Política a Passos "de Coelho"


O descrédito das populações face aos políticos é manifesto. Escutamo-lo em conversas de café, pressentimo-lo na diminuição de novas filiações partidárias, nas correntes e manifestações apartidárias, mas o momento em que os Portugueses confessam este descrédito é nas urnas, onde a abstenção vence, invariavelmente, o partido mais votado…
O PSD insiste em dar razão aos descrentes e contribuir para o desencanto político, afastando os Portugueses da democracia participativa.
Com as eleições à porta, Passos Coelho sobe ao palco e dá espectáculo para uma plateia repleta de professores. “Saca” a avaliação de professores, como quem “saca” um coelho da cartola - num clássico de ilusionismo insultuoso e numa clara afronta à inteligência dos portugueses.
Como disse e bem o ministro dos Assuntos Parlamentares "O sentido de oportunismo, o sentido desenfreado do eleitoralismo leva o PSD a perder completamente o sentido da decência", quando decide apresentar o projecto de lei que determina a revogação do sistema de avaliação de desempenho docente, abortando, com este acto leviano, o trabalho que havia sido conseguido nos últimos anos.
O deputado social-democrata, Pacheco Pereira, considerou que a posição do PSD não teve “nenhuma racionalidade para um partido que sempre defendeu a avaliação” e que “até já votou contra a suspensão da avaliação que os outros partidos pretendiam”.
Passos Coelho esquece-se que a Geração “à rasca” de hoje, não é seguramente o Zé Povinho “rasca” de outros tempos… a famosa obra de Rafael Bordalo Pinheiro, o personagem iletrado, de boca aberta, amigo do copito, resignado perante a corrupção, a injustiça e a carga dos impostos, ignorante relativamente às grandes questões da sociedade, que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça, vestido com um rural fato, gasto e roto…a eterna vítima dos partidos regenerador e progressista da Monarquia Constitucional de finais do século XIX.
A Geração “à rasca” de hoje é letrada, atenta, pese embora aparentemente afastada, não se deixa iludir com falsas promessas e nada tem de ingénua. Sabe ler nas entrelinhas e desmonta facilmente truques de ilusionismo eleitoralistas.
Passos Coelho erra quando trata de forma indiferenciada uma e outra realidade…
A geração que fruto da difícil conjuntura económica e financeira se intitula “à rasca” questionar-se-á porque não votou o PSD com o BE e o PCP quando estes propuseram a suspensão do referido modelo de avaliação... porquê agora? o que mudou??
A geração “à rasca” questionar-se-á porque votou o PSD contra o PEC IV, ateando uma crise política, sob a ténue desculpa do congelamento das pensões mais baixas e decide abster-se quando o CDS-PP propôs uma actualização dessas mesmas pensões… Onde está a coerência do PSD??
A geração “à rasca” questionar-se-á da justiça da única medida apresentada até hoje por Passos Coelho, no caso de vir a ser Governo, - subir o IVA de 23% para 24% ou 25% - Curiosamente, de todos, o imposto mais cego - por penalizar todos os portugueses independentemente dos seus recursos económicos e sociais…

Estar na política deveria pressupor a definição clara das metas a atingir, estar na política deveria pressupor a avaliação dos recursos de que dispomos e as conjunturas que nos envolvem, e, em função disso, definir a melhor forma para alcançar as metas delineadas…mas quanto a isto o PSD nada apresenta, nada diz…nada acrescenta…

1 comentário:

  1. Parabéns pelo execelente artigo. É esta a reflexão que enriquece a vida pública.
    Um mês depois de ter nascido, "NOVOS HORIZONTES" constitui um espaço que nos permite conhecer o pensamento de todos e todas que têm vontade de participar no exercício activo da cidadania.
    Há sempre os "resistentes" que não estão de acordo com a iniciativa, mas desses ouvi dizer que moram, por inteiro, no LAR DO RESTELO". foi aí que Camões os imortalizou!

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