Um novo modelo de desenvolvimento - Viseu


O enorme desafio que se vai colocar à cidade de Viseu nos próximos anos, diria até na próxima década, será o de consolidar toda a área de expansão urbana entretanto consumada nestes últimos anos. A cidade está hoje cheia de estruturas e de construção ocas, habitação construída e terminada mas sem colocação no mercado. As zonas peri-urbanas de Viseu estão cheias de apartamentos vazios. O excesso de oferta é evidente face a uma procura que quase estagnou nos dois últimos anos. Parece claro que a expansão da cidade para novas áreas de construção massificada tem os dias contados. Não há população suficiente para comprar ou arrendar e o mercado de compra de uma segunda habitação também já teve melhores dias. A estratégia de crescimento assente na triangulação mágica do cimento, betão e alcatrão, que marcou a última década, está definitivamente esgotada.

A cidade precisa de pensar alternativas, de forma a poder manter os índices de crescimento e desenvolvimento que atingiu e que são conhecidos. Esse é um enorme desafio colectivo que deve ser feito a todos os viseenses e que deve merecer um debate profundo e atento nos próximos anos. A actual maioria política do executivo municipal perdeu capacidade de o poder fazer e sente-se um ambiente de final de ciclo.

Questões centrais como a da mobilidade urbana. Qual o espaço que queremos na cidade para os automóveis e qual o que queremos para as pessoas? Questões de ordenamento e requalificação dos espaços edificados. Que requalificar? Como o fazer? Para que funções? Uma nova centralidade para o Centro Histórico? Questões de economia local. Que alternativas ao comércio e aos serviços? Comércio de rua ou grandes espaços comerciais? Ainda há tempo de recuperar o tempo perdido com a falta de indústria? Aonde inovar no turismo e na gastronomia? Questões fundamentais da cultura e do património. Há mais vida para além dos ranchos, tunas e dos cantares? Inovar a tradição ou simplesmente romper com ela? Questões fundamentais dos serviços sociais e de apoio aos mais carenciados. Residências sociais e ou apoio domiciliário? Apoio à criação de emprego e à inovação social?

A cidade e os seus actores sociais e políticos terão de repensar a sua estratégia de crescimento e de desenvolvimento. Uma coisa parece certa: os novos problemas e desafios que na próxima década se irão colocar aos viseenses só podem ser ultrapassados com uma estratégia diferente daquela que nos conduziu até aqui. Se apenas pensarmos em dar continuidade à herança deixada utilizando as mesmas receitas usadas no passado, estaremos condenados a fracassar.

Artigo de Alexandre Azevedo Pinto, publicado no Diário de Notícias

1 comentário:

  1. Não haverá ninguém a pensar em colocar uma linha férrea na cidade?! Obviamente que a revolução industrial passou e os caminhos de ferro foram (em tempos idos) os grandes impulsionadores da questão... No final de contas Viseu é a maior cidade da Europa sem comboio...

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