Brincar com a guerra?

Caros amigos e amigas,

Vivemos  tempos difíceis! Tempos de indefinição! Tempos de loucura e tempos de perdição!

O FMI está à porta!

O governo está demissionário!

O “maior” candidato da oposição diz não ao PEC 4, por causa da austeridade, mas agora acaba por confessar que o PEC4 não ia suficientemente longe.  Por sinal, esse  “maior” candidato da oposição é o candidato que queria reafectar verbas do TGV para programas sociais!

Vêm aí eleições! A esse propósito, cito Mário Soares: "durante estes meses cruciais - para a Europa, para o mundo e, obviamente, também para Portugal -, o mais provável é que se esqueça o que interessa aos portugueses: como vencer a crise e como arranjar mais emprego".

Alerta ainda Mário Soares: "vai recorrer-se à retórica mais demagógica para que cada partido ganhe as eleições, ou para que se aproxime o mais possível disso. Com o País parado - durante dois longos meses - à espera dos resultados eleitorais".

O nosso PR continua a entrar mudo e a sair calado, exercendo assim a sua magistratura Activa!

Vejo a Irlanda e a Grécia, olho para Portugal e fico preocupado!

Por estes motivos e muitos outros, aqui vos deixo um momento de humor eterno, protagonizado por Raul Solnado!

Nada como um bom sorriso para a aliviar a tensão, nos dias esquizofrénicos de hoje!


(IN)COERÊNCIA



A Política de Verdade de Pedro Passos Coelho.

Humor...


Retirado da Câmara de Comuns

Energia Nuclear, a questão continua...



As mais recentes explosões nos reactores de fusão em Fukushima, como consequência do sismo de elevada magnitude que abalou o Japão, fizeram renascer a especulação, os receios e os medos quanto à aposta na energia nuclear. O acidente do passado dia 11 de Março teve repercussões na Europa: a Alemanha suspendeu o alargamento do funcionamento das centrais nucleares; em França, onde 80% da energia é proveniente de centrais nucleares (59), recomeçaram as grandes manifestações, pairando a ideia de que acidente semelhante pode colocar em causa a própria vida do Homem! Em Espanha, mais manifestações. A Europa não quer recordar o desastre de Chernobyl!
Em Portugal, a energia nuclear é frequentemente defendida por alguns especialistas, em detrimento das energias ditas renováveis, como a energia solar, hídrica e eólica. As principais vantagens da energia nuclear são a capacidade de produção de energia muito barata e a não libertação de gases de efeito de estufa para a atmosfera. As principais desvantagens, aliadas ao risco de um possível acidente nuclear, são o tempo de construção das centrais e o facto de o investimento inicial ser muito elevado.
Portugal tem adoptado uma política energética de aproveitamento de recursos inesgotáveis como sejam a água, sol e vento, amigas do ambiente e do ser humano (embora nem sempre disponíveis), complementando a rede eléctrica com as centrais que usam combustíveis fósseis a prazo. O recurso a estas fontes de energia tem contribuído para que Portugal continue cumpridor no que diz respeito aos limites impostos por Kyoto.
O preço de venda da electricidade depende da fonte de energia utilizada para a produzir, tendo sido, para o ano de 2009, de 0.228 €/kWh - energia solar, 0.0645 €/kWh - energia eólica, e 0.052 €/kWh - energia hídrica. Caso existisse energia nuclear, o preço estimado seria de 0.0296 €/KWh.
O custo das energias renováveis tende a diminuir, com o aumento de mais aerogeradores e fotovoltaicos instalados em todo o mundo. Os actuais aerogeradores rondam os 2 MW de potência, mas recentes notícias avançam com a possibilidade de novos aerogeradores de 20 MW! Portugal está na vanguarda desta energia limpa, através de um forte investimento, ainda que numa fase inicial. Porém, todos estes desenvolvimentos poderão encurtar a vida útil dos aerogeradores já existentes.
Para se ter uma pequena ideia, em Vila do Bispo há 18 aerogeradores de 0.5 MW de potência cada, cujo início de produção remonta a 1998. Este parque é hoje considerado tecnologicamente ultrapassado! A tecnologia está em constante evolução e o facto de termos sido pioneiros numa nova forma de conceber energia limpa acarretou-nos preços mais elevados do que aqueles que se praticam actualmente.
Coloca-se a questão: devemos apostar nas energias renováveis? Sim, principalmente nas atrás referidas. No entanto, há que ter em consideração que não conseguiremos viver apenas delas, uma vez que o seu fornecimento não é constante (daí que 1/3 da energia importada seja proveniente das centrais nucleares da vizinha Espanha).
Como faremos quando os combustíveis fósseis tiverem o seu fim, quando as centrais de gás natural e carvão deixarem de operar e sabendo também que, actualmente, só com energias renováveis não conseguiremos um optimizado fornecimento de energia eléctrica? Será que num futuro próximo teremos ao dispor baterias com capacidade de tal modo elevadas capazes de armazenar durante mais tempo grandes quantidades de energia provenientes das renováveis? E o que poderemos esperar do hidrogénio considerada a “energia do futuro”?
E quanto à energia nuclear, sim ou não? Continuará a ser uma hipótese a considerar, mesmo depois dos recentes acontecimentos? A questão continua, cada vez com mais dúvidas…
Artigo de Opinião de Tiago Vasconcelos

