É preciso promover a ressonância…

Todos sabemos que Portugal está a viver uma crise devastadora. Todos, dia após dia, sabemos que se avizinham novos e sérios sacrifícios, novas exigências. A nós portugueses, quer tenhamos andado a viver acima das nossas posses (como afirmam os mais sábios e endinheirados), quer tenhamos sido mais cautelosos e até feito algumas poupanças, a todos, sobretudo àqueles cujo ordenado é gerido mensalmente até ao “milímetro”, vai ser exigida a gestão até ao “micrómetro”.


Não está em causa compreendermos o contexto internacional desta crise. Mas, certamente, queremos identificar e chamar pelo nome aqueles que nos conduziram, a passos largos, pela sede de poder, para o que estamos hoje a viver. Era sobejamente conhecida, por parte de todos os que ocupam lugares de liderança política, desde o Chefe de Estado até aos restantes líderes partidários, com especial relevância ao maior partido da oposição, a difícil situação económica. O primeiro, preferiu não fazer parte da solução, aliás, fico expectável face aos que relevam o seu uso da Palavra aquando da tomada de posse, claramente comprometedor e inviabilizador de quaisquer pontes ou compromissos. Também os segundos, no Parlamento, a reboque e num contexto oportunista, absolutamente leviano (de “Maria vai com as outras…”), apesar de estarem conscientes do risco, dos seus impactos, quer na nossa economia, quer na imagem externa para os mercados internacionais, optaram, numa conjuntura de “coligação” negativa, pelo chumbo do PEC IV. Logo na hora em que Portugal mais precisava de estar a uma só voz – num movimento positivo de ressonância - em que tinha de prestar contas à UE, em que tinha de fazer o ponto de situação e, subsequentemente, de projectar os próximos tempos com a apresentação de propostas que nos permitissem atingir os objectivos traçados: travar a crise. Os portugueses viram o Primeiro-ministro e o PS empenhados a explicar a emergência da aprovação do PEC IV. Os portugueses perceberam o sentido de oportunidade e de responsabilidade. Os portugueses viram um Parlamento e uma oposição a chumbá-lo. E fizeram e farão o seu juízo.


Sejamos, pois, claros. De que falamos? Claramente de uma oposição sôfrega de poder, cujos riscos mal calculados, apoiados em omissões convenientes, em alianças puramente eleitoralistas, nos lançaram para este cenário preocupante, vivido pela larga maioria dos portugueses com nítida apreensão: o pedido de ajuda externa e a entrada do FMI!


Foi neste clima de elevada tensão e de especulação maciça, geradora de dissonância com o único objectivo de minar sentimentos de pessimismo e de insegurança, disseminada por alguns órgãos de comunicação social, que o governo negociou. E negociou bem. Apesar de emergirem um conjunto de medidas difíceis ficou evidente que o governo negociou com empenho, com realismo e, ao contrário da oposição, com o trabalho de casa bem feito.



E agora? Agora que se conhece o Acordo estabelecido com a “troika”, é preciso que o PS vá mais longe. É preciso semear confiança e apostar em teias de compromisso. Os portugueses precisam de ver o PS rodear-se dos melhores profissionais. De políticos competentes, com níveis de desempenho reais. De políticos eleitos tendo por base critérios como o mérito, o desempenho e a experiência reconhecida nas suas organizações de origem. De políticos dispostos – também eles – a fazerem sacrifícios, a reduzirem mordomias, com visível vontade de servir Portugal, com empenho e eficácia. É preciso credibilizar o exercício da política, e, este, é o momento oportuno de fazê-lo! Sobretudo porque exercer política terá de significar cumprir com zelo, com seriedade e competência o programa de apoio negociado com a “troika”. O momento é de elevada exigência e impõe-se o alcance de resultados reais, de acordo com as metas estabelecidas. É preciso promover a ressonância… Para que os portugueses – também eles - dêem mais um passo… E transportem consigo níveis mais elevados de competência, de autodomínio e de responsabilidade pessoal e colectiva.

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