APANHA O METRALHA!!

No dia em que o Sotor Coelho vai anunciar mias uma receita para colocar as contas públicas em dia lembrei-me de recuperar uma parvoíce pegada que escrevi há uns meses num outro pasquim cibernáutico.
No meio de tantos mil milhões em falta, e sem querer desresponsabilizar os nossos governantes, passados e actuais (quando tiverem aquecido o lugar e já merecerem uma avaliação séria) esta salganhada que despejei no altauniversitaria.blogspot.com acho que vem a propósito!

Sabem que mais? divirtam-se, "no matter what"!!
beijos e abraços



"Ora viva



No meio de tanta crise, para não cair num estado depressivo que me leve a comprar um bilhete só de ida para a Lapónia, ou para os mais fanáticos do direito à autodeterminação dos povos, para a terra dos Sami, Sápmi (a ideia de viver com neve quase constante, frio, renas, alces e poucas pessoas, numa cabana com sauna, confesso que me agrada sobremaneira...), ocupo a cabeça com trabalho. Tenho um trabalho giro, viajo qb, conheço gente das mais variadas nacionalidades, e com isso a depressão lá vai ficando escondida.



Se me limitasse a ver TV,ouvir os politicos da nossa praça, os sindicalistas loucos que por aí andam completamente na lua, os direitolas "a culpa é toda vossa ainda que eu tenha estado no governo mais tempo que vós", então aí sim, ficava tontinho. Mas evito ver as noticias, aprende-se muito pouco nos dias que correm com os noticiários e com a imprensa nacional.


Mas de manhã até gosto, ali entre as 08.00 e as 08.20, entre duas colheradas de cereais frutos vermelhos do Pingo Doce (por sinal bem bons.....).



Mas hoje a SIC N estragou-me o repasto, juro que me engasguei com um pedaço de morango: os tugas, nós, devemos 6,5 mil milhões de € ao fisco. Repitam lá comigo: seis vírgula cinco mil milhões de Euros.


Segundo os experts (cada vez confio menos em jornalistas, confesso, mas perdoem-me lá caros leitores jornalistas) este valor a ser cobrado só por si evitaria a necessidade das últimas medidas de austeridade.



Eu, que até pago os meus impostos certinhos, e agora ainda mais, fiquei danado. Como podemos nós ir para a frente, como pode o país avançar, se a escala do não pagamento de impostos (não são estimativas, são valores identificados: sr manuel deve X, senhora ana deve y) é esta? Não podemos.



Somos um país de metralhas, de artistas, de chicos espertos. De gente que grita e guincha porque a estrada tem buracos ou fica à espera 3 horas no Centro de Saúde, mas que não contribui com a parte que lhe toca a ele.



SEIS VÍRGULA CINCO MIL MILHÕES DE EUROS!


Lanço aqui um apelo: vamos tornar-nos todos bufos, bufos de quem deve e não paga, bufos de quem usufrui de bens e serviços pagos pelos outros enquanto que a parte deles é gasta em BMW´s ou LCD´s, bufos destes artistas todos que nos saem mais caros que qualquer TGV ou submarino!



Vou labutar mais um pouco, que diz que isto só lá vai com exportações!



Abraço"

Feira Medieval de Penedono dias 1,2 e 3 de Julho

Uma questão de exemplo


Sacrifício.Nunca se falou tanto em sacrifício e nunca se imbuiu tanto nesse sentido o povo português como agora . Mas não se pedem sacrifícios,exigem-se.

É muito claro o que está em jogo : ou nós descemos à terra e paramos de uma vez por todas de gastar o que não temos ou as gerações futuras estarão comprometidas.E neste contexto não releva se a responsabilidade é de quem governou nos últimos 6 ou 36 anos.

O que verdadeiramente interessa é que temos de vencer as dificuldades e nisso ,nós, povo português, ao longo da nossa historia demos provas mais do que suficientes em como do nada ressuscitamos e damos a volta por cima.

Mas os tempos agora são outros. São outros porque de todas as vezes que nós , povo português , fomos chamados a responder perante as adversidades havia algo ou alguém que nos movia. Havia um orgulho patriótico indescritível e norteante , havia uma crença. Hoje não há, e subjaz a isto, quem é que pede sacrifícios ao povo? Pedem os responsáveis políticos a quem o povo, pouca ou nenhuma legitimidade reconhece para tal. Irá o cidadão comum trabalhar duas ou três horas a mais sem reclamar horas-extra porque isso é benéfico para a empresa onde trabalha e para Portugal ? Não me parece que em Portugal se faça disto coro.

A questão central é diversa. Quem pede sacrifícios deve estar investido de legitimidade, e a legitimidade adquire-se com actos , dando o exemplo. Se tal pedido surgir divorciado de legitimidade (como é usual) , entraremos numa senda de manifestações desprovidas de sentido que farão exclusivamente parte do problema e não da solução.

Pois bem , chegou a hora de todos os responsáveis políticos darem o exemplo ; chegou a hora de se responder com mais actos e menos entrevistas; chegou a hora de se deixar de dar uma no cravo e cem na ferradura ; chegou a hora de agir para mudar o rótulo desde há muito estampado nas costas de tantos responsáveis políticos , já que, nos dias que atravessamos dar o exemplo não é a melhor forma de fazer as coisas, é a única.

É óbvio que todos sabemos que dentro do possível o melhor não é necessariamente o ideal, mas o caminho é este e não há outro para que o povo português volte a acreditar e volte a sentir aquele orgulho que tantas vezes fizeram com que este povo falasse a uma só voz e recusasse ajoelhar-se perante a História.

Não falta por aí quem discorra abundantemente sobre razões e previsões que concluem que Portugal, pelo povo que é e pelos políticos que tem e teve, irá , inevitavelmente , cair no abismo; que a nossa justiça nunca será eficaz ou que a nosso sistema nacional de saúde sofre de um cancro de serviços e pessoas que não pode ser curado. Têm memoria curta.Esquece-se do que os homens e mulheres deste país já fizeram no passado, e que quando este povo se une por um propósito comum e a necessidade se alia à coragem, Portugal faz aquilo que já fez tantas vezes : dá o exemplo.


António José Seguro em Viseu - "O Novo Ciclo"

No próximo dia 2 (Sábado), António José Seguro estará no Hotel Montebelo pelas 17h00 para apresentar a sua candidatura à liderança do Partido Socialista e mostrar a necessidade de um novo ciclo.

"A minha actividade cívica e política tem-se pautado pela defesa permanente de valores e princípios. Valores de solidariedade e justiça social. Princípios éticos e de defesa da transparência.

