideias mal consolidadas.

Artigo de Opinião de Gonçalo Silva

Lideranças



Se Camões é o poeta que interpreta a alma lusitana este seu verso – um rei fraco faz fraca a forte gente – explica muitas das desgraças deste país de reis e rainhas fracos. As nossas lideranças teimam em ser comandadas por terceiros, ao invés de comandarem, desígnio para o qual foram eleitas. Os seus fracos desempenhos são o reflexo disso mesmo, da falta de estratégia, falta de planeamento, falta de objectivos concretos!! Servem-se agendas ocultas que em nada contribuem para a dinamização das estruturas. Brevemente irei aprofundar mais esta questão. Para já deixo algumas frases famosas para reflexão:

"Quem tem confiança em si próprio comanda os outros. Quem não tem acaba comandado."

"É quando pensamos conduzir que geralmente somos conduzidos."

"O primeiro método para estimar a inteligência de um líder é olhar para os homens de quem se rodeia e aconselha."

"As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia."