Estado de coisas

Há quem faça tudo para defender o país.
Há quem seja corajoso na implementação de reformas necessárias, mas sempre difíceis de implementar em Portugal.
Há quem lute por cumprir as metas prometidas no Orçamento.
Há quem realce a importância da aprovação do PEC IV no sentido de impedir um apoio externo como o que foi dado aos gregos e irlandeses.
Há quem lute contra o pedido de resgate e a intervenção do FMI, trabalhando noutra solução.
Há quem trabalhe no sentido de assegurar o financiamento da economia.

Por outro lado, há quem não tenha sentido de Estado e prefira bloquear a acção governativa a todo o custo.
Há quem entre em contradições nas justificações de recusa do PEC.
Há quem defenda coisas opostas dependendo do local ou da língua em que fala.
Há quem minta em relação à transferência de fundos europeus de uns sectores para outros.
Há quem minta em relação às alterações nos impostos indirectos, ignorando as suas características injustas e regressivas.
Há quem se apresse em ser populista aprovando revogações de decretos para conquistar eleitores.
Há quem deseje a entrada do FMI e tente fazer um paralelismo falacioso com as medidas já postas em práticas.
Há quem queira um país afundado com o FMI para ter condições de impor as suas propostas e reformas liberais.

Como diz António Costa, as crises políticas têm uma vantagem em relação às catástrofes naturais: são evitáveis.
O maior partido da oposição não se importou com isso e também não quis negociar ou apresentar alternativas no seu projecto de resolução, aproveitando a onda do discurso de tomada de posse de Cavaco Silva que marcou claramente este novo ciclo da vida política.
O que é um facto é que o PSD não está preparado para governar e o que queria era derrubar Sócrates e o Governo, independentemente dos custos financeiros, económicos e sociais.
Também se percebe facilmente que desejam um país afundado e com o seu querido FMI (apesar de não quererem ser eles a fazer esse pedido de resgate), e por isso, este era o momento de provocar eleições antecipadas. Só assim poderão pensar em pôr em prática as suas medidas de desmantelamento do Estado Social, com reformas claramente liberais e com a revisão constitucional com os objectivos já conhecidos.
A escolha deste momento também esteve relacionada com o constante combate mediático, o qual tem levado Passos Coelho a aparecer muitas vezes, conduzindo inevitavelmente ao seu desgaste e à prova da sua incapacidade para governar.
Agora tem surgido ainda a tentativa de mostrar que as medidas do FMI serão semelhantes às que já estão a ser impostas. Tentativa falhada! Os portugueses sabem bem que a dimensão da austeridade seria completamente diferente e que iriam ser tomadas novas medidas porventura com soluções “carrapatosas” para o défice. Como diz Lula da Silva, “O FMI cria mais problemas do que soluções”.
Portugal e os portugueses ficam então esquecidos pelo PSD, o qual optou pelo oportunismo político e pela total irresponsabilidade numa altura em que o Governo trabalhava noutras soluções sem o impacto terrível da entrada do FMI.
Apesar de tudo isto, um partido com um património político inegável como é o PS nunca teme eleições, e neste sentido é fundamental desvendar as intenções do PSD, as suas propostas e a sua matriz e agenda ideológicas com a palavra de ordem “privatizar”.
Os portugueses já se apercebem disso, e conhecem cada vez melhor as diferenças entre os dois maiores partidos portugueses.
Este é o actual momento político. Em 2 meses muda muita coisa. Confiemos nos portugueses.

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