São voltas e voltas!



O bom que tem escrevinhar prosa mal conseguida quinzenalmente é que em quinze dias o mundo dá tantas voltas como uma montanha russa fora de controlo da Feira de S.Mateus…

Há 15 dias tínhamos o País num frenético exercício de especulação sobre as medidas da dita Troika (os 3 mosqueteiros da UE-BCE-FMI). Depois de uma medida e a sua contrária terem sido noticiadas em tudo o que fosse meio de comunicação social, mesmo nos ditos “de referência” e cheios de “fontes oficiais”, numa corrida contra o tempo para quem melhor se conseguia posicionar a anunciar o fim da civilização conforme a conhecemos, temos primeiro as não medidas anunciadas pelo PM, e depois as medidas anunciadas e explicadas pelo Sôtor Teixeira dos Santos e pelos 3 Mosqueteiros. E parece que Portugal veio abaixo com o alívio de afinal as medidas não serem as mais temidas. Pois pudera, depois de nos terem encostado à cruz parece que afinal já não vamos ser pregados mas atados com cordas. O que convenhamos é sempre mais agradável; isso dos pregos não deve ser nada aconselhável. Fomos então ao Céu, depois de termos comprado bilhete para o Inferno. Seria aconselhável metermos na cabeça que o purgatório é mesmo o que nos espera durante uma temporada, se tudo correr pelo melhor.

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Num tom mais sério: a situação está a asfixiar a economia e as empresas, e se queremos sair disto há que tomar medidas que tenham impacto imediato na vida da economia real, no dia a dia, no deve e haver das empresas.

Fala-se muito que é necessário aumentar as exportações! Que as exportações são o grande desígnio nacional, que se tudo mantiver o ritmo dos primeiros quatro meses do ano vai-se a ver e ainda pregamos uma surpresa aos mercados com uma boa performance (já nem digo de crescimento económico, mas de menor baixa do PIB do que o perspectivado), que os exportadores são os heróis da década, etc,etc. E que tal oferecer condições às empresas exportadoras para que possam manter e aumentar a actividade? Que incentivos há para quem exporta, seja lá o que for?

Falamos muito de tecnologia, de inovação, e de mais duas ou três palavras interessantes. Mas a realidade não pode esperar que consigamos exportar mais e melhor, com mais valor acrescentado, enquanto nos gabinetes de Lisboa os burocratas partidários se ocupam a discutir o sexo dos anjos e a inventar novas burocracias (naquele vídeo dedicado à Finlândia esqueceram-se de referir que a burocracia parva e inútil tem direitos de autor em Lisboa), milhares de empresas que todos os dias produzem bens transaccionáveis estão asfixiadas por uma banca que fechou a torneira, por um Estado que cobra o que as empresas ainda não receberam, que devolve o IVA tarde e más horas, que paga pior que o pior cliente que alguém possa ter.

Podemos fazer grandes urras às exportações. Mas se rapidamente não se criam condições e incentivos que aliviem a tesouraria das empresas, vamos ter os heróis da década a fechar um a um, e aí meus caros, não há 3 mosqueteiros que nos salvem. Se não soubermos cuidar e apoiar o nosso tecido empresarial, eu que tenho fraca relação com a religião, terei que rever isso, porque aí só mesmo Deus nos pode ajudar e já não há volta a dar….

Divirtam-se (sim, há que manter a boa disposição que tristezas não pagam dívidas…pelo menos a externa!)

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