Por outro lado, a minha formação cívica e personalidade têm como matriz saber ouvir e trabalhar em equipa, procurando a envolvência de todos.

Sei que estas palavras podem parecer-lhe gastas porque, infelizmente, os princípios e os compromissos são muitas vezes esquecidos por titulares de cargos políticos.

No presente, a prova que lhe posso dar de que sou fiel aos meus valores é o trabalho realizado. Para o futuro, todos terão a liberdade de me avaliar em função dos compromissos assumidos.

A tarefa a que me proponho é lançar um Novo Ciclo. Reconheço que não vai ser fácil mas é um projecto que pretendo concretizar com a participação de todos.

Conto também consigo!"



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Um novo modelo de desenvolvimento - Viseu


O enorme desafio que se vai colocar à cidade de Viseu nos próximos anos, diria até na próxima década, será o de consolidar toda a área de expansão urbana entretanto consumada nestes últimos anos. A cidade está hoje cheia de estruturas e de construção ocas, habitação construída e terminada mas sem colocação no mercado. As zonas peri-urbanas de Viseu estão cheias de apartamentos vazios. O excesso de oferta é evidente face a uma procura que quase estagnou nos dois últimos anos. Parece claro que a expansão da cidade para novas áreas de construção massificada tem os dias contados. Não há população suficiente para comprar ou arrendar e o mercado de compra de uma segunda habitação também já teve melhores dias. A estratégia de crescimento assente na triangulação mágica do cimento, betão e alcatrão, que marcou a última década, está definitivamente esgotada.

A cidade precisa de pensar alternativas, de forma a poder manter os índices de crescimento e desenvolvimento que atingiu e que são conhecidos. Esse é um enorme desafio colectivo que deve ser feito a todos os viseenses e que deve merecer um debate profundo e atento nos próximos anos. A actual maioria política do executivo municipal perdeu capacidade de o poder fazer e sente-se um ambiente de final de ciclo.

Questões centrais como a da mobilidade urbana. Qual o espaço que queremos na cidade para os automóveis e qual o que queremos para as pessoas? Questões de ordenamento e requalificação dos espaços edificados. Que requalificar? Como o fazer? Para que funções? Uma nova centralidade para o Centro Histórico? Questões de economia local. Que alternativas ao comércio e aos serviços? Comércio de rua ou grandes espaços comerciais? Ainda há tempo de recuperar o tempo perdido com a falta de indústria? Aonde inovar no turismo e na gastronomia? Questões fundamentais da cultura e do património. Há mais vida para além dos ranchos, tunas e dos cantares? Inovar a tradição ou simplesmente romper com ela? Questões fundamentais dos serviços sociais e de apoio aos mais carenciados. Residências sociais e ou apoio domiciliário? Apoio à criação de emprego e à inovação social?

A cidade e os seus actores sociais e políticos terão de repensar a sua estratégia de crescimento e de desenvolvimento. Uma coisa parece certa: os novos problemas e desafios que na próxima década se irão colocar aos viseenses só podem ser ultrapassados com uma estratégia diferente daquela que nos conduziu até aqui. Se apenas pensarmos em dar continuidade à herança deixada utilizando as mesmas receitas usadas no passado, estaremos condenados a fracassar.

Artigo de Alexandre Azevedo Pinto, publicado no Diário de Notícias

Agências de Rating!

Francisco Assis em Viseu: 3 de Julho, 21 h, no Hotel Montebelo


Para apresentação aos militantes da moção "A Força das Ideias", de que é primeiro subscritor, Francisco Assis desloca-se no dia 3 de Julho a Viseu, pelas 21 horas, ao Hotel Montebelo.
 
Será, pois, uma excelente oportunidade para todos os militantes do distrito de Viseu poderem ouvir as ideias concretas de quem se apresenta, em simultâneo, como uma candidatura de mudança e de continuidade: continuidade em relação à história do PS, ao seu património político, ético e humano, o qual Francisco Assis assume integralmente, e de mudança porque temos de saber construir os caminhos do futuro, que implicarão rupturas sem renegar a história do PS.
 

Boa oportunidade para os militantes aprofundarem o seu conhecimento e decidirem em plena liberdade.
 
Notícia retirada de Letras e Conteúdos

Estribilho: O país não pode falhar

Pois, “o país não pode [mesmo] falhar”, dirão também os portugueses.
Este estribilho foi iniciado com a posse do novo Governo no dia 21 de Junho no Palácio de Belém, por Cavaco Silva e Passos Coelho.
Saúdo pois a preocupação dos dois principais e actuais actores políticos, ao dizerem o que disseram. Mas não esqueço, igualmente, os seus comportamentos recentes e dissonantes desta evidência. Bem, mas isso são tempos passados e é sobre o futuro que eu quero e devo falar.
E quais são as circunstâncias para o futuro? São politicamente indesculpáveis.
Temos um Presidente que, como se tem visto, não se poupará a esforços (e bem) para ajudar na governação. Temos uma maioria absoluta na Assembleia (PSD + CDS/PP) com 132 deputados. Temos um Governo que resulta de um entendimento entre os dois partidos de direita e que tem uma base programática de governo assente naqueles que foram os seus objectivos na campanha. Ou seja, tudo aquilo que qualquer político e qualquer partido ou coligação desejam para governar sem instabilidades políticas, num quadro constitucional e legal, democrático, existe. Quem ainda achar pouco, é bem que diga, com clareza, que regime político quer, para que nos entendamos.
 E, então, para que o país não falhe e para que tal desígnio se materialize só se espera mesmo que o Governo comece a governar.
Esperamos que os ministros mostrem ao país o seu programa, os seus projectos, as suas medidas. Esperamos que mostrem o seu PEC já que o PEC IV pelos vistos era muito gravoso. Esperamos que nos falem da avaliação dos alunos, dos professores e sobre vida nas escolas. Esperamos que nos esclareçam sobre os cuidados primários de saúde, sobre os cuidados hospitalares e sobre a sua política para o medicamento. Esperamos pelas suas palavras sobre o rendimento social de inserção, sobre o apoio aos idosos, crianças e pessoas com deficiência. Esperamos que digam algo sobre a reorganização administrativa do território. Esperamos que nos tragam o seu pensar sobre as medidas concretas para a internacionalização da economia e para o apoio às pequenas e médias empresas. Esperamos ouvir palavras concretas sobre o combate ao despovoamento do interior e sobre medidas que revitalizem a agricultura e o mundo rural. Enfim, sobre energia, acessibilidades, ambiente, associativismo…
Esperam-se, pois, medidas concretas, de especialidade, face às políticas dos anteriores governos que tanto contestaram e combateram na Assembleia da República.
Não sei se a estrutura do Governo é a melhor para atingir os objectivos, mas dou e todos damos o benefício da dúvida. Mas esta ideia de juntar ministérios e depois serem nomeados secretários de estado, tipo ministros, não me parece ser a melhor forma de gestão política.
PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Não votei em Fernando Nobre para Presidente da Assembleia da República porque entendi que um homem que fez uma cruzada e a negação dos partidos e dos políticos, não pode ser o primeiro dentre eles, por falta de coerência e idoneidade políticas.
Votei, em primeira escolha, em Assunção Esteves, a quem desejo as maiores felicidades. Sim, em primeira escolha (o mesmo não poderá dizer o PSD), numa mulher que dignificará o Parlamento e a política, na senda de ilustres anteriores presidentes, de que destaco aqui Jaime Gama, a quem ela sucede.
Foto: Blog "A carta a Garcia"
Artigo publicado no Diário de Viseu

