ANTÓNIO ARNAUT NOS NOVOS HORIZONTES - PARABÉNS!

António Arnaut esteve em Viseu a convite do clube de política Novos Horizontes. Veio falar sobre o Serviço Nacional de Saúde, Desafios do Futuro, ao auditório do Hospital Central de S. Teotónio.

Os que assistiram tiveram uma oportunidade irrepetível para ouvir o "pai" do SNS fazer a sua história e defender a sua consolidação.

O clube de política Novos Horizontes é uma organização jovem, criada por jovens, com o enquadramento estatutário do PS. Não aspirando a outro objectivo que não seja o de abrir o debate político à sociedade civil, tem a liberdade de convidar quem entender, mesmo de famílias políticas adversárias, as personalidades que pela sua vida fazem a diferença no pensamento e na acção.
António Arnaut

Fernando Gonçalves, jovem advogado, ex-Presidente da Associação Académica de Coimbra, é o rosto que o Novos Horizontes apresentou para introduzir e justificar a conferência. Fez a sua misssão com sabedoria e talento perante um público para além do PS, ora à sua esquerda, ora à sua direita.

Cílio Correia, Director Clínico do Hospital, foi o moderador, função que exerceu com distinção e a capacidade de quem dá à cultura e às coisas da leitura.

O tema foi de grande oportunidade ou não se discutisse "hoje", na praça pública, em momento de viva campanha eleitoral, a sua gratuitidade constitucional e sustentabilidade financeira por parte do Estado.

António Arnaut defendeu a sua "dama" no contexto ético que decorre de um pensamento livre. Afirmou a unanimidade do direito à saúde afirmada e vestida de lei pelos Deputados Constituintes. Recordou a aprovação, por proposta sua, enquanto ministro da república, do SNS com os votos do PS e da esquerda contra a vontade da direita. Revelou a tentativa da sua revogação por Pinto Balsemão e alguns "pecadilhos" do próprio PS.

Numa linguagem desassombrada, que não foi parca no apontar do dedo em todas as direcções, ressalvou que o SNS não deve ter paternidades especiais, porque de todos quadrantes ideológicos surgem vozes que estiveram na sua origem e na sua defesa. Explicou mesmo porque de Paulo Mendo a Adriano Moreira, da social democracia à democracia cristã, tinha e tem vozes que o defendem. E disse, com ironia, que tal como no PSD há social-democratas, no PS também há socialistas que se mantêm fieis ao seu pensamento original.

Ética, solidariedade, igualdade no acesso, gratuitidade sustentável, foram valores que António Arnaut sustentou e que a plateia aplaudiu.

Pela minha parte, entre pequenos apontamentos, lembrei que o Hospital Central de S.Teotónio era considerado ao longo dos últimos anos o 4º com melhor desempenho a nível nacional e que isso acontecia com resultados financeiros positivos.

Esse facto, enfatizei, demonstra que o SNS pode funcionar com qualidade e sustentabilidade.
O 4ª com MELHOR DESEMPENHO
A NÍVEL NACIONAL E COM SUS
TENTABILIDADE FINANCEIRA


Esse desempenho apenas depende da capacidade que todos os profissionais lhe emprestam e que aquele era o momento de lhes tributar um reconhecimento público que tantas vezes tarda em chegar.

VOTEM!!



Ora viva!

