CENTRO HISTÓRICO DE VISEU : UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICAS MUNICIPAIS

Ao longo dos últimos meses é notória a avalanche construtora no Centro Histórico de Viseu. Não admira que o centro das atenções dos construtores se tenha agora voltado para esta área central da cidade em face da crescente perda nas vendas registada nas zonas peri-urbanas, muitas delas já completamente saturadas.A quantidade de habitação nova devoluta nessas zonas é hoje muito significativa e esse é um dos sinais mais fortes da crise do modelo de desenvolvimento sobre o qual a cidade assentou ao longo da última década.


No inicio do mês de Dezembro assisti a uma Conferência Exposição sobre Reabilitação de Centros Históricos que o Município de Viseu e a Universidade Católica promoveram no âmbito do Programa de Parcerias para a Regeneração Urbana, no caso o Centro Urbano de Viseu. Do programa apenas assisti á conferência inaugural de Juan González, da Direcção-Geral do Património Cultural da região espanhola de Castela e Leão e á conferência de apresentação do Guia para a Reabilitação do Centro Histórico de Viseu desenvolvido pela equipa do curso de Arquitectura da Universidade Católica de Viseu. Este Guia é no meu entender um trabalho muito fraco, com propostas avulsas sobre construção e reabilitação, uma perspectiva demasiado tecnicista e impessoal que mais me parece um Plano de Obra. As questões técnicas de construção e reabilitação são obviamente importantes, sobretudo no sentido de moderar e regular a gula construtora e a especulação imobiliária, mas ficam muito áquem do desejável.



O problema do Centro Histórico de Viseu é um problema central da política urbana da cidade entendida como um todo. O cartão de visita de Viseu é o seu Centro Histórico. Se falharmos na sua reabilitação, recuperação e reconstrução todo o modelo de desenvolvimento da cidade entrará em colapso. Não podemos ter o coração da cidade vazio, sem alma, sem gente, sem comércio e serviços. O preço desta desertificação no processo de desenvolvimento da cidade será elevadíssimo. Este trabalho (Guia) não deixa por isso de ser uma desilusão, uma vez que mais não vem do que recuperar o anterior Programa desenvolvido pela Parque Expo apresentado pelo Município há uns anos atrás. Estes dois Planos são juntos a face da mesma moeda aonde a ideia central que lhes subjaz é apenas e só a perspectiva construtora e de empreitada.


Entendo que o Centro Histórico da Cidade de Viseu precisa de um Plano Estratégico muito mais ambicioso que seja capaz de convocar todos os cidadãos para um debate público alargado e participativo. Um Plano Estratégico que mobilize todos os actores sociais, comerciantes, moradores, proprietários, investigadores e académicos e agentes de desenvolvimento em torno de questões muito para além da simples visão do empreiteiro e da empreitada. Um verdadeiro Plano de Desenvolvimento Estratégico do Centro Histórico de Viseu que possa colocar a cidade nos roteiros de visita internacionais, como aconteceu recentemente com o Guimarães no jornal New York Times.

Alexandre Azevedo Pinto,

Economista

2 comentários:

  1. Subscrevo a sua opinião, reforçando que se realmente Viseu pretende colocar-se nos roteiros internacionais, equiparando-se a grandes centros como o que mencionou, deverá trabalhar o seu posicionamento, e alinhar a sua comunicação de forma estratégica, para tornar perceptivel a proposta de valor que abarca todo o distrito.

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  2. O programa inicial era muito diferente. Os meios eram limitados e o meu trabalho foi censurado de forma a não beliscar trabalhos anteriores, havendo a intenção de no que toca à história urbana (capítulo 4), de não se abordar ou ultrapassar os anos 30 do século XX, tendo eu ido até aos anos 60. No final o trabalho resumiu-se a um conjunto de conceitos técnicos, nos capítulos que os abordaram. A ideia base era criar um conjunto de regras a implementar a médio prazo nas obras a executar posteriormente…eu não posso falar pelos outros autores…críticas deveram ser dirigidas à CMV e, eventualmente ao coordenador do trabalho…quem encomenda condiciona a execução…agora não confunda o impossível…Guimarães foi um longo processo que durou décadas, e foi feita obra…quando nã há meios…encomendam-se estudos…muito poderia eu dizer sobre o processo, e as suas dificuldades, sobretudo no dialogo com a CMV…limito-me a dizer que não há afirmações universais…e que quem manda é a Câmara eleita por quem a elege…

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