Ideias de Origem Portuguesa

A ideia deles é reabilitar as cidades, o júri gostou e declarou-os vencedores
A edição do concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, da Fundação Gulbenkian e da Fundação Talento, dedicada a Diogo Vasconcelos, premiou com 50 mil euros o projecto Reabilitar a Custo Zero, que deverá já ser posto em prática em Outubro. Primeiro o Porto, depois o mundo.
                                                                                              Diogo Coutinho, Angélica Carvalho e José Paixão (Foto: Pedro Cunha)

Uma ideia. O início de qualquer projecto começa com uma simples ideia que é depois trabalhada, organizada, planeada. Há uns meses atrás foi assim que tudo começou para o arquitecto José Paixão, de 27 anos, a viver em Viena, na Áustria. Quando soube do concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Fundação Talento, juntou-se a Diogo Coutinho, engenheiro civil, e Angélica Carvalho, futura arquitecta, e em conjunto criaram o projecto Reabilitação a Custo Zero. Com o pensamento nos prédios degradados na cidade do Porto, de onde são naturais, pensaram o que poderiam fazer para mudar a situação. Tiveram uma ideia e hoje foram premiados. Mal imaginavam há uns meses que se destacariam, primeiro entre as 209 candidaturas, e, agora no fim, entre as dez finalistas. Ou se calhar, até já desconfiavam. “Estávamos na expectativa, trabalhámos muito e tínhamos consciência de que o nosso trabalho tinha qualidade e potencial”, revelou ao P2 José Paixão, mostrando-se cheio de vontade de começar a pôr o projecto a andar. “Aliás já estamos a trabalhar nesse sentido.”

O projecto, como o próprio nome indica, tem por base a criação de uma organização sem fins lucrativos para reabilitar as cidades a custo zero, através da ajuda de estudantes de Engenharia e de Arquitectura, não só de Portugal, mas de toda a Europa, que poderão voluntariar-se, assemelhando-se aos programas de mobilidade estudantil, como o Erasmus.

O júri, presidido por João Caraça, director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, e composto por Daniel Bessa, Diogo Vasconcelos (recentemente falecido), Isabel Almeida Rodrigues, Luísa Schmidt e Simone Duarte, destacou em comunicado que este é o projecto que “melhor cumpre os desígnios desta iniciativa, com base nos critérios de originalidade, inovação, potencial de impacto social e sustentabilidade”.

Para Luísa Valle, directora do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano, o concurso superou as expectativas, mostrando que Portugal tem talento e pode tornar-se num país melhor, através do reforço das relações entre “nós cá e os nossos portugueses lá fora”. “Portugal é cada vez menos rectângulo e cada vez mais o mundo. Não podemos permitir que se realize o divórcio com os portugueses no estrangeiro e a melhor forma de evitar isto é trabalhar com eles”, explicou a responsável, contando que desde que as ideias foram tornadas públicas, são muitos os interessados que querem apoiar e saber mais.

“Reabilitação a custo zero foi o projecto vencedor mas os outros nove finalistas também já venceram. As outras ideias que não chegaram aqui são os futuros vencedores.” Luísa Valle revelou que muitos dos projectos, apesar de não terem ganho o concurso, vão contar também com o apoio da Fundação Gulbenkian para que se concretizem. Entretanto, muitos privados têm também manifestado interesse em participar como José Paixão confirma. Quando a sua ideia foi publicada no P2, ainda não a tinha apresentado à Universidade do Porto mas também não foi preciso. A própria instituição não perdeu tempo e contactou os jovens. “Uma empresa de construção civil também já se mostrou interessada em apoiar-nos” e a Câmara Municipal do Porto também não quis ficar de fora. “Estamos a formalizar agora uma parceria e se tudo correr bem em Outubro arrancamos já com um projecto-piloto. Um edifício na Ribeira da Porto”, contou orgulhoso o arquitecto, revelando que com isto vai voltar para Portugal. “Estamos mesmo dedicados ao projecto, estamos a fazer os contactos não só com empresas e instituições como com as universidades lá fora. Acreditamos que para o projecto se tornar universal, tem que ser bem-sucedido no Porto.”

Luísa Valle não tem dúvidas de que o projecto, que representa também uma oportunidade para os jovens estudantes da área ganharem alguma prática e aprenderem, seguirá em frente. “É preciso perceber que tudo depende de nós e acreditarmos que conseguimos, é preciso participar na mudança e estes jovens entendem isto muito bem e estão cheios de vontade.”O sucesso e o interesse gerado foi tanto que o concurso vai voltar. O FAZ – Ideias de Origem Portuguesa vai tornar-se numa iniciativa bianual. “Pretendemos dar um melhor acompanhamento e ajudar mesmo os projectos que não venceram de forma a que consigam implementar-se no terreno, dando-os a conhecer a potenciais financiadores e investidores”, acrescentou a responsável.

Luísa Valle anunciou ainda que a edição deste ano é dedicada a Diogo Vasconcelos, que além de ter sido consultor da Fundação Gulbenkian e membro do júri da iniciativa, “representava o espírito de inovação e empreendedorismo que tanto contribuiu para um novo olhar sobre o mundo”.

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