Semana e pouco para as eleições! Sondagens em que o PSD e o PS não descolam, o CDS continua alegremente a subir nas sondagens, BE e CDU a tentarem aguentar-se à bronca! Desde que caiu o governo que andamos em campanha. Não acham fabuloso que passadas todas estas semanas, debates televisivos feitos, ataques de parte a parte num exercício argumentativo que deixaria os sofistas de boca a aberta e a pensar “ó diabo, mas que aconteceu ao mundo nestes 2500 anos para que estes tipos não digam nada em condições?”, continuemos com tanto indeciso? E não me refiro sequer às sondagens, no meu dia a dia uma grande parte das pessoas diz-me “não sei em quem voto”!
Tem sido assim a campanha. Numa época em que o que realmente interessa é pensar o país, procurar soluções, debater com garra mas elegância política, com honestidade intelectual, temos isto! Podemos resignarmo-nos, virar costas, não ligar puto a isto e não ir votar com o belo argumento “são todos iguais”. Façam isso à vossa vontade, mas depois pensem duas vezes antes de se queixarem por tudo e por nada, e se entreterem no tão típico exercício português de que a culpa é sempre dos outros, nunca nossa (tipicidade aliás bastante praticada pelos maiores partidos nacionais, diga-se de passagem…) e que Aqui D’El Rey que são todos uns mentirosos e uns ladrões (acho sempre graça ouvir isto da boca de gente que se transporta em carros de luxo, mas não declara rendimentos e não paga impostos, o que, na minha opinião, faz deles os verdadeiros ladrões. Basta ver os valores da economia paralela e das dívidas ao Fisco, para se perceber que o primeiro ladrão do bem público é uma parte do povo português. Mas pronto, é sempre mais fácil culpar o político).
* * *
Sendo esta a minha última prosa antes das ditas eleições gostava de deixar uma palavra àqueles em quem vou depositar o meu voto. Sou militante do Partido Socialista há menos de um ano. Reflecti bastante antes de o fazer, que isto da militância partidária não é bem a mesma coisa que ser sócio de um clube da bola. Mas houve 2 pessoas cuja actividade político-partidária me motivou a dar esse passo: Dr. José Junqueiro e Dr. Acácio Pinto. Curiosamente fazem os dois, novamente, parte das listas do Partido Socialista pelo círculo eleitoral de Viseu. Acima de quaisquer outros, é por eles que vou votar no PS. Porque sei que eles dão tudo o que têm na defesa do Distrito e dos viseenses. Porque acredito que ainda que sejam deputados da Nação, lutam e argumentam pelo nosso distrito e pelo interior beirão. Porque sei o quanto lhes custou terem que assumir posições sobre as quais o “interesse nacional” se sobrepôs ao interesse regional (nas Scut´s, por exemplo) e,possivelmente, contrárias àquilo em que acreditam (ao contrário do Nº1 do PSD pelo distrito de Viseu, que sempre defendeu o mesmo, que a A25 e a A24 deveriam ser portajadas). Porque foram e são pessoas presentes no terreno, ao contrário dos José Luís Arnaut´s do PSD. É por eles que voto PS!
Divirtam-se!

António Arnaut...


"Se em 1969 lutávamos pela liberdade e, por isso, enfrentámos a ditadura, hoje lutamos pela igualdade, pela justiça social e isso só se pode fazer através de uma convergência das forças progressistas que estão interessadas na justiça e na igualdade social”. António Arnaut

Novos Horizontes em Viseu


Artigo de Fernando Gonçalves, publicado no Diário de Viseu

E a Segurança no Trabalho?


É irónico…Portugal, membro fundador da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na sequência do Tratado de Versalhes em 1919, é um dos países que contém mais Legislação em termos de Higiene e Segurança e no final, o menos cumpridor.
A crise de valores arrebata a crise financeira actual.
Exercer a profissão de Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho é cada vez mais angustiante. O patronato tenta “cortar” na despesa, esquecendo-se que os trabalhadores de Portugal necessitam de segurança, conforto e bem-estar nos seus postos de trabalho…o investimento nesta área tem vindo a ser escasso. Questiono, aonde fica a Segurança no Trabalho no meio da crise económico-financeira!
Produtividade é sinónimo de lucro, mas não nos esqueçamos, bem-estar no local de trabalho também é sinónimo de produtividade. Continuo a questionar, e a Segurança?
A cultura em termos de Saúde, Higiene e Segurança no trabalho tem de ser cultivada nas Escolas. Todas as crianças serão os futuros trabalhadores de Portugal. Somos fruto de uma educação péssima, consequentemente de um Patronato sem qualquer tipo de sensibilidade na área da Segurança no Trabalho.
Tenho fé que a crise reestruture a economia e também as mentalidades de Portugal.
“A Segurança não é obra do acaso!”
Sílvia Martins – Técnica de Higiene e Segurança no Trabalho.

