Vamos ao debate!


É preciso criar uma "atmosfera respirável" no PS e por isso irei apoiar o António José Seguro, na certeza que a moção de orientação da candidatura corresponderá ao discurso de apresentação. Também porque nunca se viu o António José Seguro ser contra as posições essenciais do Partido, ao contrário do que diz algum aparelho central partidário criado com base no carreirismo político sem qualquer base de carreira ou experiência profissional. São esses que esquecem que foram os seguidismos acríticos, o endeusamento do Secretário-Geral, o temor reverencial perante o mesmo, o maniqueísmo de que quem não diz connosco é contra nós, o desprezo pelas opiniões discordantes em relação à operacionalização concreta das políticas vindas muitas vezes de quem tinha larga experiência nesse campo, que foram claros responsáveis pela situação a que o País chegou e pelos resultados do PS, para além da crise internacional por que obviamente o PS não foi responsável. E se em democracia é normal que alguns ganhem e outros percam eleições custa ver perder assim, apesar da natural usura do poder.
É necessária uma mudança em relação ao passado próximo, não uma ruptura porque há que honrar os compromissos assumidos em nome do País, e uma campanha interna condigna e com elevação, que relembre os ideais de liberdade, justiça social, igualdade de oportunidades, de sucesso e emprego e desenvolvimento equilibrado do País, mas que tenha em conta que não sendo a Política, como arte do governo da Pólis, uma Moral há princípios éticos que não podem ser esquecidos na boa tradição Republicana do PS. E são preciso mais que declarações altissonantes referindo Escola Pública, SNS, etc..., sem se saber bem em concreto do que se está a falar, para preparar uma futura alternativa de políticas governativas no contexto que Portugal vai viver nos próximos anos.
Por isso, para além de um maior conhecimento pessoal do António José Seguro, até em desempenho de funções dirigentes de Administração Pública, não estando em causa os méritos intelectuais e políticos do Francisco Assis, a excessiva proximidade com o núcleo duro que conduziu o Partido e uma menor experiência governativa, a sua candidatura não é, na minha opinião, neste momento, a mais favorável à mudança que se necessita no PS.
Lamento que a eleição do Secretário- Geral não seja feita em Congresso Nacional, como aconteceu durante muitos anos, pois isso desvaloriza o papel dos Congressos tornando-os em parte em meras sessões de " vassalagem e louvação" do líder eleito e numa feira/mostra de pequenas e grandes vaidades, favorece a redução do leque de potenciais candidatos e reduz a capacidade afirmação de futuros líderes, na medida em que havendo um líder eleito directamente não faz sentido deixar de aprovar a ou as moções que subscreve. Mas espero que a primeira fase do debate interno, que ocorrerá à volta das candidaturas, possa acordar o PS da letargia em que tem vivido. E se é certo que sempre que um partido está no poder acaba por haver alguma "domesticação" desse partido pelo governo, o facto é que os tempos recentes do PS foram nesse aspecto além do que seria normal acontecer.
Vamos ao debate, agora e depois, como propõe o António José Seguro, que a responsabilidade é de todos os socialistas.

Post Scriptum:
- Por sugestão de alguns amigos próximos, que bem me conhecem, acrescento uma pequena clarificação a respeito da minha tomada de posição.

Para esclarecimento de alguns militantes e não militantes do PS e para tranquilidade de outros, quero dizer que não me quis colocar na fila para disputar qualquer lugar no PS.

Apenas quis exercer um direito e cumprir um dever de militante, que ajudou a legalizar o PS e a criar grande parte das estruturas concelhias do distrito de Viseu e a Federação de Viseu.

Quanto ao que digo no texto é muito menos do que desde há cerca de quatro anos andei a dizer e a prever nos órgãos concelhios e distritais do PS Viseu, sem qualquer pretensão a adivinho ou profeta da desgraça. Para incómodo e enfado de muitos que, com o seu silêncio de conveniência, foram, ainda que porventura não intencionalmente, coniventes com a situação a que o PS chegou e agora correm pressurosamente a alinhar-se com os potenciais candidatos que pretendem marcar diferença com a situação anterior.

Muitos militantes são muito novos e não tiveram oportunidade de viver os tempos da luta ideológica que ajudou a estruturar o PS e a consolidar a sua perspectiva de sociedade democrática, com ênfase na valorização dos direitos sociais assentes ca consolidação dos direitos políticos. Para esses lembro uma frase que fez o seu caminho à época e muito querida do guevarismo: "Só a verdade é revolucionária".

E nos últimos tempos faltou alguma verdade no PS. E não me venham dizer que sou utópico ou saudosista do PREC. Não tenho ilusões de que os partidos assentam em grupos de interesses e que para desenvolverem os seus projectos políticos necessitam de conquistar o poder. A questão é saber como e em proveito de quem se utiliza o poder e se não se fica agarrado ao poder pelo poder.
Artigo de opinião de Rui Santos

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