Cavalhadas de Vildemoinhos






África- Norte de África e Europa



A evolução recente em alguns países do norte de África veio reforçar a necessidade de a União Europeia dar uma atenção muito especial a esta área do mundo; tal como foi sublinhado num Seminário Jean Monnet realizado no final de Maio em Bruxelas, sobre Evolutions in the Southern Mediterranean. Implications for the European Union.

Trata-se de Países considerados na Política Europeia de Vizinhança (PEV), que inclui 16 países, a sul e a leste da União Europeia (países sem a expectativa, vários deles sequer longínqua, de se tornarem membros): Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, Jordânia, Israel, Síria, Territórios Palestinianos, Líbano, Azerbaijão, Arménia, Geórgia, Moldávia, Ucrânia e Bielorrússia.

No seu conjunto, têm uma população de 255 milhões de habitantes, com o elemento comum de terem níveis de vida muito abaixo dos nossos. Tendo a UE-27 um PIB per capita de 23.633 euros, o valor nos países da PEV é de cerca de um quarto, de 5.992 euros per capita.

Com estes valores e uma população que é mais de metade da população da UE, não é pensável a sua integração: exigindo um esforço financeiro muito acima das possibilidades do orçamento da União Europeia, ao que acrescem em muitos dos casos, em termos decisivos, razões políticas, não se tratando de democracias.

Em relação à primeira dificuldade, vale a pena  sublinhar que nas Perspectivas Financeiras agora em aplicação, de 2007-2013, são destinados à cooperação com os países da PEV 12 mil milhões de euros, ao todo 62,7% do que coube só a Portugal; como se disse, com destino a um território onde vivem 255 milhões de habitantes. E não pode de facto admitir-se o enfraquecimento da integração e da coesão no seio da própria União Europeia, com graves prejuízos para nós e para os demais países do mundo.

Importa todavia, com todo o realismo, que passa necessariamente por um grande esforço financeiro e político dos próprios países, que com a maior brevidade sejam dados passos muito significativos. É este o nosso interesse mesmo económico, só assim se evitando movimentos imigratórios muito custosos também para nós (curiosamente, com pouco relevo para Portugal…), que recentemente levaram inclusivamente a problemas entre a França e a Itália, ao arrepio dos compromissos de Shengen; sendo ainda seguro que o desenvolvimento desses países vizinhos, com uma população tão grande, aumenta para nós as oportunidades de mercado, não deixando de fazer aqui grande parte das suas compras.

Um objectivo determinante não pode pois deixar de ser a melhoria das condições económicas e sociais das suas populações.

Mas os movimentos recentes nos países do norte de África, juntando milhares e milhares de jovens, mostraram bem que não está em causa apenas um problema de promoção económica e social; está também em causa, com maior relevo, um problema de participação cívica e política, com jovens e toda a demais população que não podem deixar de comparar as situações dos seus países comas situações dos países em que há uma participação política aberta e alternância no poder.

O problema da participação não é aliás só um problema de realização das pessoas, é também uma condição de progresso económico e social.

Os exemplos são muito claros, mostrando o êxito muito maior dos países com participação das pessoas e alternância no poder.

O mapa do mundo é impressionante, mostrando onde estão os países com dirigentes que têm estado no poder ao longo de várias décadas, com regimes autocráticos; inquestionavelmente, não sendo os países que evidenciam os melhores indicadores…

Os meios recentes de comunicação vêm tornando impossível os encerramentos de fronteiras, com os cidadãos em geral, em especial os jovens, a quererem ter o mesmo nível de informação e participação que têm os jovens dos países mais desenvolvidos; em muitos dos quais têm aliás parentes próximos a trabalhar ou a estudar. E um diálogo político aprofundado muito poderá contribuir em tal sentido.

E é bom que sejam desde logo os dirigentes dos países a ter isto bem presente, sendo melhor sair em glória do que ser "empurrado" para fora do poder.

Manuel Lopes Porto
Coimbra, 14 de Junho de 2011

A Paliçada


A política, de quem todos dizem mal, atrai porque é aquilo que é! A resultante imaterial das condutas pessoais e colectivas, a mistura de grandes ideais com pequenas misérias, ao fim e ao cabo, uma parte da vida tal qual. Não há pachorra para políticos perfeitos, coerentes e virginalmente impolutos, nem para o discurso moralista que faz supor a sua existência. Estaríamos, na circunstância perante "os homens excepcionais" que normalmente arrastam as sociedades para o lodo e os países para o charco.

Por isso os democratas são, em primeira linha, os que aceitam as coisas como são. Mas que no credo de um ideal filosófico, lutam para que elas venham a mudar. Não há contradição entre essa resignação e esta mudança. O mundo é o que é, mas sempre vale a pena fazê-lo melhor.

É esta dialéctica entre o presente que sempre está mal e o futuro que se espera redentor que explica as sobreposições da política com a religião. O que em muitos casos produziu dramáticas catástrofes históricas, quando nessa dualidade, a independência desaparece e os homens se deixam conduzir só por uma, ou só por outra.

Porque todos sabemos alguma coisa destas perversidades intrínsecas ao fenómeno político, não admira que as amizades políticas se rompam ou se retomem à velocidade da luz, que os Países se encontrem e desencontrem na fugacidade e que os Continentes ora se disputem, ora se aliem. Por isso, todos os políticos deverão saber que a regra é a permanente solidão. E que só a dinâmica acidental dos interesses gera algum companheirismo que se traduz momentaneamente em simpatia, ou em apoio. Mas que à primeira contrariedade se estilhaça, voltando tudo à forma inicial da ordem política que é a brancura da estrada deserta.