Oportunismo e Demagogia

No momento em que escrevo, decorre uma sessão promovida pelo Partido Socialista sobre o programa “Novas Oportunidades” em Vila Franca de Xira.

Este programa levado a cabo pelos governos de José Sócrates mereceu a desconfiança pública de Passos Coelho quando este veio afirmar, de forma populista, que iria pedir uma auditoria externa.

Não sei se alguém lhe recomendou dizer isto, mas se foi o caso, é melhor tratar de enviar mais um para férias. De facto, o programa “Novas Oportunidades” tem sido acompanhado pelo Centro de Estudos da Universidade Católica Portuguesa todos os anos.

Para além disso, Passos Coelho ainda disse que o mesmo programa apenas servia para “certificar a ignorância”.
Pessoalmente, tenho outra visão. Este é um programa de sucesso e que tem cumprido o seu principal objectivo de promover a generalização do nível secundário como qualificação mínima da população portuguesa.

Muitos têm sido os elogios a este programa. A OCDE e a própria UNESCO valorizam positivamente o mesmo e as suas modalidades de qualificação segundo dois eixos de intervenção: jovens e população adulta.

Enquanto uns apenas falam em cultura de aprendizagem e na necessidade de qualificação dos portugueses, outros executam tudo isso no terreno.

Em 2005, houve a coragem de encarar esse desafio.
Houve a coragem de proceder a uma reforma que se irá reflectir no crescimento económico e na coesão social.
Houve a vontade de possibilitar aos jovens uma nova oportunidade fazendo do ensino profissionalizante de nível secundário uma opção real, e de possibilitar a adultos uma nova oportunidade de completar e progredir nos seus estudos (existem cerca de 450 Centros Novas Oportunidades e cerca de 200 deles em escolas dos ensinos básico e secundário).
Houve ainda a coragem e o esforço dos portugueses em todo este processo. Desde 2006, cerca de 1,5 milhões inscreveram-se, 520 mil foram certificados com diplomas referentes aos níveis de 9º e 12º anos e 380 mil foram certificados em formações de mais curta duração.

Se Passos Coelho quiser debater políticas e reformas na educação, vamos a isso. O PS não vira a cara e assume o seu património político nessa área, lembrando a construção dos 600 centros escolares, a modernização de 400 escolas, o pré-escolar para todos, a generalização do ensino do inglês, a distribuição de 1 milhão e 700 mil computadores e o Programa Novas Oportunidades. Não esquecemos também o sistema de ensino para ricos e outro para pobres que o PSD preconiza, através do fim da Escola Pública.

Passos Coelho adora falar como se fosse Primeiro-Ministro sem ir a eleições, com vários rasgos de arrogância.

Só para avisar: os portugueses não gostam disso. E muito menos de quem semeia desconfianças e suspeitas, como aconteceu com a leviandade demonstrada na abordagem ao programa “Novas Oportunidades”.

Em vez de apresentarem soluções ou medidas para melhorar, só avançam com críticas.

Serão julgados por oportunismo e demagogia.


Artigo publicado em "Farol da nossa Terra", "Viseu Mais" e "Jornal do Centro".

The A-Team Legislativas 2011



Caros leitores e amigos, permitam-me que hoje opte por um post um pouco diferente do habitual. Após assistir ontem ao debate entre Francisco Louçã e Passos Coelho, realizei um zapping pelos diferentes canais, tendo surgido num deles esta série lendária que foi exibida nos anos 80 em Portugal. Dado tratar-se do final do dia, em que o cansaço acumulado é mais que muito e a lucidez mais reduzida, fui assaltado por este pensamento estapafúrdio de criar uma nova “A-Team”, com os candidatos às eleições, mantendo as características dos personagens originais. Terá isto alguma lógica? Vejamos:

- Hannibal Sócrates: O estratega da equipa. Grande capacidade de liderança e de tomada de decisões. Inteligente e excelente a discursar de improviso, tem dotes de actor. Este personagem destaca-se dos demais como verdadeiro líder da equipa.

