Oportunismo e Demagogia

No momento em que escrevo, decorre uma sessão promovida pelo Partido Socialista sobre o programa “Novas Oportunidades” em Vila Franca de Xira.

Este programa levado a cabo pelos governos de José Sócrates mereceu a desconfiança pública de Passos Coelho quando este veio afirmar, de forma populista, que iria pedir uma auditoria externa.

Não sei se alguém lhe recomendou dizer isto, mas se foi o caso, é melhor tratar de enviar mais um para férias. De facto, o programa “Novas Oportunidades” tem sido acompanhado pelo Centro de Estudos da Universidade Católica Portuguesa todos os anos.

Para além disso, Passos Coelho ainda disse que o mesmo programa apenas servia para “certificar a ignorância”.
Pessoalmente, tenho outra visão. Este é um programa de sucesso e que tem cumprido o seu principal objectivo de promover a generalização do nível secundário como qualificação mínima da população portuguesa.

Muitos têm sido os elogios a este programa. A OCDE e a própria UNESCO valorizam positivamente o mesmo e as suas modalidades de qualificação segundo dois eixos de intervenção: jovens e população adulta.

Enquanto uns apenas falam em cultura de aprendizagem e na necessidade de qualificação dos portugueses, outros executam tudo isso no terreno.

Em 2005, houve a coragem de encarar esse desafio.
Houve a coragem de proceder a uma reforma que se irá reflectir no crescimento económico e na coesão social.
Houve a vontade de possibilitar aos jovens uma nova oportunidade fazendo do ensino profissionalizante de nível secundário uma opção real, e de possibilitar a adultos uma nova oportunidade de completar e progredir nos seus estudos (existem cerca de 450 Centros Novas Oportunidades e cerca de 200 deles em escolas dos ensinos básico e secundário).
Houve ainda a coragem e o esforço dos portugueses em todo este processo. Desde 2006, cerca de 1,5 milhões inscreveram-se, 520 mil foram certificados com diplomas referentes aos níveis de 9º e 12º anos e 380 mil foram certificados em formações de mais curta duração.

Se Passos Coelho quiser debater políticas e reformas na educação, vamos a isso. O PS não vira a cara e assume o seu património político nessa área, lembrando a construção dos 600 centros escolares, a modernização de 400 escolas, o pré-escolar para todos, a generalização do ensino do inglês, a distribuição de 1 milhão e 700 mil computadores e o Programa Novas Oportunidades. Não esquecemos também o sistema de ensino para ricos e outro para pobres que o PSD preconiza, através do fim da Escola Pública.

Passos Coelho adora falar como se fosse Primeiro-Ministro sem ir a eleições, com vários rasgos de arrogância.

Só para avisar: os portugueses não gostam disso. E muito menos de quem semeia desconfianças e suspeitas, como aconteceu com a leviandade demonstrada na abordagem ao programa “Novas Oportunidades”.

Em vez de apresentarem soluções ou medidas para melhorar, só avançam com críticas.

Serão julgados por oportunismo e demagogia.


Artigo publicado em "Farol da nossa Terra", "Viseu Mais" e "Jornal do Centro".

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