Marketing

O PSD já escolheu o partido com o qual fará uma coligação para as eleições legislativas.
As t-shirts para a campanha estão já a ser lançadas.

O Pós Chumbo


Tal como a generalidade dos Portugueses, segui com especial atenção o chumbo do PEC IV e a consequente demissão do Primeiro-Ministro. Duas notas sobre o pós-chumbo.

1.      

Vi estampado no rosto de muitos a felicidade pela demissão de José Sócrates. Porém, vi poucos entusiasmados com a possibilidade de Pedro Passos Coelho, líder do maior Partido da Oposição, ser futuro Primeiro-Ministro de Portugal.

Por isso, assaltou-me uma dúvida: se o Povo não quer José Sócrates, nem Pedro Passos Coelho, quem quer?!

Para além desta primeira dúvida, assaltou-me uma outra: o que é que o PSD pretende para o País? Tal como 99,9% dos Portugueses, desconheço o rumo do maior partido da Oposição, as suas ideias e os putativos concretizadores de um projecto laranja. E isso preocupa-me. Preocupa-me já que não passo cheques em branco a ninguém, nem acho prudente que alguém o faça.

O PSD sabe que quer o poder e que não quer o PS no poder . Mas não sabe mais nada.

No chumbo do PEC, por exemplo, Pedro Passos Coelho e o PSD reconheceram a necessidade de mais e provavelmente mais duras medidas de restrição orçamental e de impulso da economia (foi isso, aliás, que Pedro Passos Coelho foi transmitir aos líderes europeus, no final da semana passada), mas foram incapazes de apresentar uma única alternativa. Este comportamento, mais do que eleitoralismo, parece-me irresponsabilidade.

Em democracia, é muito pouco dizer que não se vai por aí. Ainda para mais, quando está em causa um Partido que aspira a ser poder. Por isso, não me espanta que, mesmo entre as hostes sociais-democratas, muitos não escondam a esperança de que o próximo Primeiro-Ministro ainda seja um Rui Rio ou um Paulo Rangel.

2.      

Múltiplos são os jornalistas, comentadores e analistas que defendem a importância de um Governo com amplo suporte parlamentar. Concordo com esta ideia. Lamento, aliás, que esta ideia se tenha enraizado tão tarde e a título de remendo.

Considero que se alguém podia/devia ter tido uma atitude activa na promoção de um Governo com amplo suporte parlamentar, no início da legislatura que ora finda, esse alguém era o Presidente da República, Cavaco Silva. Sucede que, como é do domínio público, Cavaco não só não promoveu esse entendimento como, do alto da sua poltrona, viu um Governo nascer, crescer e morrer, sem mexer uma palha.

Diz o Povo que mais vale prevenir do que remediar. Como não se preveniu (leia-se, não se promoveu o aparecimento de um Governo com amplo suporte parlamentar), julgo que mais vale fazê-lo agora do que nunca…Por isso, gostava que PS e PSD esclarecessem, antes do acto eleitoral, se estão (ou não) dispostos a integrar um Governo de coligação. E que esse esclarecimento fosse prestado de forma inequívoca, já que nem Portugal, nem muito menos o bolso dos Portugueses, aguentam mais jogadas e/ou deslealdades políticas.

