Credibilização da Política Nacional

“Os portugueses são os que menos confiam no Governo entre um grupo de 23 países analisados num barómetro que avalia o nível de confiança nas empresas, Governo, ONG e media (…) ”, Expresso Online 7 Fevereiro 2011 (http://aeiou.expresso.pt/barometro-portugueses-sao-os-que-menos-confiam-no-governo-seguros-e-banca-sao-os-setores-menos-crediveis=f630494)

Com base em estudos como este e na minha observação, afirmo com segurança que actualmente os Portugueses nutrem um profundo desprezo, falta de confiança e até de respeito pelos Políticos Nacionais que elegem.

Encontro três razões estruturais para que estes sentimentos face à Classe Política se verifiquem.

Em primeiro lugar, a quantidade de pessoas sem qualificações e/ ou experiência que se move nos Partidos Políticos ou que em torno deles gravita, com o objectivo de a partir destes e consequentemente do Estado obterem um sustento, exercendo funções para as quais manifestamente não estão preparados. Um Partido cujos dirigentes dele dependem para viver é um Partido empobrecido em termos de qualidade dos seus quadros, de capacidade crítica e de autoridade perante os eleitores, transformando-se num mero conjunto de “yes men”.

Segundo, o facto das mensagens transmitidas durante as campanhas eleitorais serem muito diferentes daquelas que se verificam quando se alcança o poder. A discrepância entre as expectativas criadas nos eleitores e as medidas anunciadas no dia a seguir à tomada de posse é uma enorme fonte de desconfiança e de descrédito. Os Partidos não podem ser máquinas de ganhar eleições. A mentira e a omissão nunca deverão ser um meio para atingir este fim.

Em terceiro lugar, a distância que se observa entre Eleitores e Eleitos. Quando um Português vota nas Eleições Legislativas não sabe que Deputados está a eleger. Quando vota numas eleições Autárquicas talvez saiba qual o Presidente da Câmara que está a escolher, mas não sabe quem são os Vereadores. Este desconhecimento coloca uma cortina à frente de quem é eleito e origina a sua desresponsabilização, o que inevitavelmente culminará numa menor pressão para apresentar resultados.

Para combater estas causas e com o objectivo de credibilizar a Classe Política apresento TRÊS POSSÍVEIS SOLUÇÕES:

Primeiro, considero fundamental que os Partidos atraiam elementos com reconhecidos méritos académicos e profissionais. Para que isto aconteça é necessário fomentar espaços de debate, de respeito por opiniões diversas e acima de tudo que estas pessoas sintam que as suas posições são valorizadas e aplicadas. Adicionalmente, para que estas pessoas estejam confortáveis num Partido Político, é importantíssimo que se sintam inter pares e não entre elementos mal preparados e oportunistas. As Juventudes Partidárias devem assumir um papel fulcral nesta matéria.

Segundo, a necessidade de um discurso realista, quer em campanha quer no exercício de funções. A maior dificuldade que um opositor político pode encontrar é um discurso assente em factos e em números, não em ideias avulsas pouco fundamentadas ou em meios números. Tenho a certeza que os Eleitores Portugueses valorizarão ser tratados como pessoas inteligentes e por piores que sejam os factos será beneficiado nas urnas quem deles falar sem medo de perder eleições.

Por último, a aproximação entre Eleitores e Eleitos beneficiará duma personalização da política por troca da partidarização actual. Os Partidos devem manter-se como um espaço privilegiado de discussão e debate, mas os eleitores querem encontrar referências em pessoas que possam ser responsabilizadas pelas consequências das posições que defendem.

1 comentário:

  1. Grande Francisco, li o teu post com atenção e concordo a 100% com o que disseste. Mas permite-me dizer que as soluções que tu propões, sendo acertadas, sensatas e maioritariamente aceites são conhecidas pelos políticos. E, partindo desse pressuposto, sou levado a concluir que são os próprios políticos a fechar os canais de diálogo e discussão nos partidos, são os próprios políticos que apoiam incondicionalmente as listas "convenientes" para se poderem inserir de forma corporizada no sistema sem ter de prestar grandes explicações a quem os elege.

    Ambos sabemos como funcionam as juventudes partidárias, como se alimentam pela base e quem as "controla". É gente que é capaz de se dedicar a uma "causa" para obter lugares chave em associações, federações, etc... à custa do caciquismo, das manobras de bastidores, de conhecimentos e de todo o tempo do mundo que dispõem, deixando quase sempre para segundo plano os estudos como qualquer estudante...

    João Rodrigo Quintela

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