O editorial de Rainha Isabel


Isabel Stilwell, editora do jornal “Destak”, tem por hábito dissertar sobre temas tão importantes como sejam “Levar a sério os enjoos da gravidez”, “Sexo, hormonas, sono e futebol”, “Quando a pílula comemora 50 anos” e, inclusivamente, o best-seller editorial “Preservativos nas missas de Bento XVI”.
De entre os seus editoriais, um captou a minha atenção: “A parva da geração parva”.
EM PRIMEIRO LUGAR, afirma a autora que os jovens de hoje “se estudaram e são escravos, são parvos de facto.”
Sucede que, como referiu o Primeiro-Ministro no último debate quinzenal, subordinado ao tema “Política Social”, a verdade é que (também em momentos de crise) estudar compensa: o desemprego entre licenciados aumentou 4,2%; por sua vez, nos jovens que têm o nono ano ou menos o aumento do desemprego foi de 28,9%...
EM SEGUNDO LUGAR, refere a supra citada autora que “a crise (…) não foi inventada para tramar (os jovens), como egocentricamente podem julgar.”
Não compreendo esta afirmação: na minha terra não é egocentrismo ter vontade de trabalhar e não ter uma oportunidade, e muito menos é egocentrismo ser forçado a mendigar um estágio para depois nada receber. Por isso, estou para descobrir onde fica o País das Maravilhas de Miss Stilwell
Esta autora ignora ainda que por detrás dos desempregados jovens estão, as mais das vezes, os seus familiares, alguns certamente da idade de Isabel Stilwell, mas que não tiveram a sorte, a arte ou o engenho (que seguramente ela teve) de conseguir que todos os “seus” tenham um emprego.
Por fim, ao contrário do que pensa a Rainha Isabel Stilwell, ser egocêntrico não é estar no desemprego e ter vontade de trabalhar. Bem pelo contrário: ser egocêntrico é ter vida de Rainha, como ela certamente terá, e insultar quem, sem culpa própria, não tem oportunidade de trabalhar.

* Versão integral publicada no Diário de Viseu de 01/03/2011

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