O Homem esse desconhecido



Na semana passada, comecei a ler um livro intitulado "O Homem, esse desconhecido" do Dr. Alexis Carrel do ano de 1968. Curiosamente, na quarta-feira, após o chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento IV e do consequente pedido de demissão do Governo, iniciei a leitura do capítulo quarto reservado às actividades mentais. Permitam que como minha primeira intervenção neste blog, transcreva um pequeno excerto do quarto capítulo, que por mera obra do acaso li na quarta-feira e que tão bem descrevia o meu estado de alma.

... O actual meio social ignora-o (senso moral) completamente, a verdade é que o suprimiu, inspirando a todos a irresponsabilidade. Aqueles que destinguem o bem do mal, que trabalham, que são previdentes, ficam pobres e são considerados inferiores, sendo por vezes severamente punidos..."

e prossegue,

"... A posse da riqueza é tudo, e tudo justifica (...) O bem e o mal, o justo e o injusto deixam de existir. Nas prisões há criminosos que são pouco inteligentes ou mal equilibrados. Os outros, muito mais numerosos, vivem em liberdade e andam intimamente misturados com o resto da população que disso não se admira. Em tal meio social o desenvolvimento do senso moral é impossível. O mesmo se dá sob o ponto de vista religioso. Os pastores racionalizaram a religião, e destruíram a sua base mística. Contudo, não conseguiram atrair os homens modernos: nos seus templos, mais vazios, pregam, em vão uma moral débil. Reduziram o seu papel ao de gendarmes que ajudam a conservar, no interesse dos ricos, os quadros da cidade actual. Ou então, tal como os políticos, adulam a sentimentalidade e a inteligência das massas.

Ao homem moderno é quase impossível defender-se desta atmosfera psicológica. Todos sofrem fatalmente a influência daqueles com quem vivem. Os que vivem desde a infância na companhia de criminosos ou de loucos tornam-se criminosos ou loucos. Não se escapa ao meio senão pelo isolamento ou pela fuga. Mas onde poderão os habitantes da cidade moderna encontrar a solidão? "Podes retirar-te para dentro de ti próprio à hora que quiseres", disse Marco Aurélio. "Não há refúgio mais tranquilo do que aquele que o homem encontra na sua própria alma". Mas, hoje, não somos capazes de tal esforço. Tornou-se impossível lutar vitoriosamente contra o nosso meio social..."

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Resta-nos esperar pelo dia de amanhã, pois acredito, ao contrário do autor, que com preserverança e determinação o homem moderno não será vencido.

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