Por isso os políticos se precatam. Apostam em pequenas fortalezas espetando no solo homens a servir de paliçada. Não são "body guards" façanhudos e de cara desconhecida. São, pelo contrário, gente solícita e simpática do mesmo trem de vida com quem se pode comer na mesma mesa.

Com este expediente os políticos têm sempre gente à mão, a dizer-lhes que sim, aumentando o seu conforto moral que ilude a solidão. A questão é que com tão boa guarda, afastam-se dos outros, precisamente, dos que não estão de plantão e que acreditam neles e esperam deles. Mas quanto mais se guardam, mais se afastam e acabam como uma miragem, na linha do horizonte. Deixaram de existir!

Normalmente, os primeiros a perceber, são os da "paliçada" que se vão estacar à volta de outro "ícone", com nome de gente!

Não se pense que tal se passa na baixa política.

Passa-se sempre onde ela está. A solidão é a regra inexorável. Mas não se sai dela com jactância, pairando acima das realidades. A política é o que é. Um jogo de homens, mas só triunfa quem joga com todos, em campo aberto. A política é uma perversidade com ética!

Luís Marinho
Coimbra, 21 de Junho de 2011

O tiro que passou ao lado: O senhor que sendo contra os partidos e os deputados os queria presidir…






Era uma vez…

Sem dúvida era um bom inicio de história, mas neste caso sem o tradicional “foram felizes para sempre.”Seria razoável um “Nobre” homem, que detesta o sistema político e os seus intervenientes e que tem uma palavra que muda como o vento, ser eleito Presidente da Assembleia da República? Penso que não e pelos vistos os Senhores Deputados pensam desta mesma forma, felizmente ainda estão com a cabeça fresca e conseguiram pensar de forma célere e correcta.

Fernando Nobre falhou a eleição como presidente da Assembleia da República.

Espero que tenha terminado aqui a cruzada político-partidária deste “Nobre ” homem, até por uma questão de coerência, pois dissera, ou mandara dizer por um real mensageiro, que renunciaria ao cargo de deputado caso não fosse eleito Presidente da Assembleia da República.

Fernando Nobre, o “Nobre” homem da cidadania perdeu, neste caso não usou a celebre frase “Só não chegaria a Belém se alguém lhe desse um tiro na cabeça”. Ninguém lhe deu um tiro na cabeça, mas o bater dos votos no fundo da urna da Assembleia falou mais alto e o “Nobre” homem caiu…

O primeiro dia da legislatura...


Nos caminhos da hiperdemocracia.



Com a derrota da Esquerda nas últimas eleições legislativas, fechou-se inevitavelmente um ciclo. Duas semanas depois, é já tempo de construir, reflectir…

Perguntas inevitáveis como sejam, (i) por que motivo os Europeus em geral, e os Portugueses em particular, “castigaram”, de forma tão acentuada, a Esquerda?; (ii) qual o papel da Esquerda na Governação?; (iii) qual o papel da Esquerda na Oposição?; (iv) qual deve ser o futuro posicionamento ideológico e estratégico partidário da Esquerda?, merecem uma resposta. Merecem, no mínimo, uma reflexão.

Rui Tavares, Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda, sintetizou a importância de uma reflexão à Esquerda da seguinte forma (www.ruitavares.net): “Sabemos onde falhou o sistema financeiro. Sabemos onde falhou o neoliberalismo. Sabemos onde falhou o centro-direita, e o centro-esquerda, e a social-democracia. Sabemos tudo, é fantástico. Só não sabemos responder a esta pergunta: onde falhámos nós?

Sim, porque nós havemos de ter falhado em qualquer coisa. Se não tivéssemos falhado, não teríamos a troika a tomar conta da casa. Se não tivéssemos falhado, não teríamos, dois anos depois de os bancos terem estourado com o sistema financeiro, o discurso hegemónico a estourar com o estado social em favor da mítica austeridade.

A esquerda não será séria se achar que fez tudo bem e que, para o futuro, só há que continuar a fazer o mesmo.”

Onde falhámos nós? Esta pergunta, tão simples, poderia ser um bom início para um diálogo à Esquerda. Como também poderia ser uma pergunta interessante para os Candidatos a Secretário-Geral do Partido Socialista, cujas eleições terão lugar nos próximos dias 22 e 23 de Julho de 2011.

No momento que vivemos (crise, austeridade, hegemonia da direita, défice, restrições orçamentais), o processo eleitoral para Secretário-Geral do PS configura uma oportunidade única e irrepetível para que o Partido Socialista reflicta sobre o passado, mas sobretudo sobre o futuro de Portugal, da Europa e do Mundo. Neste processo eleitoral, mais importante do que a eleição, por si só, do próximo Secretário-Geral do Partido, revela-se essencial a promoção de um saudável confronto e contraditório de ideias e projectos.

Até hoje, as campanhas de Seguro e Assis têm sido "individuais": entrevistas individuais, sessões de esclarecimento individuais, posições cujo contraditório é feito pelos Militantes. Claro que o exercício do contraditório pelos Militantes é positivo. Muito positivo, aliás.

Espero, porém, que ambas as Candidaturas e Candidatos estejam disponíveis para ir mais além. Espero que proliferem Debates entre os Candidatos e abertos não só aos Militantes, como à Sociedade Civil. Julgo que há uma sede colectiva de conhecer, de forma o mais aprofundada possível, quem são os Candidatos a Secretário-Geral do PS, mas sobretudo quais as suas ideias. Penso, aliás, que ambos os Candidatos têm o dever (ainda que moral) de ser os primeiros a promover esses Debates.

Importa não subestimar nem a consciência, nem muito menos a vontade da "massa popular". Importa não subestimar a "hiperdemocracia"...

“É falso interpretar as situações novas como se a massa se houvesse cansado da política e encarregasse a pessoas especiais o seu exercício. Pelo contrário. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que, no final de contas, com todos os seus defeitos e vícios, as minorias dos políticos entendiam um pouco mais dos problemas públicos que ela. Agora, por sua vez, a massa crê que tem direito a impor e dar vigor de lei aos seus tópicos de café. Eu duvido que tenha havido outras épocas da história em que a multidão chegasse a governar tão directamente como no nosso tempo. Por isso, falo de hiperdemocracia.”
Ortega y Gasset

Artigo publicado no Diário de Viseu

Grèce: la crise sans fin



Artigo de opinião recebibo por e-mail...

