A Marca Viseu



As “Marcas” estão definitivamente na moda. 

O novo Ministro da Economia e do Emprego, o Viseense Álvaro Santos Pereira, afirmou no encerramento do projecto LIDE Portugal que a “marca Portugal será uma das grandes bandeiras" do seu Ministério.

Também em Viseu, na Assembleia Municipal realizada em 27 de Junho de 2011, o Executivo Camarário enfatizou a importância da promoção da “Marca Viseu”.

Como consta do Web site do PSD Viseu (http://www.psd-viseu.com/promover-a-marca-viseu/), a promoção da Marca Viseu centra-se em três vertentes essenciais: a criação de infra-estruturas e equipamentos; a realização de atracções; e a potenciação da imagem de Viseu.

Concretizando estas ideias, o Presidente da Câmara Municipal de Viseu enunciou cinco exemplos que, no seu entendimento, são importantes na potenciação da marca “Viseu”: a reabilitação da Quinta da Cruz, a “Ecopista do Dão”, a requalificação da Zona Envolvente às Termas de Alcafache, a Sinalética e Informação Turística e o “Viseu Welcome Center”.

Percebo a estratégia do Executivo. Porém, tenho dúvidas que seja a estratégia ideal. Senão vejamos,

É inegável a importância de infra-estruturas, seja na vertente da construção, seja na vertente da requalificação. Como é inegável a importância de atracções pontuais (ainda que estratégias globais sejam sempre mais eficazes).

Sucede que, o que há de mais importante numa Cidade, como num País, são as Pessoas e, na minha opinião, devem ser sempre elas a (primeira) aposta estratégica (seja de um Governo, seja de uma Câmara Municipal).

Se fossem “forçados” a definir prioridades, o que prefeririam os Viseenses (num sentido lato, abarcando naturais de Viseu e residentes no Concelho)? Uma cintilante Cidade jardim ou uma Cidade que proporcione oportunidades aos Viseenses? O que prefeririam os Viseenses: uma Cidade com largas avenidas ou que Viseu tivesse indústria, tecnologia e pólos de criatividade? O que prefeririam os milhares de naturais de Viseu espalhados por Portugal e pelo mundo? Passearem entre o verde da sua terra natal ou terem oportunidades para trabalhar em Viseu e aí organizar a sua vida?

Para além destes desideratos não serem inconciliáveis, bem pelo contrário, julgo que caso fossem “forçados” a decidir a maioria dos Viseenses optaria pelas segundas opções, confrontados com as diversas hipóteses. Aliás, as segundas opções são veículos privilegiados para a concretização e manutenção das primeiras opções.

Acresce que, ainda há bem pouco tempo a estratégia “Regional” aparentava ser diferente da ora apresentada. Com efeito, em Fevereiro de 2011, a Rede Urbana para a Competitividade e Inovação Viseu | Dão Lafões enunciava que o primeiro eixo estratégico para a Região deveria assentar em “Criatividade, Talento e Qualificação”.

Na apresentação desta “Rede Urbana” sublinhava-se a importância (i) da captação e incentivo de talentos; (ii) de uma cultura que reconheça e premeie o empreendedorismo; (iii) da iniciativa e do risco empresarial; (iv) da criação, instalação e desenvolvimento de empresas assentes na tecnologia e criatividade.

De Fevereiro para Junho, passaram poucos meses….

Não quero tirar mérito a quem o tem. E, faça-se justiça, em muitos aspectos Viseu tem tido uma diferenciação positiva comparativamente com outros Municípios.

Porém, não quero que a minha Cidade perca o “norte”. Não quero que se descure a aposta nas Pessoas: na sua preparação, qualificação e na promoção de condições de realização pessoal e profissional.

Uma Cidade que se quer forte tem que apostar na Diplomacia Económica Local. Tem que perceber que a criação de emprego e de condições para formação ao longo da vida não são uma exclusiva função do Governo, mas também das próprias Câmaras.

Viseu, Cidade não ferroviária, precisa de agarrar os “comboios de oportunidades”. Uma Cidade que valorize as Pessoas e que proporcione condições de realização pessoal e profissional deve ser a “marca” de futuro.

Artigo publicado no Diário de Viseu

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