As parcerias internacionais em Ciência e o futuro geracional


Nos últimos 5 anos foram assinados diversos acordos internacionais na área da Ciência e Ensino Superior com algumas das principais Universidades dos EUA – MIT, UTexas in Austin, CMU e Harvard Medical School. Pessoalmente, entendo que as parcerias internacionais têm três grandes objectivos: catalisar e fomentar o trabalho conjunto entre Universidades Portuguesas; acelerar a formação tecnológica de vanguarda usando as melhores escolas do Mundo em cada área; formar jovens quadros do Ensino Superior em Universidades de topo. Estes três objectivos inserem-se num objectivo político transversal de aumento da qualificação dos portugueses potenciando o que de melhor o País tem – os recursos humanos.

Há uma necessidade premente de criar dimensão nas Universidades Portuguesas. A existência dos acordos internacionais acelerou o estabelecimento de cursos de doutoramento e de projectos de investigação em parceria. Exige-se que sejam consolidados e que se mantenham e cresçam depois do fim destes programas. Este crescimento é o suporte do esforço continuado em aumentar a qualificação de ponta, algo fundamental para combater melhor os desígnios de um mundo global de base tecnológica num País com os mais baixos índices de qualificação da União Europeia. Acresce ainda que muitos destes jovens passam um período de 6 a 18 meses nas Universidades parceiras o que permite absorver a cultura científica que se vive nos grandes campus universitários americanos e permite criar laços com futuros líderes internacionais. Finalmente, jovens professores universitários são encorajados a ir para as Universidades por períodos até 6 apreendendo boas práticas e observando a forma como pedagogia e ciência coabitam em harmonia.

Sejamos agora críticos. Nem tudo correu bem nestes 5 anos, como sempre acontece. Fazer, decidir e optar implica que sejam cometidos erros que não nos devem toldar o pensamento. Os programas são bons. Devemos, enquanto cidadãos, exigir que as Universidades cooperem e reforcem essa cooperação, que usem os dinheiros públicos com total transparência, que se abram à sociedade e que esta quebre barreiras e muros que teimam em existir.

A nós que vivemos esta oportunidade, o País deve exigir que retribuamos o esforço colectivo feito em nós inovando, criando, debatendo ou esclarecendo não esquecendo quem somos e de onde viemos. As apostas feitas em pessoas são de longo prazo e os frutos serão colhidos no espaço de uma geração. Contudo, é individualmente que faremos a diferença, não sendo indiferentes e usando a qualificação como instrumento ao serviço de uma sociedade mais justa, mais próspera e mais próspera e mais desenvolvida.



João Pita
PhD Student - MIT-Portugal Program
University of Coimbra
 

Sem comentários:

Enviar um comentário