Nova liderança no PS

Após 6 anos de governação de José Sócrates, os portugueses afirmaram, nas urnas, a intenção de mudança. Em democracia, essa é uma decisão soberana.

Os factos que prevaleceram na decisão de voto foram, essencialmente, a diminuição do poder de compra e o aumento do desemprego em Portugal. Porém, estes acontecimentos não podem ficar dissociados da crise financeira internacional que nos enfraqueceu levando à remodelação dos sucessivos Programas de Estabilidade e Crescimento onde se aplicaram medidas que, embora essenciais e impostas por Bruxelas, agravaram os bolsos dos portugueses. Não obstante o trabalho ter sido somente reconhecido por 28% dos votantes, este Governo que agora cessa funções deixou obra no terreno, quer na saúde, quer na educação, entre outros sectores, que beneficia directamente os portugueses.

O Partido Socialista também cometeu erros durante esta governação. Sócrates demitiu-se, assumindo parte. A sua imagem estava gasta e os portugueses cansados de o ver constantemente a abrir os noticiários. É necessário fazer o levantamento dos factores que levaram a uma derrota tão expressiva. Não foi Pedro Passos Coelho nem o PSD que venceram estas eleições e muito menos o seu programa eleitoral. Este é o momento certo para que essa reflexão seja feita internamente com uma nova liderança.

António Costa era o mais bem posicionado na sucessão, reunindo (penso!) o consenso entre os militantes socialistas. No entanto, seriam 4 anos de desgaste dispensável por parte de quem decidiu honrar os compromissos assumidos com os lisboetas.

Assim, Francisco Assis e António José Seguro apresentam-se como candidatos à liderança do Partido Socialista. Dois socialistas de fortes convicções, inteligentes e com experiência política em cargos de renome. Características imprescindíveis a qualquer líder partidário.

Nos últimos dias, têm surgido manifestações de apoio a cada um dos candidatos. No entanto, diria que a maior parte dos militantes encontra-se indecisa relativamente à opção de voto, pois ainda não há informação suficientemente esclarecedora que distinga as duas candidaturas. Além das moções de estratégia ainda não terem sido apresentadas, as mesmas deverão posteriormente ser alvo de discussão de modo a clarificar o projecto que cada um defende. Adivinha-se um debate de ideias que frise essas mesmas diferenças mas que, acima de tudo, una o partido para o futuro. Deste modo, o PS sairá fortalecido!

Qualquer que seja o próximo líder do Partido Socialista espera-se vontade, coragem e determinação à frente de uma oposição que se deverá assumir construtiva, responsável e consistente de modo a captar, num futuro próximo, novamente o apreço e a confiança da maioria dos portugueses.

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