É tempo de separar o trigo do joio…

Sou funcionária pública, mais concretamente profissional de educação. Há muitos anos que vejo a política nacional debater-se com a velha questão dos benefícios dos funcionários públicos. Falo por mim e, atrevo-me a dizer, por uns quantos que (creio firmemente) pensam como eu. Uma maioria muito significativa que, diariamente, na escola exerce a sua profissão com zelo, com qualidade e com elevação, sem qualquer receio dos processos de avaliação aos mais diferentes níveis – individual e organizacional. Uma profissão que assenta na arte de PROJECTAR, de PLANIFICAR, para melhor ENSINAR, INTERVIR e EDUCAR. Assenta, ainda, na arte de ENVOLVER e de promover a INCLUSÃO e a PARTICIPAÇÃO numa ESCOLA A TEMPO INTEIRO e PARA TODOS.

Já todos percebemos que vamos ter de continuar a dar O NOSSO MELHOR, com benefícios mais reduzidos. Já todos ouvimos e interiorizámos o apelo de que vencer a crise passa também pela capacidade de cada um elevar o seu nível de desempenho, com eficácia, com aumento da produtividade. Aliás, a nossa prática docente já reflecte essa preocupação, na medida em estabelecemos metas, avaliamos os percursos e os saberes e analisamos os resultados, por nível de educação e de ensino. Uma tarefa árdua e exigente para quem tem por finalidade promover aprendizagens e a aquisição de competências, conhecidos que são os perfis de competências em final de ciclo ou de curso.


Estamos e estaremos à altura de agir de forma compatível com a exigência que se pretende no momento. Sempre soubemos. Mesmo em tempos de evidente discórdia. Diria mesmo que está fora de discussão a defesa da diminuição ou extinção das tolerâncias de ponto, de pontes e de feriados. Diria também que não está em causa perceber, entre outras medidas, a emergência da alteração da idade da reforma e que, provavelmente dos 65 anos saltemos para os 68 (excluindo os custos que isso acarretará para as gerações mais jovens!). Medidas duras em face de uma crise que uns tantos – por Nós bem identificados - agudizaram.



O momento é, AGORA, de grande exigência: distinguir o trigo do joio! Importa reflectirmos com coerência e com o discernimento necessários num momento em que Portugal e os portugueses esperam que sejamos capazes de, em conjunto, fazer parte da solução!




A indefinição política não é boa para ninguém. Até ao dia 5 de Junho precisamos de conhecer profundamente o Programa dos que se apresentam disponíveis para governar. É tempo de tomar decisões e assumi-las. Precisamos que o uso da Palavra não assente em demagogias, em populismos ou em medidas eleitoralistas. Ou julgam que os portugueses não conseguem separar o trigo do joio? Coloco a questão de forma mais concreta, ou julgam que os profissionais de educação não estão convictos de que a intenção de travar a avaliação de desempenho docente não foi mais do que uma medida para conquistar eleitorado, sem qualquer respeito pelo processo em curso? Falo, com conhecimento de causa, do empenhamento sério e rigoroso das Escolas, dos Avaliadores e dos Avaliados. O que dizer dos professores que requereram observação de aulas, que dispuseram do seu tempo e investimento pessoal para evidenciar boas práticas? O que dizer do número de horas investido na distribuição do serviço docente lectivo e não lectivo das escolas? O que fazer com os professores contratados que para se apresentarem como candidatos aos próximos concursos ou para ver renovado o seu contrato necessitarão dos resultados da avaliação? O que dizer desta falta de respeito por um Programa de um Governo, aprovado, anteriormente e em tempo oportuno, no Parlamento? Quando é que paramos de agir desta forma inconsequente de absoluto desrespeito pelas decisões tomadas em sede própria?


Sejamos, pois, capazes de assumir que não nos é difícil distinguir o trigo do joio, a verdade da mentira, quem trabalha para construir de quem obstaculiza para denegrir e destruir. E… Perceber, também, quem se ausenta ou quem fica em silêncio… por conveniência…


Para mim, é-me fácil separar o trigo do joio!

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