Falsa-Segurança


Freedom is the right to tell people what they do not want to hear” – George Orwell

Enquanto as baterias andaram alegramente apontadas aos países periféricos que se chamavam PIGS e que rapidamente viram-se comparados a “Junk” , percebemos que afinal de “junkies” todos temos um pouco.

O alicerçar da economia mundial no consumo exacerbado e no crédito “desplicente” trouxe-nos ao fim de uma era.

A era do desenvolvimento em que através de um pulsar frenético das telecomunicações e da obsolência rápida entre o novo e o velho permitiu-nos um avanço tão grande que as suas consequências ainda estão para ser vistas. Com isso, e com o desenvolvimento promovido às nações enquanto se abriam as torneiras de crédito, perspectivamos crescimento de receitas, de prosperidade e de controlo económico sobre ganhos e perdas - eficácia de recursos.

O crescimento sustentado em receitas por vir terminou. E se calhar, hipotecamos o desenvolvimento para os próximos anos por força do excesso de dinheiro que antes inundava os mercados e que hoje não existe.

Hoje percebemos que o salto não corresponde ao que se perspecitvou e que o desenvolvimento deve ser condicionado por exigências reais e não pela previsão de eventuais exigências: Como consequência inevitável a frustração, a instabilidade e a reivindicação de direitos adquiridos.

Dos avanços e do acesso fácil aos canais de informação, hoje o Mundo tornou-se num sitio melhor, mas mais reactivo.

Regimes substituidos por revoltas em redes-sociais, climas de pânico motivados pela rapidez da comunicação entre todos... Estas supostas consequências dos novos padrões de desenvolvimento vão motivar um novo paradigma que roça os limites da democracia: A “Segurança”.

Ao contrário de uma grande maioria que acha que os crimes de Londres foram motivados por um bando de crime organizado; ou que as revoltas populares (através do Facebook) no “Magreb” e no Egipto foram uma consequência de reinados tenebrosos, eu acredito que o Mundo tem assistido a um conjunto de episódios bélicos e violentos em nome de interesses que visam controlar cada vez mais os recursos e conduzir a um conjunto de politicas castradoras da liberdade de expressão.

A preocupação das lideranças mundiais em diabolizar os novos interfaces de comunicação através de uma resposta exagerada de força e repressão, vão levar-nos ao estrangulamento da Internet num curto espaço de tempo e o processo já arrancou...

Bombas explodem na faixa de gaza porque os terroristas acedem à Internet. Os regimes caem por movimentos rebeldes fabricados na Internet. Os motins em Londres foram motivados pela Internet...
Eu como acho sempre que o problema está na falta de atenção do Estado para aquilo que é efectivamente essencial (Como as causas sociais, a reinserção social; ajudas sociais que combatam a injustiça e a pobreza, tribunais dignos desse nome, forças de policiamento respeitadas (que o são cada vez menos, com raios de acção cada vez mais limitados e cada vez pior remuneradas)), andamos distraídos a “enfardar” os quilos de desinformação e falsas justificações, que provêm dum sistema que os domina e manipula tornado-nos mente captos e estúpidos; orientando a opinião pública para o acessório e para a falsa questão do problema.
Num Mundo dotado dum sistema guloso e ávido por dinheiro a consciência social é cada vez mais segregada em nome da “Segurança”.

A Segurança como um bem valioso não implica que tudo possa ser feito em nome de uma ameaça.

A obsessão em nome da Segurança está a transformar o Mundo num sítio estranho, em que tudo se questiona e nada se resolve porque o dinheiro que gera, chega para manter os olhos do mundo tapados.

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