O canto do cisne


O PSD, por Eduardo Catroga acaba de tirar mais um coelho da cartola, afirmando que os jovens deviam processar o Governo e que o Eng. José Sócrates devia ser levado a Tribunal.

Ora muita gente não compreende esta afirmação, no entanto eu dou o benefício da dúvida. Certamente que o Sr. Catroga, fruto das suas múltiplas pensões e vencimentos que acumula, deve ter andado a viajar por esse mundo fora estando alheado da realidade nacional. Sim, porque ao que consta o Sr. Catroga recebe uma pensão milionária da CGA, é administrador da SAPEC e da NUTRINVEST, sendo ainda professor do ISEG a tempo parcial 0%, seja lá o que isso quer dizer...

Tendo eu um profundo respeito pelo Sr. Catroga, que tão bem tratou as Universidades portuguesas, aquando era ministro das finanças, proponho-me a tentar em três penadas coloca-lo a par dos últimos desenvolvimento da politica Lusa.

Assim, tendo em conta a história política recente, em que um Governo é nomeado pelo Presidente da República em Outubro de 2009, após ouvir a Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais, o Eng. José Sócrates é reconduzido ao cargo de Primeiro Ministro. Faço esta pequena resenha histórica porque parece que algumas pessoas, querem agora fazer crer que o Governo não tinha legitimidade nem condições para cumprir o mandato que lhe foi conferido ou que os Portugueses fizeram nomear um compatriota totalmente desconhecido, esquecendo-se que José Sócrates foi renomeado, tendo previamente cumprido um mandato de quatro anos.

Mas prossigamos...

Tal como esperado, tudo ia bem no reino da Dinamarca, enquanto os partidos se debatiam quer em eleições internas quer em eleições autárquicas e presidenciais, que, pasme-se, estas últimas redundaram na reeleição do Prof. Cavaco Silva. E eu digo pasme-se, porque pese embora , este diga que não é politico, estamos a falar de alguém que entre os lugares de Ministro das Finanças, Primeiro Ministro e Presidente da República leva 17 anos na liderança dos destinos do nosso pais mantendo sempre por perto o Sr. Catroga e restante entourage.

Certo é que após este frenesim eleitoral, o Bloco de Esquerda apressou-se a apresentar em Fevereiro de 2011 uma moção de censura ao governo, tendo em vista o seu derrube. Esta moção, foi rejeitada pelo PS, PSD e PP. Ou seja, Pedro Passos Coelho teve a oportunidade de em Fevereiro de 2011 precipitar o pais para eleições... Mas não o fez. Eu creditava, à altura, que não o teria feito porque tinha colocado o interesse nacional acima do interesse do próprio partido. Posição esta que seria de louvar!

Aliás, confesso que face à situação difícil que o pais atravessava, e à confortável vantagem que o PSD tinha nas sondagens, considerei que Pedro Passos Coelho poderia ser uma alternativa credível a José Sócrates e que poderia desempenhar o cargo de Primeiro Ministro com , pelo menos, sentido de Estado o que já não é pedir pouco, atento à pobreza de políticos que o PSD nos tem vindo a habituar.

Ora tendo em conta a posição assumida por Pedro Passos Coelho em Fevereiro, eu e acho que todos os portugueses, ainda não conseguimos perceber o porquê de um mês após ter salvo o Governo, veio de forma absolutamente irresponsável provocar a sua queda.

Assim de repente, e fazendo uma análise simplista, Pedro Passos Coelho num espaço de um mês impede a queda do Governo para de seguida chumbar o PEC IV entregando o país numa bandeja de prata às mãos do FMI.

E por favor, não venham dizer que era inevitável, porque a ser verdade, desde logo o Eng. José Sócrates não seria recandidato a Primeiro Ministro (a não ser tenho alguma admiração pelas obras literárias do Marques de Sade) e o PSD preferiria cozinhar o Eng. Sócrates, bem como o PS, em lume brando, ao ponto de ser o Governo a pedir ajuda externa, ilibando assim o PSD que, obviamente, se demitira de qualquer responsabilidade pelo sucedido

Como se não bastasse esta traição à nação, esta tentativa de assalto ao pote, para que não restassem dúvidas sobre a competência e a honestidade politica de Pedro Passos Coelho, constata-se neste clima de pré campanha que o PSD não tem uma ideia para o pais, fazendo uma campanha populista vazia de conteúdo e agora desesperada.

Só assim se percebe que Miguel Sousa Tavares (anti Socrático confesso) escreva na sua crónica semanal do expresso que “Passos Coelho não tem ideias, nem programa nem equipa para governar Portugal”.
E só assim se percebe que Eduardo Catroga, responsável pela elaboração do programa de governo do PSD, venha agora num estilo, no mínimo a roçar a parvoíce, proferir o canto do cisne...

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