Corino de Andrade (1906-2005), um tributo ao Médico Progressista


"A saúde pública é um capital da Nação, que esta tem o dever de vigiar e auxiliar com o mesmo carinho e zelo com que protege todas as suas outras riquezas. A saúde dos povos interessa às nações, pois sem os homens fortes de alma e corpo estas não podem suportar os esforços que a história lhes impõe."


(Corino de Andrade)



Ao Prof. Corino de Andrade
Perguntei: - «
Quando morre um seu amigo,
que lembra dele nos primeiros dias?»
Fixou bem os meus olhos
E respondeu-me sem hesitação
numa palavra súbita: - «CONVÍVO». Armando Pinheiro



Mário Corino da Costa Andrade, uma das figuras cimeiras da neurologia portuguesa do séc. XX faleceu dia 16 de Junho de 2005. O seu estro, as suas descobertas, a sua excelência de vida e obra mereceram divulgação a nível mundial. Considerado como um dos mais destacados neurologistas portugueses, foi o primeiro investigador a identificar e a tipificar cientificamente a paramilóidose (chamada Polineuropatia Amiloidótica Familiar) e um dos principais impulsionadores da criação do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS).

O funeral do investigador teve lugar dia 18 de Junho 2005, saindo às 11h30 do ICBAS para o Cemitério do Prado do Repouso – Porto, onde foi cremado. Tinha completado 99 anos no dia 10 de Junho de 2005. Recordamos hoje, com eterna saudade, um grande cientista que, para além de ter centrado a sua actividade na área da neurologia, foi também um apreciador de cultura, arte e educação. Quem com ele conviveu sabe que a sua dimensão humana de espaço e valores sempre o acompanharam, assim como o seu espírito exigente e insaciável do conhecimento. Como um cidadão de reconhecida intervenção cívica não escapou à polícia política (PIDE) do Estado Novo, que lhe moveu perseguições, no início da década de 1950, pelas suas convicções democráticas.


A sua actividade científica mereceu várias distinções no percurso da sua vida, entre as quais o Grau de Grande Oficial de Santiago de Espada (1979), a Grã-Cruz da Ordem de Mérito (1990), o Grande Prémio Fundação Oriente de Ciência e, em 2000, o Prémio Excelência de Uma Vida e Obra da Fundação Glaxo Wellcome. Homenageado e condecorado pela Presidência da República, Corino de Andrade, médico-cientista-neurologista, sempre foi um homem simples, com uma enorme grandeza – a sua alma. Considerado Personalidade da Ciência do Porto Capital da Cultura 2001, apresentou-se sempre como um homem convicto da sua missão. Em 2002, numa primeira edição promovida pela Fundação GlaxoSmithKline das Ciências de Saúde, foi apresentada a obra “Corino Andrade: Excelência de uma Vida e Obra”, de autoria da jornalista Maria Augusta Silva.


Muitos foram os vultos da cultura e da ciência que com ele comungaram o saber e o conhecimento. Como um Homem de temperamento decidido e pertinaz ficará para a posteridade a tenacidade e o altruísmo do seu carácter. Como um Homem de profundas reflexões, registam-se alguns pensamentos humanistas que nos ajudam a olhar a vida de uma forma interrogativa, entre outros, destaco estes que passo a citar: «Sempre tive a preocupação de procurar sonhar mas, ao mesmo tempo, reduzir o sonho à sua exequibilidade», ou, «Sempre me interessou o conhecimento e a colaboração com os outros. Conhecimento e solidariedade são os dois vectores máximos da minha vida».



Obrigada, Corino de Andrade, pelo seu humanismo e pela sua humanidade. Outros tempos chegam… Que saibam interpretar e valorizar quem sempre trabalhou em prol do cidadão!


Por: Cristina Correia

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