Comment donner de l’air à une Grèce qui ne parvient pas à sortir la tête de l’eau ? Vendredi, à  l’issue du G8, Nicolas Sarkozy a reconnu qu’il faudrait sans doute en passer par une «restructuration douce» de la dette publique grecque, qui dépasse 150% de son PIB, bien que le mot demeure tabou : «Si la restructuration signifie qu’un pays ne doit pas rembourser ses dettes, c’est non, ce mot ne fait pas partie du vocabulaire français. En revanche, si la question est de savoir comment les investisseurs privés ou les partenaires privés peuvent prendre une part du fardeau, il ne s’agit pas du tout d’une restructuration […] et nous devons avancer dans cette direction.»

En clair, le chef de l’Etat français se rallie à la suggestion allemande d’un allongement des délais de remboursement accordés aux Grecs y compris en y associant le secteur privé, ce que la France, à l’image de la Banque centrale européenne (BCE), refusait d’envisager jusqu’à présent par crainte d’un nouveau « Lehman Brothers », c’est-à-dire d’un effet systémique incontrôlable. «La restructuration ou le rééchelonnement, qui serait de nature à constituer une situation de défaut, sont pour moi off the table. On n’en discute pas», martelait ainsi Christine Lagarde, la ministre des Finances, le 16 mai.
Il est vrai que dix-huit mois après le début de la crise de la zone euro, le cauchemar semble ne jamais devoir finir. D’une part, Athènes, en dépit d’un prêt de 70 milliards d’euros de l’Union, de 30 milliards du Fonds monétaire international (FMI) et d’un plan d’austérité sans précédent, semble toujours aussi loin d’un retour sur les marchés financiers, ses comptes publics ne se redressant pas suffisamment vite en dépit d’une cure de rigueur sans précédent. L’UE et le FMI devront selon toute vraisemblance décaisser 60 milliards de plus en 2012 et 2013, ce qui les rendrait propriétaires de la moitié de la dette grecque (170 milliards d’euros sur 340). D’autre part, la contagion, qui semblait être stoppée depuis la chute de l’Irlande et du Portugal, menace de gagner l’Espagne, l’Italie et la Belgique, des pays fortement endettés. Les marchés ne s’y retrouvent plus dans les déclarations cacophoniques des dirigeants européens, dont certains semblent de plus en plus réticents à aider les pays périphériques.
Ainsi, alors que la France se rallie finalement à la position allemande sur la restructuration, l’Allemagne semble changer d’avis dans le même temps : le ministre des Finances, Wolfgang Schäuble, a écarté jeudi toute restructuration de la dette hellénique, estimant qu’elle pourrait conduire à une faillite du pays, ce qui aurait «des conséquences encore plus dramatiques que l’effondrement de Lehman Brothers»… Il semble avoir été sensible aux pressions de Francfort…
Dire que le bateau euro tangue est donc un euphémisme. Les chefs d’Etat et de gouvernement du G8 se sont logiquement inquiétés de la situation. Dans le communiqué final, les Européens ont tenté de rassurer le reste du monde, en expliquant qu’ils ont«adopté un vaste ensemble de mesures afin de traiter la crise de la dette souveraine à laquelle quelques pays font face» et assurent qu’ils continueront «à faire face à la situation avec détermination». Crânement, Nicolas Sarkozy, qui présidait la réunion, a tenu à souligner que «Barack Obama n’a pas fait part de ses inquiétudes, car il connaît parfaitement la situation des Etats-Unis». Les déficits et les dettes publiques européennes étant inférieurs à ceux des Américains. Pour Sarkozy, «c’est un paradoxe de parler des problèmes de l’euro à un moment où il n’a jamais été aussi haut, entre 1,40 et 1,50 dollar, soit bien au-delà de son cours d’introduction [1,17 dollar]». Et d’ajouter : «Une monnaie fragile ne voit pas sa valeur marchande à la hausse.» Soit. Mais reste que l’attention des marchés, et notamment celle des établissements financiers européens possesseurs de l’essentiel de la dette publique européenne, demeure focalisée sur les pays les plus fragiles de la zone euro, et non sur les Etats-Unis ou la Grande-Bretagne.
Il faut dire que la situation grecque a de quoi paniquer n’importe quel investisseur. La zone euro et le FMI commencent sérieusement à soupçonner ce pays de ne pas faire suffisamment d’efforts pour purger ses comptes publics (son déficit reste supérieur à ce qui a été prévu), notamment en traînant des pieds pour privatiser une partie de son patrimoine public (évalué à 280 milliards d’euros). Une mission de la Commission, de la BCE et du FMI doit rendre public dans les prochaines heures un rapport qui s’annonce plutôt désastreux pour Athènes, la mise en œuvre des réformes marquant le pas. A sa décharge, il est difficile de changer un appareil d’Etat corrompu en quelques mois… En outre, l'opposition conservatrice - qui a une large responsabilité dans la situation actuelle de la Grèce- refuse toute "union nationale" alors même que les socialistes ne disposent que d'une étroite majorité au Parlement et que les citoyens commencent à passer de la résignation à la révolte.
Le FMI a déjà haussé le ton dès jeudi en menaçant la Grèce de ne plus lui verser un euro s’il n’obtient pas «l’assurance» qu’il sera remboursé. L’UE elle-même commence à se faire tirer l’oreille, d’où la valse hésitation sur la restructuration. "On cherche à faire pression au maximum sur la Grèce pour qu'elle privatise au plus vite et qu'elle mette en oeuvre les réformes afin de rassurer l'Allemagne", explique un diplomate européen. Selon Georges Papandréou, le Premier ministre grec, un tel refus de verser les fonds conduirait son pays à la«banqueroute».
Il n’en demeure pas moins qu’en dépit des menaces, il n’est pas question que l’Union laisse tomber la Grèce ou quelque pays que ce soit : «Angela Merkel et moi-même soutenons totalement l’euro, a clamé Nicolas Sarkozy, vendredi à Deauville. Nous défendons l’euro et la solidarité à l’intérieur de la zone euro. Il s’agit d’une question de crédibilité.» Une crédibilité dont les marchés doutent manifestement.

N.B.: il s'agit d'une version longue de l'article publié dans Libération de samedi et cosigné avec Vittorio De Filippis

Bibliotecas Escolares: Entre a Expectativa e a Realidade



Não é só em termos históricos que a Biblioteca cruza o seu destino com o da Escola mas também em termos conceptuais e sistemáticos. Espaço de protecção do saber, também grande armazém de aprendizagem, espaço ordenado com vista à leitura, ao estudo, à sociabilidade entre gerações, toda a biblioteca tende a ser uma Escola. O conceito de biblioteca é um conceito dinâmico; passando de uma caixa onde se guardavam livros a «uma colecção organizada de livros e de publicações em série e impressos ou de quaisquer documentos gráficos ou audiovisuais, disponíveis para empréstimo ou consulta» (Magalhães, 1994), ou a “…uma instituição que sabe as necessidades informativas da sociedade, exercitá-las quando é preciso» (UNESCO, 1994).

