Acorda Portugal!


“Numa situação tão crítica é preciso ter confiança no Povo e esperança no futuro. Há muitas razões para isso. O que conta são as pessoas. E estas vão reagir e vencer os desafios que se nos põem. Como a União Europeia, no seu conjunto. É uma questão de tempo”.
Mário Soares

Um Povo sem esperança é um Povo derrotado. Por isso, percebo o apelo de Mário Soares. Um apelo que tem seguramente como primeiros destinatários os nossos Políticos e Governantes: Políticos a quem se exige responsabilidade, sentido de Estado e estabilidade...basta de eleições!

Portugal passa quase mais tempo em eleições (autárquicas, legislativas, presidenciais) do que a pensar e executar políticas públicas. Este frenesim eleitoral a todos prejudica. Quer dizer, a quase todos, já que algumas empresas de Marketing e Publicidade esfregam as mãos com esta azáfama…

Ora, com tantas eleições e diferentes protagonistas, o mínimo que se exigia era que existissem diagnósticos sérios sobre o estado do Estado e do País. Infelizmente, nem diagnósticos existem. Portugal vive um momento de sonolência, de inércia, desistência, resignação.

O PS remeteu-se ao silêncio. O PSD, desprovido de ideias e projecto político, cada vez que fala, só se afunda. O PCP e o BE assumem-se como os Partidos do amuo: sabem o que não querem mas, por birra (sim, por mera birra e incompreensível estratégia política), são irresponsáveis ao ponto de se recusarem a apresentar ideias à “troika”. O CDS, por sua vez, também não apresenta ideias, mas aparenta estar com “espírito de missão”. Portas “sabe muito” e, tendo noção de que o que os Portugueses querem é estabilidade, não abre, nem fecha qualquer janela futura: sabiamente, mantém todas entreabertas.

Sobra assim, neste momento de desnorte, o Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva (que dizia ir exercer uma magistratura activa). Sucede que, como é do domínio público, o ainda há bem pouco tempo aclamado “Protector da Pátria” está de férias e, ao que tudo indica, assim continuará. Quiçá à beira de uma qualquer piscina, com um “sombrero” laranja e uma bela poncha, relembrando épicas “maiorias eleitorais”.
           
Tudo isto seria cómico, se não fosse trágico. (Quase) tão trágico como na Grécia e Irlanda de 2011. Não será hora de Acordar? Parece-me evidente…É hora de pensar Portugal e, bem assim, olhar para os Países que foram alvos de intervenções e reflectir sobre o que pode e deve ser o nosso futuro colectivo…

·         Como impulsionar a economia? (no primeiro ano de “intervenção”, o PIB grego caiu 4,5%)
·        Como combater o desemprego? (estima-se que, no final do ano, na Grécia, haja 15,1% de desempregados, com particular incidência sobre os jovens).
·         Como eliminar desperdícios e optimizar o sector público?
·         Qual o caminho para combater a economia paralela e a evasão fiscal?
·         Como apoiar os mais carenciados?

"Pensar não paga imposto". Acorda Portugal!

Artigo publicado no Diário de Viseu

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