Abstenção? Não!

A abstenção tem sido a sucessiva vencedora das últimas eleições realizadas no nosso país. As presidenciais deste ano atingiram um valor record - 53,37%. Esse número elevado deve-se, em parte, ao facto dos cadernos eleitorais não se encontrarem constantemente actualizados. No entanto, os actos eleitorais têm-se tornado cada vez menos apelativos à custa de um desinteresse generalizado pela política e pelos políticos. A falta de credibilidade e coerência, as propostas que não se cumprem, as alternativas que não surgem, as dívidas acumuladas das empresas públicas e os altos salários dos seus gestores, entre outros, fazem com que muitos portugueses votem em branco, nulo ou, simplesmente, não votem!

Mas há outros motivos para que os portugueses prefiram não contribuir nas decisões importantes do país. Seja porque faz frio, chuva ou calor, qualquer que seja o estado do tempo, são justificações válidas para não sair de casa/ir à praia/passear. Há quem nunca tenha exercido o direito ao voto e com idade legal após 1974 e que não se canse de dizer mal da actual situação! Tornou-se um hábito não votar!

O próprio dia das eleições (5 de Junho, neste caso) pode ser um entrave ao voto. A época de exames que agora se aproxima para os estudantes, o período de férias para outros, a proximidade com feriados de 10 e 13 de Junho (Lisboa), o trabalho fora da residência habitual, dentro ou fora de Portugal, ou motivos de saúde, são factores que dificultam/impedem a deslocação até ao local de voto no dia agendado. Também ainda o facto de em algumas aldeias onde não há mesa de voto não existir uma rede de transportes públicos até à sede de freguesia nesse Domingo.

Em oposição, também há aqueles que desejavam votar nas últimas eleições mas que foram ”impedidos” dada a confusão com o número de eleitor. Esperemos que essa situação não se torne a repetir! Nota-se, actualmente, mais informação esclarecedora em circulação.[1]

E é por eu ser estudante e os exames “estarem à porta” que no dia 5 de Junho não irei votar. Todavia, já votei no passado dia 24 de Maio! Fi-lo através do Voto Antecipado. Soube atempadamente da minha indisponibilidade, informei-me (e divulguei essa informação) e procedi ao envio de toda a documentação necessária. Esta alternativa veio possibilitar o voto em dia diferente ainda que em regime de excepção (estudantes fora do seu distrito de recenseamento, por exemplo). Em boa hora surgiu! No entanto, a burocracia que exige, apesar de necessária, pode desencorajar à primeira vista. Há que agilizar e simplificar o processo, divulgar e alargar esta opção a mais cidadãos.

Sinto que cumpri a minha missão! Há que ter a consciência de que o voto é não só um direito adquirido após o 25 de Abril pelo qual o povo lutou como também um dever cívico. Há políticos competentes em quem podemos confiar o nosso voto, com trabalho de mérito reconhecido em prol da população. Devemos ter um papel activo na decisão do rumo a tomar pelo nosso país! Ficar em casa num momento crucial da nossa democracia de nada serve! Queixar, dizer mal, abster, não são soluções!

Diga “não” à abstenção! Aja! Use o voto!

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