Energia Nuclear, a questão continua...



As mais recentes explosões nos reactores de fusão em Fukushima, como consequência do sismo de elevada magnitude que abalou o Japão, fizeram renascer a especulação, os receios e os medos quanto à aposta na energia nuclear. O acidente do passado dia 11 de Março teve repercussões na Europa: a Alemanha suspendeu o alargamento do funcionamento das centrais nucleares; em França, onde 80% da energia é proveniente de centrais nucleares (59), recomeçaram as grandes manifestações, pairando a ideia de que acidente semelhante pode colocar em causa a própria vida do Homem! Em Espanha, mais manifestações. A Europa não quer recordar o desastre de Chernobyl!
Em Portugal, a energia nuclear é frequentemente defendida por alguns especialistas, em detrimento das energias ditas renováveis, como a energia solar, hídrica e eólica. As principais vantagens da energia nuclear são a capacidade de produção de energia muito barata e a não libertação de gases de efeito de estufa para a atmosfera. As principais desvantagens, aliadas ao risco de um possível acidente nuclear, são o tempo de construção das centrais e o facto de o investimento inicial ser muito elevado.
Portugal tem adoptado uma política energética de aproveitamento de recursos inesgotáveis como sejam a água, sol e vento, amigas do ambiente e do ser humano (embora nem sempre disponíveis), complementando a rede eléctrica com as centrais que usam combustíveis fósseis a prazo. O recurso a estas fontes de energia tem contribuído para que Portugal continue cumpridor no que diz respeito aos limites impostos por Kyoto.
O preço de venda da electricidade depende da fonte de energia utilizada para a produzir, tendo sido, para o ano de 2009, de 0.228 €/kWh - energia solar, 0.0645 €/kWh - energia eólica, e 0.052 €/kWh - energia hídrica. Caso existisse energia nuclear, o preço estimado seria de 0.0296 €/KWh.
O custo das energias renováveis tende a diminuir, com o aumento de mais aerogeradores e fotovoltaicos instalados em todo o mundo. Os actuais aerogeradores rondam os 2 MW de potência, mas recentes notícias avançam com a possibilidade de novos aerogeradores de 20 MW! Portugal está na vanguarda desta energia limpa, através de um forte investimento, ainda que numa fase inicial. Porém, todos estes desenvolvimentos poderão encurtar a vida útil dos aerogeradores já existentes.
Para se ter uma pequena ideia, em Vila do Bispo há 18 aerogeradores de 0.5 MW de potência cada, cujo início de produção remonta a 1998. Este parque é hoje considerado tecnologicamente ultrapassado! A tecnologia está em constante evolução e o facto de termos sido pioneiros numa nova forma de conceber energia limpa acarretou-nos preços mais elevados do que aqueles que se praticam actualmente.
Coloca-se a questão: devemos apostar nas energias renováveis? Sim, principalmente nas atrás referidas. No entanto, há que ter em consideração que não conseguiremos viver apenas delas, uma vez que o seu fornecimento não é constante (daí que 1/3 da energia importada seja proveniente das centrais nucleares da vizinha Espanha).
Como faremos quando os combustíveis fósseis tiverem o seu fim, quando as centrais de gás natural e carvão deixarem de operar e sabendo também que, actualmente, só com energias renováveis não conseguiremos um optimizado fornecimento de energia eléctrica? Será que num futuro próximo teremos ao dispor baterias com capacidade de tal modo elevadas capazes de armazenar durante mais tempo grandes quantidades de energia provenientes das renováveis? E o que poderemos esperar do hidrogénio considerada a “energia do futuro”?
E quanto à energia nuclear, sim ou não? Continuará a ser uma hipótese a considerar, mesmo depois dos recentes acontecimentos? A questão continua, cada vez com mais dúvidas…
Artigo de Opinião de Tiago Vasconcelos

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