- B.A. Passos Coelho: O mais africano da equipa. Destaca-se mais pela força e vontade, do que pela inteligência e estratégia. Não se lhe conhece capacidade de liderança, preferindo ir sempre a reboque do líder Hannibal. Se vivesse em Portugal, certamente seria para os lados de Massamá.

- Faceman Portas: O mestre do disfarce. De feirante a Primeiro-Ministro, a versatilidade deste homem não conhece limites. Gosta de andar sempre bem vestido e de conduzir bons carros. Dotado de uma inteligência assinalável, é um mestre do embuste e assume-se como o membro da equipa que consegue enganar qualquer um. É frequente vê-lo com fatos caros e lenço ao pescoço.

- Murdock Louçã: O mais alucinado da equipa. Inteligente e com grande capacidade de improvisar nas situações mais complicadas, é constantemente afectado por pensamentos descontextualizados com a realidade. Está frequentemente internado num hospital psiquiátrico, dadas as suas constantes alucinações. Consegue nos seus raros momentos de lucidez, dar importantes contributos à equipa.


O presente post não pretende ofender nenhum dos visados, tendo como único objectivo proporcionar um breve momento de humor e boa disposição, quebrando um pouco o ambiente inflamado que se vive nesta pré-campanha eleitoral. Até daqui a 15 dias.

Comédia à vista!!

É já no próximo dia 22 de Maio que começa oficialmente a campanha eleitoral, apesar de já há muito estarmos em campanha. Sendo assim, e antes de entrarmos na derradeira ponta final é importante reflectir no que se tem passado até agora, principalmente sobre aquele em quem muitos depositavam a sua confiança – Pedro Passos Coelho.

O maior partido da oposição, o PPD/PSD, que entrou com grandes expectativas, tem vindo a perder fulgor a um ritmo vertiginoso. E porquê? Porque Pedro Passos Coelho não soube ter o partido unido, não soube ser convincente, não foi capaz de fazer uma oposição responsável, e acima de tudo não conseguiu estar preparado para ser candidato, quanto mais para ser Primeiro-Ministro.

Primeiro foram os antigos líderes como Manuela Ferreira, Marques Mendes, ou vultos importantes como António Capucho a recusarem integrar as listas de deputados. Além disso, crónicos sociais-democratas como Pacheco Pereira, e outros, foram afastados porque não seguiram a linha do líder (aqui se vê a grande pluralidade de PPC).

Não soube ser convincente e fazer uma oposição responsável, porque faz declarações sobre uma medida, para em seguida dizer o contrário, acabando por as apresentar no seu programa eleitoral conforme as tinha apresentado inicialmente (caso do IVA).Afinal em ponto ficamos? Será que agora as irá desmentir outra vez? Mas o mais lamentável é ter-se deixado enredar nas intrigas do seu partido, e nos lobbies dos seus “Barões”, em vez de se ter preocupado com o real interesse do país, como foi o caso do chumbo do PEC IV – só o desfavorece o facto de se ter descoberto que inviabilizou o PEC IV porque um conselheiro lhe disse “ ou há eleições no País ou no Partido”.

Não está preparado para ser candidato (apesar de o ser) já que convoca o “Mais Sociedade” para em seguida arrumar na gaveta as suas sugestões, porque fala mas nada diz, e mais flagrante, porque confunde IRS com IVA!


É certo que José Sócrates não é perfeito (ninguém o é), e cometeu os seus erros, mas deu mostras que é uma pessoa obstinada e de convicções. Numa altura tão complicada, em que Eduardo Catroga, o responsável do PSD por negociar com a troika, diz que vai de férias até às eleições (será que todos os responsáveis do PSD vão passar a ir de férias quando se virem acossados, ou não tiverem respostas para os problemas que se avizinham), José Sócrates demonstra ser o único capaz de enfrentar os próximos tempos.


Os grandes debates fortalecem a Democracia: António Arnaut em Viseu...


