De mentira em mentira chegamos à hora da verdade !


Já não consigo ouvir falar de agências de Rating. Há uns dias um monumental artigo do Pedro Santos Guerreiro, também aqui publicado , descrevia de forma clara e inequívoca o que dava sentido aos cortes de agências como a Mody’s. De facto o que estas agências fazem é em nada desigual ao que fazem os corvos : enchem o peito de ego e deixam que lutem por elas.

Mas e então? Os mercados só adoptam as classificações da Mody’s , que mais não são do que uma espécie de boletim meteorológico da economia, porque querem e confiam.

Eu posso ter nascido ontem, mas não nasci ontem à noite. Estou farto do “nothing personal” e de ingenuidades : a Mody’s é o braço armado do dólar e da América. Ponto final. E qual é o da Europa?

O principal problema não são as Mody’s ou as Standard & Poor’s. A Europa não consegue dar uma resposta a estas constantes provocações e ataques não porque não saiba ou não tenha meios, mas porque tal como já sublinhou Kissinger,não há um telefone(vermelho) da Europa, leia-se : não há uma liderança.

E sim , o problema é de liderança. E não há escolha : a liderança tem de ser Alemã. È absolutamente insustentável, intolerável e inadmissível que a Sra. Merkel continue a virar a cara à luta e permita que certos ataques ao EURO continuem a alastrar à sombra da impunidade. Está em causa a subsistência europeia que é quase o mesmo que dizer, o EURO. Não será isto mais importante do que as legislativas de 2013 na Alemanha?

A Alemanha não se pode eximir das suas responsabilidades. Não se pode aceitar que pelo facto da economia Alemã continuar a crescer, ou porque o povo alemão está desprovido de qualquer sentido (se é que alguma vez o teve) de entreajuda e economia comum, a Alemanha adopte uma atitude passiva e que é causa e simultaneamente efeito desta destruição progressiva da zona euro.

Se isto fosse um simulacro a Europa teria falhado e teria de rever rapidamente os seus planos de resposta rápida. Mas não é. É um ataque não declarado à economia europeia que pode muito bem culminar no fim do EURO, insista-se. Não ver isto é fechar um dos olhos.

Nunca gostei de juízos de prognose mas é preciso que estejamos lúcidos sobre o seguinte : se a Espanha vier a necessitar de ajuda externa não haverá dinheiro suficiente e estaremos, se não no fim do EURO, pelo menos com ele à vista.

É por isso necessário que a Alemanha se imponha e crie uma virgula no tempo que seja suficiente para que os mercados e investidores, pelo menos, ganhem algum fôlego sobre este sufoco “ratingueiro”.

Quanto a Portugal , não há muito a fazer senão cumprir o plano da Troika e ter esperança que o gigante alemão decida acordar desta sonolência profunda e humilhante e perceba que a Europa é maior do que a soma das suas ambições enquanto povo.

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