Este País não é para jovens (?)


É incontornável não falar dos problemas com que os jovens licenciados, jovens desempregados, jovens em estágios não renumerados, jovens a recibos verdes (…). O que falhou? O que falha? Que politicas conduziram a este verdadeiro desastre económico e social, a esta crise que parece sem fim à vista?
Os jovens de hoje vão receber uma dura herança da geração que governa. Claro que percebemos  que esta crise não nos afecta só a nós , mas também aos seniores, ás famílias, ás crianças e a todos os adultos, com ou sem licenciatura, com ou sem emprego. A exclusão social, a pobreza, e até a fome, já fazem parte do quotidiano de muitas famílias portuguesas.
Andar a “contar os euros” até ao final do mês, tornou-se uma rotina essencial para a sobrevivência de muitos casais jovens e das famílias, em geral, agarradas aos créditos e às hipotecas bancárias, fruto de uma ilusão que lhes foi vendida pelo marketing de um país de sucesso. Esta ilusão tornou-se um pesadelo para muitos jovens casais.
Hoje as famílias estão já a “cortar “ em tudo o que não faz parte das necessidades básicas. Muitas crianças estão hoje já privadas de um “serviço essencial”: a educação. Basta a mãe ficar desempregada, para a retirar da creche ou do jardim infantil, ficando a sua formação claramente prejudicada. Em muitos casos, a irmã deixa de estudar, a criança fica com a irmã, sendo esta uma forma encontrada para “poupar” mensalmente. A educação ter-se à transformado um bem de luxo do qual se possa abdicar desta forma? Que culpa têm as crianças desta crise?
Muitas famílias, agora fortemente endividadas, recorrem a ajuda dos seniores. Outrora um “estorvo” e um “inválido”, tornaram-se numa ajuda preciosa no complemento do orçamento familiar. As famílias estão a viver duramente e os problemas sociais aumentam e continuarão aumentar nos próximos tempos, sem esquecer os jovens que vêem cada vez mais adiada a possibilidade de constituir a sua própria família, casar e ter filhos.
Nós jovens, precisamos de soluções e oportunidades ou emigraremos mais cedo ou mais tarde. Será a emigração a solução razoável para esta Geração? Queria pensar que não, porque defendo ser possível construirmos um país mais justo, fraterno, inter-geracional capaz de resolver as suas desigualdades económicas e sociais. Acredito num país que saiba combater de forma eficaz a exclusão económica e social. Quero continuar acreditar em Portugal.
Sofia Oliveira, Assistente Social

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