É preciso promover a ressonância…

Todos sabemos que Portugal está a viver uma crise devastadora. Todos, dia após dia, sabemos que se avizinham novos e sérios sacrifícios, novas exigências. A nós portugueses, quer tenhamos andado a viver acima das nossas posses (como afirmam os mais sábios e endinheirados), quer tenhamos sido mais cautelosos e até feito algumas poupanças, a todos, sobretudo àqueles cujo ordenado é gerido mensalmente até ao “milímetro”, vai ser exigida a gestão até ao “micrómetro”.


Não está em causa compreendermos o contexto internacional desta crise. Mas, certamente, queremos identificar e chamar pelo nome aqueles que nos conduziram, a passos largos, pela sede de poder, para o que estamos hoje a viver. Era sobejamente conhecida, por parte de todos os que ocupam lugares de liderança política, desde o Chefe de Estado até aos restantes líderes partidários, com especial relevância ao maior partido da oposição, a difícil situação económica. O primeiro, preferiu não fazer parte da solução, aliás, fico expectável face aos que relevam o seu uso da Palavra aquando da tomada de posse, claramente comprometedor e inviabilizador de quaisquer pontes ou compromissos. Também os segundos, no Parlamento, a reboque e num contexto oportunista, absolutamente leviano (de “Maria vai com as outras…”), apesar de estarem conscientes do risco, dos seus impactos, quer na nossa economia, quer na imagem externa para os mercados internacionais, optaram, numa conjuntura de “coligação” negativa, pelo chumbo do PEC IV. Logo na hora em que Portugal mais precisava de estar a uma só voz – num movimento positivo de ressonância - em que tinha de prestar contas à UE, em que tinha de fazer o ponto de situação e, subsequentemente, de projectar os próximos tempos com a apresentação de propostas que nos permitissem atingir os objectivos traçados: travar a crise. Os portugueses viram o Primeiro-ministro e o PS empenhados a explicar a emergência da aprovação do PEC IV. Os portugueses perceberam o sentido de oportunidade e de responsabilidade. Os portugueses viram um Parlamento e uma oposição a chumbá-lo. E fizeram e farão o seu juízo.


Sejamos, pois, claros. De que falamos? Claramente de uma oposição sôfrega de poder, cujos riscos mal calculados, apoiados em omissões convenientes, em alianças puramente eleitoralistas, nos lançaram para este cenário preocupante, vivido pela larga maioria dos portugueses com nítida apreensão: o pedido de ajuda externa e a entrada do FMI!


Foi neste clima de elevada tensão e de especulação maciça, geradora de dissonância com o único objectivo de minar sentimentos de pessimismo e de insegurança, disseminada por alguns órgãos de comunicação social, que o governo negociou. E negociou bem. Apesar de emergirem um conjunto de medidas difíceis ficou evidente que o governo negociou com empenho, com realismo e, ao contrário da oposição, com o trabalho de casa bem feito.



E agora? Agora que se conhece o Acordo estabelecido com a “troika”, é preciso que o PS vá mais longe. É preciso semear confiança e apostar em teias de compromisso. Os portugueses precisam de ver o PS rodear-se dos melhores profissionais. De políticos competentes, com níveis de desempenho reais. De políticos eleitos tendo por base critérios como o mérito, o desempenho e a experiência reconhecida nas suas organizações de origem. De políticos dispostos – também eles – a fazerem sacrifícios, a reduzirem mordomias, com visível vontade de servir Portugal, com empenho e eficácia. É preciso credibilizar o exercício da política, e, este, é o momento oportuno de fazê-lo! Sobretudo porque exercer política terá de significar cumprir com zelo, com seriedade e competência o programa de apoio negociado com a “troika”. O momento é de elevada exigência e impõe-se o alcance de resultados reais, de acordo com as metas estabelecidas. É preciso promover a ressonância… Para que os portugueses – também eles - dêem mais um passo… E transportem consigo níveis mais elevados de competência, de autodomínio e de responsabilidade pessoal e colectiva.