Veiga et al., entendem por biblioteca escolar «o espaço e os equipamentos onde estão armazenados todos os tipos de documentos de informação que fazem parte dos recursos pedagógicos a serem utilizados em actividades lectivas, ocupação de tempos livres e de lazer». De acordo com este conceito, a biblioteca escolar é parte integrante do processo educativo. Ela é essencial a qualquer estratégia a longo prazo nos domínios da literacia, educação, informação e desenvolvimento económico, social e cultural. Sendo da responsabilidade das autoridades locais, regionais ou nacionais, a biblioteca escolar deve ser apoiada por legislação e políticas específicas. Deve ter meios financeiros suficientes para assegurar a existência de pessoal com formação, documentos, tecnologias e equipamentos e ser de utilização gratuita.

As bibliotecas escolares são geralmente reconhecidas como sendo um elemento fundamental de dois sistemas de um país: o sistema educativo e o sistema de informação. Organizações internacionais de grande prestígio como a UNESCO e a IFLA têm-se debruçado sobre este tema e, ao longo dos últimos quinze anos, produzido um importante conjunto de estudos e documentos. Dois dos mais importantes documentos são o Manifesto da Unesco sobre Mediatecas Escolares e os Princípios Orientadores para o Planeamento e Organização de Bibliotecas Escolares. Estes documentos constituem hoje um corpo teórico essencial para o desenvolvimento dos serviços de bibliotecas escolares em qualquer país. «A biblioteca escolar proporciona informação e ideias fundamentais para sermos bem sucedidos na sociedade actualmente baseada na informação e conhecimento» (Manifesto da Biblioteca Escolar).

A biblioteca escolar desenvolve nos alunos competências para a aprendizagem ao longo da vida e estimula a imaginação permitindo-lhes tornarem-se cidadãos responsáveis. Numa sociedade de informação, em que alguns dizem já estarmos a viver, onde os maiores problemas de quem lida com a informação são como recolher, organizar, sistematizar e tornar acessíveis milhões de dados que diariamente são produzidos em todo o mundo, as bibliotecas têm um papel fulcral no nosso sistema de ensino e são cada vez mais chamadas a desempenhar novos papéis. Reconhecendo lacunas existentes neste domínio, os Ministérios da Educação e Cultura lançaram o programa «Rede de Bibliotecas Escolares» com a pretensão de criar bibliotecas actualizadas em todas as escolas do país.

Ao proporcionar fontes de conhecimentos e ao contribuir para a afirmação do indivíduo na comunidade, as bibliotecas assumem uma dupla finalidade, elas são simultaneamente factores de desenvolvimento cultural e social.

Interessa pois conhecer o público utente das bibliotecas, público sem dúvida mais motivado para a leitura, e tentar perceber quais os seus interesses e necessidades para que se possam redefinir objectivos e adequar procedimentos, numa tentativa de o manter e de conquistar novos sectores da população. Os estudantes devem ser encaminhados para um aprender toda a vida, o que hoje é verdade, amanhã é posto em causa, como refere Umberto Eco, fazer com que a «Escola ensine para a Biblioteca», uma vez que o principal objectivo da biblioteca escolar é, hoje, «orientar os estudantes de modo a que estes aprendam a manusear a informação na sua vida futura».

Cristina Correia

António José Seguro - Candidatura, Parte 2

Obrigado, Francisco Assis! Pela força das ideias!

Ontem, Sábado, dia 18 de Junho, desloquei-me a Coimbra. Disponibilizei-me a ouvir o candidato a Secretário-geral do PS, Francisco Assis.


Porquê ouvir Francisco Assis? Em primeiro lugar, entendo que começa a ser tempo do debate de ideias, alargado, ocorrer no distrito de Viseu. Neste período em que a discussão acontece sobretudo na esfera das redes sociais, entendo que o plano da discussão e do debate político directo “olhos nos olhos”, em proximidade, é insubstituível. É urgente fazê-lo! Em segundo, trata-se de um candidato que assumiu sempre as suas responsabilidades com um elevado rigor e sentido de compromisso.


Neste último período da acção governativa do PS, perante uma crise política alargada à esquerda e à direita, esteve sempre presente, com lealdade, assumindo uma política de frontalidade, de combate: lutou de pé, com firmeza, até ao fim. Percepciono-o como um verdadeiro Gladiador! Poderia ter tido um posicionamento mais cómodo, menos assertivo, mais confortável, menos “lesivo”. Poderia, mas não o fez. Assumiu no período mais difícil uma atitude assertiva, própria de um líder parlamentar que assume o leme do barco e que, em situação alguma, mesmo na adversidade, o abandona. No debate, no combate político, no exercício das funções de líder parlamentar fica uma história de mérito, de coragem, de competência, de firmeza e de grande lealdade! Julgo que ninguém se atreverá a afirmar o contrário! Disponibilizar-me a ouvi-lo, partiu do reconhecimento e da qualidade desta prestação. Enquanto socialista, recente na militância, sinto-me na obrigação de dizer: Obrigado Francisco Assis por teres representado e servido desta forma o PS!


Por que razão, em muitas opiniões que vejo expressas, emerge a ideia de que este forte desempenho, para não falar da sua experiência e qualificação políticas, o penaliza enquanto candidato a Secretário-Geral?

Resolvi escutá-lo e reflectir sobre as suas propostas.

Contextualizou o PS numa conjuntura pós eleitoral que veio alterar o quadro político português. No presente, contextualiza-o como o maior partido da oposição. Com plena noção do papel exigente que nos próximos anos lhe vai ser exigido como alternativa ao PSD e aos perigos que subjazem a esta governação da direita. Situa a sua candidatura dentro da esquerda democrática. Assume integralmente o passado, mas, enquanto candidato, abre uma visão para o futuro. Enquadra os debates do passado como importantes – elementos a preservar na história do PS – mas considera bem mais importantes os combates que se aproximam. Alinha a sua candidatura com a necessidade de se lançar um debate sério e oportuno dentro do PS. Uma candidatura que, nas suas palavras convictas, não pretende constituir-se como uma afronta contra o candidato José Seguro, a quem reconhece mérito, competência, valor, e, por quem manifesta o seu respeito e apreço. O seu objectivo primordial é derrotar a direita, fortalecer o PS num processo de regeneração interno que lhe permita retomar a sua matriz ideológica. De olhos lançados para o futuro acredita que o próximo Secretário-Geral terá de ter a enorme capacidade de construir uma alternativa política credível no espaço da esquerda democrática, nos próximos anos, que se imponha à maioria governativa, que seja capaz de agregar um conjunto de portugueses, num leque bem alargado, condição que considera ser determinante para o regresso às vitórias eleitorais. Os socialistas esperam isso, os portugueses aguardam o emergir de um PS forte, renovado e reenquadrado na sua matriz ideológica.


