Tirar as palas, reconhecer os erros e ganhar com jogo limpo... A utopia de um preocupado.


A alarmante escalada da temperatura do debate politico manifesta uma profunda falta de ajustamento com a realidade e com a difícil tarefa que qualquer partido vai ter no futuro.

Estamos excessivamente endividados, numa economia estagnada e a correr sérios riscos de cair em descrédito pelas instituições europeias, e mais grave que isso, no Mundo.

A nós como Portugueses calha-nos a triste tarefa de ter que eleger uma das opções disponíveis para governar e esperar que delas venha de facto um futuro mais promissor.

Com tudo isto e perante a ilusão democrática que cada vez mais nos é imposta, seja pela Europa seja por eventuais sistemas e órgãos de decisão que manipulam e convertem quem querem e como querem, falta perceber que destino nos resta.

A partidarite (ou clubite) são meramente acessórias. Aquilo que verdadeiramente importa é a responsabilização do acto eleitoral que terá de recair sobre todos, apelando a um sentido de unidade e de sentido de estado.

A resignação nunca fará parte da solução a menos que o fundo já seja irreversível!

Um cenário caótico para o país já vai bem longe de ser evitado e o PS tem claramente que perceber o que quer fazer destas eleições.

Lutar pela re-eleição deve ser uma prioridade mas com um discurso centrado nos actos de governação anteriores, reconhecendo onde errou e como vai resolver e emendar o que fez de menos bom. Responsabilizar os outros é demasiado simplista para ganhar votos e apesar de se saber que há muito que o Eng. José Sócrates deixou de se centrar nas elites, porque não são elas que elegem governos, é importante transmitir uma imagem de solidez e convicção com um suporte prático e eficaz como plano de fundo, do que uma versão plástica que se traduza na venda de um “produto” em detrimento de um projecto.

O mesmo se passa do lado da oposição. Emaranhados num espírito de curto-prazo, quiseram eleições mais cedo e com isso, do ponto de vista táctico abrem uma brecha que será necessariamente utilizada. O PCP e o BE falam em coligação, o CDS a jogo para ver com quem calha no governo e o PSD que colocou “a carroça à frente dos bois” em nome individual de PPC pressionado por um partido que mais parece um conjunto de facções separatistas a lutarem por poder.

Com isto, independentemente de quem lá chegar, as reformas aprovadas serão as mesmas em bom nome dos “senhores das siglas” que podem ditar o FIM de uma classe média.

A forma como se irá inverter a situação será sempre às nossas custas e no meio de tudo isso, resta-nos apenas tentar arranjar uma forma de “tirar o cavalo da chuva”.

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