Passos Coelho em Contradições II

Passos Coelho em Contradições I

São voltas e voltas!



O bom que tem escrevinhar prosa mal conseguida quinzenalmente é que em quinze dias o mundo dá tantas voltas como uma montanha russa fora de controlo da Feira de S.Mateus…

Há 15 dias tínhamos o País num frenético exercício de especulação sobre as medidas da dita Troika (os 3 mosqueteiros da UE-BCE-FMI). Depois de uma medida e a sua contrária terem sido noticiadas em tudo o que fosse meio de comunicação social, mesmo nos ditos “de referência” e cheios de “fontes oficiais”, numa corrida contra o tempo para quem melhor se conseguia posicionar a anunciar o fim da civilização conforme a conhecemos, temos primeiro as não medidas anunciadas pelo PM, e depois as medidas anunciadas e explicadas pelo Sôtor Teixeira dos Santos e pelos 3 Mosqueteiros. E parece que Portugal veio abaixo com o alívio de afinal as medidas não serem as mais temidas. Pois pudera, depois de nos terem encostado à cruz parece que afinal já não vamos ser pregados mas atados com cordas. O que convenhamos é sempre mais agradável; isso dos pregos não deve ser nada aconselhável. Fomos então ao Céu, depois de termos comprado bilhete para o Inferno. Seria aconselhável metermos na cabeça que o purgatório é mesmo o que nos espera durante uma temporada, se tudo correr pelo melhor.

* * * *

Num tom mais sério: a situação está a asfixiar a economia e as empresas, e se queremos sair disto há que tomar medidas que tenham impacto imediato na vida da economia real, no dia a dia, no deve e haver das empresas.

Fala-se muito que é necessário aumentar as exportações! Que as exportações são o grande desígnio nacional, que se tudo mantiver o ritmo dos primeiros quatro meses do ano vai-se a ver e ainda pregamos uma surpresa aos mercados com uma boa performance (já nem digo de crescimento económico, mas de menor baixa do PIB do que o perspectivado), que os exportadores são os heróis da década, etc,etc. E que tal oferecer condições às empresas exportadoras para que possam manter e aumentar a actividade? Que incentivos há para quem exporta, seja lá o que for?

Falamos muito de tecnologia, de inovação, e de mais duas ou três palavras interessantes. Mas a realidade não pode esperar que consigamos exportar mais e melhor, com mais valor acrescentado, enquanto nos gabinetes de Lisboa os burocratas partidários se ocupam a discutir o sexo dos anjos e a inventar novas burocracias (naquele vídeo dedicado à Finlândia esqueceram-se de referir que a burocracia parva e inútil tem direitos de autor em Lisboa), milhares de empresas que todos os dias produzem bens transaccionáveis estão asfixiadas por uma banca que fechou a torneira, por um Estado que cobra o que as empresas ainda não receberam, que devolve o IVA tarde e más horas, que paga pior que o pior cliente que alguém possa ter.

Podemos fazer grandes urras às exportações. Mas se rapidamente não se criam condições e incentivos que aliviem a tesouraria das empresas, vamos ter os heróis da década a fechar um a um, e aí meus caros, não há 3 mosqueteiros que nos salvem. Se não soubermos cuidar e apoiar o nosso tecido empresarial, eu que tenho fraca relação com a religião, terei que rever isso, porque aí só mesmo Deus nos pode ajudar e já não há volta a dar….

Divirtam-se (sim, há que manter a boa disposição que tristezas não pagam dívidas…pelo menos a externa!)

Conferência "Novos Horizontes" | António Arnaut: "Os desafios do Serviço Nacional de Saúde"



Bin laden: Fez-se Justiça?

