Resistamos à tentação...

Chegou ao fim a liderança de José Sócrates. Após uma demissão assumida com grande dignidade e elevação, José Sócrates deixa a sua marca inequívoca na história do PS e de Portugal.


Ventos de mudança preparam e precedem a eleição de um novo Secretário-Geral. Estamos perante um tempo de transição em que cada um, na qualidade de militante, é chamado a escolher o novo líder. Num espaço curto de tempo, necessário dada a exigência do actual contexto sociopolítico, emergiram dois candidatos: António José Seguro e Francisco Assis. Com muito agrado verifico ser unânime a ideia de que deve ser feita uma disputa e um processo eleitoral limpo, com elevação e sobretudo rico em debate de ideias.


Em ambas candidaturas já são visíveis amplas expressões de apoio, sobretudo daqueles que ao longo destes anos mantiveram relações de proximidade com o colega de parlamento ou com o líder de bancada ou mesmo com ambos. Compreendo a sustentação das suas opções. Respeito-as em absoluto, aliás, constituem-se como referenciais que irei também ter em conta aquando da minha tomada de decisão.


Mas julgo que não deve ser menosprezado o grupo alargado dos que conhecem o percurso de ambos os candidatos à distância, sem esta vivência de proximidade. Não esqueçamos que o PS terá pela frente um trabalho árduo e um papel fundamental de apoio e de regulação à implementação do Memorando acordado com a troika. Tarefas que exigirão do novo líder uma enorme capacidade de diálogo, mas também de negociação, sobretudo nas questões que poderão exigir uma revisão constitucional. Urge, pois, a necessidade de ser assegurado, de imediato, um espaço de reflexão, de debate e de informação alargados.


Resistamos à tentação de optar porque “estes” ou “aqueles” também optaram. Cada vez mais a realidade e a experiência nos ensinam que as nossas escolhas, tanto na vida como na política, são mais sustentadas e consistentes quando estamos na posse de toda a informação. Informação que nos permita não sermos influenciados por percepções superficiais que nada têm que ver com o exercício da política. Informação que, depois de retirado tudo o que é acessório, se reúna em torno do que é essencial e do que realmente importa ao PS: o projecto, a experiência e competência no desempenho político dos candidatos e os valores democráticos. Informação a que todos deveremos ter acesso, em tempo oportuno!

Não se trata de adiar! Trata-se sim de tomar uma decisão convicta face ao papel que se pretende que o PS desempenhe conjugado com o perfil do novo líder!


No final?! Ganhará claramente o PS! Ganhará Portugal!

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