O dia seguinte



Seja qual for o Governo que nos caia em sorte, a partir de domingo não há um segundo a perder. O compromisso que o Estado português firmou com a Europa e com o FMI tem de ser honrado, no rigor dos seus termos e nas exigências dos seus prazos. Segunda-feira acaba a festa. E Portugal tem de demonstrar, preto no branco, que a Democracia não se esgota nas escolhas, felizmente livres, antes se reafirma pela eficácia e pela responsabilidade.

O próximo Governo tem de ser formado sem delongas, diletâncias e caprichos. E todos, desde a Presidência da República aos responsáveis partidários têm de dar provas de um alto sentido de compromisso com o interesse nacional. A fase que agora se finda não foi promissora, de que tal venha a acontecer. Só esperamos que a inércia da campanha eleitoral não venha a prejudicar, ainda mais, o que tem de ser feito nos próximos dias: constituir um Governo credível que afirme, urbi et orbi, um Portugal responsável e exigente consigo próprio, capaz de desanuviar todas as desconfianças perante os europeus e com isso combater e prevenir as sempre presentes ameaças dos mercados.

Está nas nossas mãos abrir uma janela de oportunidade, por onde se vislumbre uma qualquer pequena luz ao fundo túnel. É responsabilidade de todos, dar ao futuro Governo condições de trabalho e de eficácia política. Pouco interessa que seja minoritário ou maioritário. À sua volta tem de ser criado um ambiente de confiança nacional que não dependa dos humores ou das frustrações de poder de quem não obteve os sufrágios com que sonhara. A questão deixará de 2 ser de votos para ser de pessoas. Os portugueses têm o direito de respirar, após tantos meses de incerteza e pavores. Tem de poder contar com um futuro melhor, depois de votarem, à esquerda ou à direita com a esperança dos aflitos. Só assim, posta uma pedra sobre a crise política, é possível combater a crise económica e financeira, pela mão de um Governo que, pintado de fresco, tenha a energia, a inteligência, direi, a serenidade, de perceber o que muitos cidadãos têm sofrido. Não só na bolsa, como na estima.


O próximo Governo tem de ser o maior denominador comum dos portugueses. Só assim, os mobilizará para o que lhe pede, que é, pouco menos que sacrifícios. Para o conseguir terá de se concentrar, mais no trabalho que na ideologia, mais no rigor do que nas promessas. Não pode enredar-se na criatividade. É preferível a imaginação.

 O que lá vai, lá vai. É preciso um Governo e é preciso governar. Estamos em férias há muitas semanas. Para o bem ou para o mal chegaram ao fim. É que, nesta Europa dos nossos dias, há sempre uma Grécia ao virar da esquina.

Coimbra, 31 de Maio de 2011
Luís Marinho

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