“Fez-se Justiça”
(Barack Obama)
“O êxito desta missão, que culmina uma longa operação de quase uma década, exprime a determinação do povo americano e seus aliados em combater o terrorismo e o fanatismo, que tantas vítimas inocentes têm provocado”
(Luís Amado, Ministro Português dos Negócios Estrangeiros )

           No 11 de Setembro, quando vi a imagem de um primeiro avião a embater contra uma Torre do World Trade Center, pensei que tudo não passara de um acidente de aviação. Mais do que pensar, quis acreditar que assim fosse. Depois, com o segundo embate, estarreci. Como era possível alguém atacar alvos civis e indefesos de uma forma tão grotesca e, simultaneamente, cobarde? Nenhum credo ou instinto de vingança justifica a perda de vidas humanas.
        Como resposta a estes ataques, sob a liderança de George W. Bush e como parte de uma estratégia global de combate ao terrorismo, os Estados Unidos encetaram a denominada "Guerra ao Terror", cujos principais alvos foram os movimentos ou grupos “terroristas” e os Estados que os acolhiam e/ou de qualquer forma os suportavam.
No início do mês de Maio, depois de duas guerras sangrentas no Afeganistão e no Iraque, depois de 150.000 mortes e de se ter gasto mais de um trilião de dólares, foi “finalmente” morto Bin Laden, o líder da al-Qaeda.
Sucede que, ao contrário de muitos (talvez até da maioria), não me consigo associar aos festejos. Desde logo, porque não acho que a morte de Bin Laden seja uma vitória tão significativa. Depois, porque não considero que se tenha feito justiça. Vamos por partes
Em primeiro lugar, é consabido que a Al-Qaeda é hoje uma organização que definha em termos de seguidores, recursos financeiros e de capacidade para organizar acções contra os seus “inimigos”. Por exemplo, recentes estudos indicam que na Palestina a confiança da população em Bin Laden caiu de 72% em 2003 para 34% em 2011, sendo que na Jordânia essa quebra de confiança foi de 56% para 13%. Aliás, a própria reacção do mundo islâmico à morte de Bin Laden é a prova do seu enfraquecimento: houve mais indiferença do que lamentação, muito menos revolta. O terrorismo de Bin Laden vinha sendo progressivamente destronado, não tanto pela força das balas, mas  pela luz e magia de sucessivas “Praças Tahrir”.

Em segundo lugar, a Al-Qaeda não assenta numa estrutura piramidal cuja cúpula seja A, B, C, ou Bin Laden. Pelo contrário, é uma estrutura dispersa em múltiplas “células”, que assenta mais em responsabilidades directas dos seus membros, do que em “cúpulas” organizacionais. Aliás, é difícil compreender como é que um homem ou um pequeno grupo a viver nos arredores de Islamabad, sem telefone e sem internet (de acordo com as notícias entrentanto difundidas), poderia veicular uma mensagem para o “universo” dos seus seguidores e, mais difícil ainda, como os poderia “comandar”. Por isso, cumpre ter a clarividência de perceber que não é por morrer um homem que morre uma causa e que muito menos assim será no universo do fundamentalismo. Perante isto, terá sido a morte de Bin Laden uma vitória tão significativa?
Em terceiro e último lugar, entendo que a morte não é, em nenhum tempo e lugar, sinónimo de justiça, nem muito menos de êxito. Concordo com Ana Gomes quando escreveu no blog “Causa Nossa”: Justiça só poderia haver com Bin Laden capturado, vivo e julgado. Morrer assim, sem ser confrontado com os seus tenebrosos crimes, foi fácil demais, poupou-o.”
Artigo publicado no Diário de Viseu

Falso Alarme…

Os alarmes sociais que a comunicação social difundiu ao longo das últimas semanas estavam bem distantes das medidas agora conhecidas…

Depois das declarações do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças, os Portugueses ficaram a saber que, a final, a maior parte das notícias diariamente plantadas na comunicação social, nomeadamente sobre o décimo terceiro e décimo quatro mês, não passavam de puras mentiras.

O valor do salário mínimo manter-se-á e, possivelmente, será actualizado. As pensões e reformas mais penalizadas são somente as que já constavam do PEC IV: as superiores a mil e quinhentos euros. Mais um FALSO ALARME…

Por sua vez, apenas se manterá a estrutura do Estado Social, tal como a conhecemos, se o PS ganhar no dia 5 de Junho: Serviço Nacional de Saúde, Escola Pública e Segurança Social. Manutenção da carga humanista que os nossos constituintes introduziram na CRP, em 1976. Manutenção do conceito de justa causa nos despedimentos.

