Estribilho: O país não pode falhar

Pois, “o país não pode [mesmo] falhar”, dirão também os portugueses.
Este estribilho foi iniciado com a posse do novo Governo no dia 21 de Junho no Palácio de Belém, por Cavaco Silva e Passos Coelho.
Saúdo pois a preocupação dos dois principais e actuais actores políticos, ao dizerem o que disseram. Mas não esqueço, igualmente, os seus comportamentos recentes e dissonantes desta evidência. Bem, mas isso são tempos passados e é sobre o futuro que eu quero e devo falar.
E quais são as circunstâncias para o futuro? São politicamente indesculpáveis.
Temos um Presidente que, como se tem visto, não se poupará a esforços (e bem) para ajudar na governação. Temos uma maioria absoluta na Assembleia (PSD + CDS/PP) com 132 deputados. Temos um Governo que resulta de um entendimento entre os dois partidos de direita e que tem uma base programática de governo assente naqueles que foram os seus objectivos na campanha. Ou seja, tudo aquilo que qualquer político e qualquer partido ou coligação desejam para governar sem instabilidades políticas, num quadro constitucional e legal, democrático, existe. Quem ainda achar pouco, é bem que diga, com clareza, que regime político quer, para que nos entendamos.
 E, então, para que o país não falhe e para que tal desígnio se materialize só se espera mesmo que o Governo comece a governar.
Esperamos que os ministros mostrem ao país o seu programa, os seus projectos, as suas medidas. Esperamos que mostrem o seu PEC já que o PEC IV pelos vistos era muito gravoso. Esperamos que nos falem da avaliação dos alunos, dos professores e sobre vida nas escolas. Esperamos que nos esclareçam sobre os cuidados primários de saúde, sobre os cuidados hospitalares e sobre a sua política para o medicamento. Esperamos pelas suas palavras sobre o rendimento social de inserção, sobre o apoio aos idosos, crianças e pessoas com deficiência. Esperamos que digam algo sobre a reorganização administrativa do território. Esperamos que nos tragam o seu pensar sobre as medidas concretas para a internacionalização da economia e para o apoio às pequenas e médias empresas. Esperamos ouvir palavras concretas sobre o combate ao despovoamento do interior e sobre medidas que revitalizem a agricultura e o mundo rural. Enfim, sobre energia, acessibilidades, ambiente, associativismo…
Esperam-se, pois, medidas concretas, de especialidade, face às políticas dos anteriores governos que tanto contestaram e combateram na Assembleia da República.
Não sei se a estrutura do Governo é a melhor para atingir os objectivos, mas dou e todos damos o benefício da dúvida. Mas esta ideia de juntar ministérios e depois serem nomeados secretários de estado, tipo ministros, não me parece ser a melhor forma de gestão política.
PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Não votei em Fernando Nobre para Presidente da Assembleia da República porque entendi que um homem que fez uma cruzada e a negação dos partidos e dos políticos, não pode ser o primeiro dentre eles, por falta de coerência e idoneidade políticas.
Votei, em primeira escolha, em Assunção Esteves, a quem desejo as maiores felicidades. Sim, em primeira escolha (o mesmo não poderá dizer o PSD), numa mulher que dignificará o Parlamento e a política, na senda de ilustres anteriores presidentes, de que destaco aqui Jaime Gama, a quem ela sucede.
Foto: Blog "A carta a Garcia"
Artigo publicado no Diário de Viseu

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