Para terminar, nada melhor que o recurso à força das ideias expressas pelo próprio Francisco Assis e que, aqui, me atrevo a citar:


O PS tem de surgir com ideias claras, com projectos, com propostas, numa linha que se diferencie claramente do PSD. E, para isso, teremos de realizar o combate e responder ao desafio nos próximos 4 anos continuamente. É todos dias no parlamento, é todos os dias na televisão, é todos os dias nos jornais, assumindo claramente uma linha de orientação diferente daquela que prevalece neste momento no país. Um combate duro, um combate exigente para o qual temos de convocar todo o partido socialista sem qualquer excepção, mas um combate total e presente. Nós fomos derrotados nas eleições, mas não fomos condenados a um papel subalterno, da vida do país. Pelo contrário, temos uma enorme responsabilidade de sermos uma oposição que fiscalize convenientemente mas sobretudo a sermos uma oposição que constrói uma alternativa e que seja capaz de garantir a agregação de vários sectores da sociedade portuguesa. Temos de voltar a ser um movimento referencial de confiança e de esperança para os portugueses”.

REFLEXÕES PARA UMA NOVA ESQUERDA (I)

As eleições do passado dia 5 de Junho marcam uma derrota profunda da Esquerda. Esta derrota fica a dever-se à governação desastrosa de José Sócrates, sobretudo nesta última legislatura: a sua arrogância, o seu autoritarismo, o seu ilusionismo político, mas sobretudo o seu enorme vazio de propostas para o País. O governo de José Sócrates deixou de ter um projecto para o futuro do país, talvez porque também ele tivesse deixado de acreditar nele. O facto é que esta incapacidade de definir uma ideia para o futuro aliada à crise gigantesca dívida nos colocou num plano de tal forma inclinado que acabou por estender a passadeira ao regresso, e em força, da Direita ao governo maioritário do País. Mas esta é também a derrota de um PCP e de um BE que continuam acantonados nas lógicas do simples protesto e do isolacionismo político. Esta estratégia foi também ela fortemente penalizada nesta eleição.

É de facto um momento histórico: a Direita tem pela primeira vez em Democracia um governo maioritário suportado por uma maioria parlamentar e um Presidente da República. Se a isto quisermos associar a maioria das câmaras municipais, a Direita domina hoje a quase totalidade do espectro político português. Como dizia Rui Tavares, no Público de segunda-feira depois das Eleições, o dia de reflexão da Esquerda começava ali.

A Esquerda terá que fazer uma Reflexão séria para o futuro partindo desta nova realidade política. Esta deverá merecer uma atenção especial e uma reflexão particular de toda a Esquerda no sentido de se poder construir uma alternativa política sólida a prazo. A construção dessa alternativa, a médio prazo, deve ter necessariamente uma abrangência alargada visando propostas políticas de âmbito nacional mas também propostas para o poder local. A Esquerda terá, de uma vez por todas, de ultrapassar este “tabu de não cooperação” entre si procurando convergir naquilo que tem de comum. Superando esta barreira podem encontrar-se plataformas alargadas de apoio político com capacidade para apresentar alternativas com ampla base de apoio social. Esse deverá ser o caminho.

As candidaturas com (e de) independentes e de cidadãos devem merecer uma especial atenção no sentido de se poderem encontrar essas convergências alternativas com apoio social alargado e com capacidade para essa mobilização e transformação. O reforço da democracia participativa, da liberdade de participação e de opinião e o fortalecimento de novas formas e activismos sociais, devem ser bandeiras de um projecto alargado de uma Nova Esquerda. Um Esquerda Reformista que procure também combater a crescente crise de legitimação da democracia representativa, fortalecendo a sociedade civil e a cidadania.

Alexandre Azevedo Pinto,
Economista

Fotografia ou encenação da semana?


Deitado na rua, aparentemente alheio ao caos à sua volta, um jovem casal troca um beijo apaixonado enquanto a polícia intervem para dispersar os fãs dos Vancouver Canucks que transformaram a final do campeonato norte-americano de hóquei no gelo numa batalha campal.

Partilhada por milhares de pessoas no mundo inteiro a imagem remete para um amor alheio à violência e que se revela no meio da anarquia. No entanto, nem o fotojornalista que 'sacou' a foto sabe que momento foi aquele que a sua câmara captou.

Enquanto era empurrado pela polícia de intervenção, Richard Lam detectou o casal deitado no chão. Conta que: «Ali estavam duas pessoas isoladas e deitadas no chão. Pensei que estivessem feridas (...) e consegui tirar algumas fotos» antes que o momento se perdesse.

No entanto, nem Lam tem a certeza do que na realidade aconteceu. O fotógrafo diz que continua «a olhar para a imagem sem saber o que pensar», não encontra resposta para a dúvida: estão ali dois namorados apaixonados ou duas pessoas caídas e magoadas?

A imagem correu mundo, fez notícia e com a divulgação começaram a surgir testemunhos pouco românticos acerca do sucedido.

O The Guardian cita uma testemunha que estava presente no local e que afirma que o casal foi agredido por dois polícias. «A rapariga aterrou de cabeça no chão e o namorado caiu ao seu lado», como ela estava com dores visíveis e chorava», este ter-se-á debruçado sobre ela para a ajudar.

Vancouver viveu na quarta-feira uma noite de «guerra civil» quando, uma hora depois do final do jogo Boston Bruins - Vancouver Canucks, os adeptos exaltados atiraram lixo e garrafas à polícia de intervenção. De acordo com testemunhas presentes no local, seria a partir dai que as coisas perderiam o controle - carros incendiados, duas viaturas da polícia reduzidas a lixo, janelas esmagadas e lojas assaltadas

Notícia retirada do Sol

A nova RTP...


Imagem retirada daqui.

Verdade ou consequência?!...



É com curiosa ironia que vemos desenhar-se uma nova narrativa no que se refere à agricultura e à desertificação do interior. Pensamos que só podem estar a ser influenciados pela reposição, algures, do filme “1900” de Bernardo Bertolucci - excepcional retrato humano e social da vida rural italiana do inicio do século XX até ao final da 2ª Guerra Mundial.

