Uma questão de exemplo


Sacrifício.Nunca se falou tanto em sacrifício e nunca se imbuiu tanto nesse sentido o povo português como agora . Mas não se pedem sacrifícios,exigem-se.

É muito claro o que está em jogo : ou nós descemos à terra e paramos de uma vez por todas de gastar o que não temos ou as gerações futuras estarão comprometidas.E neste contexto não releva se a responsabilidade é de quem governou nos últimos 6 ou 36 anos.

O que verdadeiramente interessa é que temos de vencer as dificuldades e nisso ,nós, povo português, ao longo da nossa historia demos provas mais do que suficientes em como do nada ressuscitamos e damos a volta por cima.

Mas os tempos agora são outros. São outros porque de todas as vezes que nós , povo português , fomos chamados a responder perante as adversidades havia algo ou alguém que nos movia. Havia um orgulho patriótico indescritível e norteante , havia uma crença. Hoje não há, e subjaz a isto, quem é que pede sacrifícios ao povo? Pedem os responsáveis políticos a quem o povo, pouca ou nenhuma legitimidade reconhece para tal. Irá o cidadão comum trabalhar duas ou três horas a mais sem reclamar horas-extra porque isso é benéfico para a empresa onde trabalha e para Portugal ? Não me parece que em Portugal se faça disto coro.

A questão central é diversa. Quem pede sacrifícios deve estar investido de legitimidade, e a legitimidade adquire-se com actos , dando o exemplo. Se tal pedido surgir divorciado de legitimidade (como é usual) , entraremos numa senda de manifestações desprovidas de sentido que farão exclusivamente parte do problema e não da solução.

Pois bem , chegou a hora de todos os responsáveis políticos darem o exemplo ; chegou a hora de se responder com mais actos e menos entrevistas; chegou a hora de se deixar de dar uma no cravo e cem na ferradura ; chegou a hora de agir para mudar o rótulo desde há muito estampado nas costas de tantos responsáveis políticos , já que, nos dias que atravessamos dar o exemplo não é a melhor forma de fazer as coisas, é a única.

É óbvio que todos sabemos que dentro do possível o melhor não é necessariamente o ideal, mas o caminho é este e não há outro para que o povo português volte a acreditar e volte a sentir aquele orgulho que tantas vezes fizeram com que este povo falasse a uma só voz e recusasse ajoelhar-se perante a História.

Não falta por aí quem discorra abundantemente sobre razões e previsões que concluem que Portugal, pelo povo que é e pelos políticos que tem e teve, irá , inevitavelmente , cair no abismo; que a nossa justiça nunca será eficaz ou que a nosso sistema nacional de saúde sofre de um cancro de serviços e pessoas que não pode ser curado. Têm memoria curta.Esquece-se do que os homens e mulheres deste país já fizeram no passado, e que quando este povo se une por um propósito comum e a necessidade se alia à coragem, Portugal faz aquilo que já fez tantas vezes : dá o exemplo.


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