Portugal na Europa


Saindo um pouco da espuma dos dias que afectam o panorama politico nacional em que se esgrimem argumentos próprios de uma campanha eleitoral, não deixa de ser preocupante a forma como os destinos da Europa estão a ser conduzidos.

Pela primeira vez numa crise económica sem precedentes com base num sistema financeiro sem regulação, avarento e sem escrúpulos que transformou divida privada em divida publica, não se vislumbra um horizonte muito risonho para os países que fazem parte da “periferia” do velho continente. Ao mesmo tempo, ainda que seja próprio da época em que vivemos, existe uma crescente corrente neo-liberal virada cada vez mais para números e KPI’s (Key Performance Indicators) que em nada servem o futuro dos cidadãos europeus, mas que pelo contrário fomentam cada vez mais a perda de soberania dos estados membros ao mesmo tempo que incitam o Estado a ter um papel menos activo, mais ausente.

Depois de ouvir Ângela Merkel a falar sobre o que se passou em Portugal com as medidas de austeridade e a queda do actual governo e o que a FITCH fez na reavaliação do rating português no espaço de 2 horas, a mim parece-me que o País passou a ser uma empresa cotada em bolsa muito preocupada com o que pensam os seus “stakeholders” numa perspectiva de maximização de lucro ao mesmo tempo que tem os credores responsáveis pelo estado actual da arte sistematicamente a vir a público incitar ao descrédito dos governos e a situação que os países atravessam.

Face a tudo isto a Europa vê-se a braços com uma mudança de paradigma comandada por um eixo franco-alemão envolvido numa guerra monetária que em nada se preocupa com o futuro de uma Europa unida que deve caminhar para a igualdade e para a federalização.

Em vez disso assistimos a uma liderança frágil que pensa mais numa perspectiva interna e que comunga o mesmo espaço que os restantes com regras que protegem os mais fortes em detrimento dos mais fracos.

Que espaço existe para Portugal nesta mudança de paradigma? Se somos periféricos? Se existem restrições quanto a forma como devemos actuar a nível interno nos vários sectores que constituem a economia nacional o que é que pode ser feito?!

O desastre da liderança europeia está a empobrecer países como a Irlanda, a Grécia e agora Portugal com intervenções drásticas de instituições internacionais preocupadas com números e não com a realidade dos países.

A realidade é que não existem neste modelo espaço para que países como o nosso possam prosperar. As novas gerações, que hoje exigem mais igualdade mais oportunidades e mais qualidade de vida jazem no tempo à espera do impossível. A diminuição do nível de vida, associado a um aumento do desemprego vai lançar os países para um tensão social perigosa que não contribui para a serenidade e para a coragem que estes tempos exigem.

Depois de ouvir o autoritarismo da Srª Merkel, e depois de tudo o que tem sido feito para nos ajudar que é meramente da responsabilidade do ainda actual governo não me parece que com amigos “destes” precisemos de inimigos...

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