Estas súbitas arremetidas lembram muito, com o devido distanciamento, as campanhas de dinamização do MFA. Também elas quiseram, de repente, quebrar o isolamento das populações rurais, abrir estradões, aceiros e pontes, realizar campanhas de alfabetização, organizar comissões de moradores, grupos de teatro e cooperativas, etc., que acabaram por se traduzir em inconvenientes nuvens de tensão com as populações dispersas por recantos perdidos nas serras da Gralheira, Montemuro, Caramulo ou Estrela.
Perante esta nova vaga, apetece recolocar à entrada das aldeias, na berma da estrada, aquelas antigas placas amarelas onde estava inscrito, em várias línguas, “bem-vindos”; e outras, à saída, para agradecer aos visitantes, sem que deixemos de nos perguntar: por onde andaram todos estes anos?!...
Dizem-nos que importamos 6 mil milhões de euros (muita massa!) em produtos alimentares e que o total das nossas exportações só cobre 50%, ou seja, 3 mil milhões. Os ricos solos agrícolas de antanho estão hoje abandonados, secos e repletos de urzes e silvas!... Alguns dos proprietários envelheceram, outros morreram, outros, ainda, vivem tão longe que já nem se lembram. E então?!... O resultado foi este: as aldeias não foram abandonadas, esvaziaram-nas, para deleite do sector imobiliário e financeiro, da construção civil e dos autarcas, e de todos quantos instigaram à transformação dos terrenos agrícolas em urbanizáveis.
Nada nos move contra o actual desfraldar de bandeiras contra a desertificação do interior e abandono dos campos. Nós, os que cá vivemos, não temos feito outra coisa, por isso estamos cá. Incómodo mesmo é que tal esteja a ser feito por alguns dos “promotores” do declínio rural, através das “PAC’s”. Ainda bem que dizem, agora, o contrário do que fizeram. Vale mais tarde do que nunca. Esperemos é que não se cansem, começando por discriminar os que aqui vivem no que se refere, por exemplo, ao IRS, IRC, IMI, para além de apoiar a instalação de empreendimentos que visem o reforço da produção agrícola e o aproveitamento florestal!...
Paradoxalmente, ou talvez não, a união (europeia) não fez a força. E se nada se fizer, a sério, podem emergir perigosas derivas populistas como as dos “verdadeiros finlandeses ou holandeses”. É um lugar-comum dizer que “gato escaldado de água fria tem medo”, mas o dia a dia é feito disto mesmo… Pois é. E aqui é que bate o ponto. Receamos que, mais uma vez, estejam a preparar-se para nos “vender gato por lebre” ou a olhar-nos como “espécie em vias de extinção” enquanto instalam ratoeiras, não para nos proteger dos predadores, mas para nos engaiolar com vista à criação de condições de nidificação e fertilização, em cativeiro, recuperando, assim, alguns dos investimentos em antigos e inconsequentes projectos de turismo rural.
Uma coisa é certa: não somos culpados dos deficits crónicos da Refer, da CP, do Metro de Lisboa e Porto, da Carris, nem dos prejuízos da TAP durante anos a fio. Mas, pelos vistos, temos que pagar, como todos os outros, o mesmo preço pela electricidade, água, saneamento básico, transportes, telefone, internet e… portagens. Quanto a pagar, somos iguais, já a receber!…
É, pois, com redobrada expectativa que vemos renascer das cinzas – qual Fénix! – tamanha preocupação com as explorações agrícolas e florestais. O principal sentimento é de perplexidade, não por despeito ou razão obscura, mas pelo facto dos discursos virem dos que pagaram para arrancar vinhas e olivais; dos que negociaram quotas leiteiras ruinosas para a indústria nacional dos lacticínios; dos que cortaram o crédito e limitaram a produção às explorações animais; e dos que deram de barato a nossa frota pesqueira e a indústria conserveira, para só falar de alguns dos casos mais relevantes.
Esperemos que não seja um mero flirt!... George Orwell na sua “quinta” escreveu que “todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais do que outros”… É chegada a altura de fazer “dar a bota com a perdigota”… Estranho jogo este: verdade ou consequência?!...

Canas de Santa Maria, 11 de Junho de 2011
Cílio Correia

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Obrigado!

Nova liderança no PS

Após 6 anos de governação de José Sócrates, os portugueses afirmaram, nas urnas, a intenção de mudança. Em democracia, essa é uma decisão soberana.

Os factos que prevaleceram na decisão de voto foram, essencialmente, a diminuição do poder de compra e o aumento do desemprego em Portugal. Porém, estes acontecimentos não podem ficar dissociados da crise financeira internacional que nos enfraqueceu levando à remodelação dos sucessivos Programas de Estabilidade e Crescimento onde se aplicaram medidas que, embora essenciais e impostas por Bruxelas, agravaram os bolsos dos portugueses. Não obstante o trabalho ter sido somente reconhecido por 28% dos votantes, este Governo que agora cessa funções deixou obra no terreno, quer na saúde, quer na educação, entre outros sectores, que beneficia directamente os portugueses.

O Partido Socialista também cometeu erros durante esta governação. Sócrates demitiu-se, assumindo parte. A sua imagem estava gasta e os portugueses cansados de o ver constantemente a abrir os noticiários. É necessário fazer o levantamento dos factores que levaram a uma derrota tão expressiva. Não foi Pedro Passos Coelho nem o PSD que venceram estas eleições e muito menos o seu programa eleitoral. Este é o momento certo para que essa reflexão seja feita internamente com uma nova liderança.

António Costa era o mais bem posicionado na sucessão, reunindo (penso!) o consenso entre os militantes socialistas. No entanto, seriam 4 anos de desgaste dispensável por parte de quem decidiu honrar os compromissos assumidos com os lisboetas.

Assim, Francisco Assis e António José Seguro apresentam-se como candidatos à liderança do Partido Socialista. Dois socialistas de fortes convicções, inteligentes e com experiência política em cargos de renome. Características imprescindíveis a qualquer líder partidário.

Nos últimos dias, têm surgido manifestações de apoio a cada um dos candidatos. No entanto, diria que a maior parte dos militantes encontra-se indecisa relativamente à opção de voto, pois ainda não há informação suficientemente esclarecedora que distinga as duas candidaturas. Além das moções de estratégia ainda não terem sido apresentadas, as mesmas deverão posteriormente ser alvo de discussão de modo a clarificar o projecto que cada um defende. Adivinha-se um debate de ideias que frise essas mesmas diferenças mas que, acima de tudo, una o partido para o futuro. Deste modo, o PS sairá fortalecido!

Qualquer que seja o próximo líder do Partido Socialista espera-se vontade, coragem e determinação à frente de uma oposição que se deverá assumir construtiva, responsável e consistente de modo a captar, num futuro próximo, novamente o apreço e a confiança da maioria dos portugueses.