Aliás, foi visível a aflição de Eduardo Catroga na conferência de imprensa onde não consegui explicar as propostas e alternativas do PSD, nem muito menos conseguiu explicar o porquê do chumbo do PEC IV.

Por sua vez, cumpre sublinhar que as alterações nas metas do défice foram impostas pelo Fundo Monetário Internacional, e não pelo facto do PSD se ter batido por elas. Os portugueses são um povo atento e jamais se deixarão tomar por parvos.

Dentro dos constrangimentos com que os Portugueses hoje vivem, os resultados alcançados constituem uma vitória, não do Governo, mas do País…uma vitória de todos nós.

Claro que há muito caminho a percorrer, nomeadamente através de uma adequada monitorização na aplicação das medidas de assistência financeira.

Ficamos à espera do que o PSD e o CDS/PP irão fazer. Depois de tantos falsos alarmes, é tempo de deitar mãos à obra.

O ACORDO ENTRE PORTUGAL_FMI/BCE/UE (I): AJUDA AO SECTOR BANCÁRIO

Escrevo na quarta-feira de manhã. Acabei de ler o Memorando do Acordo entre o Governo Português, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a União Europeia (UE). As primeiras impressões com que fico são as de que a proposta é ambiciosa e exigente num quadro temporal de aplicação entre Julho de 2011 e Junho de 2014. As medidas tocam em áreas muito sensíveis da governação e, sendo executadas na integra, podem alterar muito significativamente o perfil do país em particular o sector público e administrativo. Áreas como o sistema nacional de saúde, a educação, o sistema judicial, os transportes, as telecomunicações e a energia são entendidas como prioritárias. Disso darei conta em futuras análises.

Permitam-me que hoje analise apenas a ajuda prevista ao Sector Financeiro (Banca e Seguros) por entender ser este o fulcro da questão de toda a Ajuda Externa ao País: Os FMI/BCE/EU só vieram para Portugal quando a Banca exigiu ao Governo que tal acontecesse. Esta exigência tornou-se uma “urgência” a partir do momento em que as perdas de activos dos grandes bancos se tornariam catastróficas com as descidas do ranking da dívida pública contabilizadas nos seus balanços.


A questão que interessa perceber é esta: todos conhecemos os lucros fabulosos que a banca tem mantido em Portugal ao longo dos anos, fruto de uma fiscalidade benevolente resultado da captura conseguida pela corporação dos sucessivos governos e da classe política a eles associada. O sector bancário paga em média e em termos relativos menos impostos que qualquer mercearia de bairro neste país.


No meu entender esta questão tem enorme pertinência na sociedade portuguesa uma vez que a banca está presente no dia-a-dia de todos: Famílias, Empresas e Estado. E ao longo dos anos a Banca tem usurpado de forma altamente condenável o bem-estar social de toda a colectividade, através da aplicação de comissões bancárias elevadíssimas, de taxas de juro desmesuradas, de uma concertação de preços condenável e de práticas comerciais altamente lesivas dos interesses dos seus clientes, como era o caso dos incentivos ao crédito ao consumo. Numa palavra, se há responsáveis pelo buraco a que “isto” chegou, o Sector Bancário é de certeza um deles.


Dai que me interrogue seriamente ao verificar que do total dos 78 mil milhões que o FMI/BCE/UE irão emprestar, 12 mil milhões - mais de 15% do total, se destinará a apoiar este sector. É lamentável percebermos que quando falamos dos lucros gigantescos da Banca estes apenas digam respeito aos seus accionistas privados e que estes devem merecer um tratamento fiscal de preferência. Mas quando falamos de ajudas para “tapar buracos” nos balanços do sector isso já diga respeito ao colectivo da sociedade portuguesa e de todos aqueles que pagam impostos neste país.

Vergonha é a palavra que me ocorre dizer.

Alexandre Azevedo Pinto,
Economista