Julgo que ambos os Partidos devem esse esclarecimento ao País. Mais do que nunca, o supremo interesse nacional tem que se impor às pessoas e/ou questiúnculas político-partidárias.

Artigo publicado no Diário de Viseu

Riscos Costeiros: Paciência e Planeamento





A sucessão de eventos que afectaram o Japão no dia 11-03-2011 devem fazer reflectir os mais incautos sobre as consequências devastadoras dos riscos naturais. À semelhança do ocorrido com o tsunami de 26-12-2004, a opinião pública portuguesa voltou a ouvir falar que afinal Portugal tem, em termos europeus, um risco sísmico e tsunamigénico bastante relevante.
1755 foi relembrado. Tornámos a ouvir que algo deve ser feito, que a legislação deve ser reforçada, que a protecção civil deve ter mais meios, que o sistema educativo deve preparar as populações mas, mais uma vez, outras prioridades se sobrepõem e, infelizmente, os calendários políticos irão sempre sobrepor-se. As soluções, embora ignoradas, são conhecidas no entanto, uma vez perdido o interesse mediático o que irá realmente mudar? Pouco, muito pouco. Até que um dia, sejamos expostos aos nossos erros de planeamento e só nos reste lamentar a falta acção e coordenação. Paciência (=inacção) dirão alguns inconscientes dos intervalos de recorrência deste tipo de eventos!
A nossa faixa costeira é densamente povoada e é lá que se encontram os alicerces do nosso sistema económico. Contra uma inevitabilidade como um sismo ou um tsunami só resta a prevenção e o planeamento. Informar, planear, explicar, divulgar e agir preventivamente. No entanto, é aí que está a nossa falha. Em Portugal não tem existido uma verdadeira política de planeamento da orla costeira. As poucas iniciativas positivas são sempre recebidas com desagrado e forte contestação por empresários, autarquias e populações. Mexem com interesses instalados. E muitas vezes esses Planos de Ordenamento da Orla Costeira quando passam dos técnicos para os agentes políticos acabam por ficar a longe dos objectivos propostos… Os custos a curto prazo fazem com que se ignore as vantagens a médio e longo prazo. Mas eu, ingenuamente, pergunto se a definição de políticas não deve colocar o interesse geral à frente do “pequeno” interesse?
Vejam-se os erros com a proliferação de barragens (até em zonas com algum risco sísmico – ex. barragem do Baixo Sabôr). Alguém mediu as consequências erosivas para as faixas costeiras dos sedimentos que ficam retidos nessas barragens e que, se seguissem o seu curso normal, seriam transportados pelos rios e entrariam na deriva costeira, alimentando as praias? Não se podia ter previsto\poupado os milhares de euros que têm que ser investidos na alimentação artificial de praias. A questão é que quando interferimos com a Natureza sabemos que toda a acção irá desencadear uma reacção do sistema natural que se procura reequilibrar. Acabámos por criar um ciclo vicioso e mexer com o equilíbrio natural. Mas claro é mais fácil falar das mudanças climáticas…literalmente, sacudir a água do capote!
A noção de tempo é um factor importante que deve ser compreendido pelos políticos. Apenas um debate sério, alargado pode conduzir a uma redefinição e aplicação de uma nova política costeira. Um planeamento (=acção) a sério e que consiga congregar o interesse geral.
Lanço a questão, que orla costeira deixaremos aos nossos filhos quando fizermos 900 anos como país, em 2043?
Até lá duas hipóteses: planeamento ou paciência!

Pedro J M Costa – investigador científico e geólogo

Tirem-nos deste filme

"Irresponsabilidade, incompetência, partidarismo carreirista e mediocridade".

São estas a características do que se pode dizer, de forma minimamente educada, sobre aquilo a que temos assistido durante os últimos quinze dias em Portugal.

A última cena deste filme de terror de baixa qualidade - já não tem a dignidade de uma peça de teatro - é a eliminação da avaliação dos professores aprovada em tempo recorde pelos partidos da oposição, sexta-feira, na Assembleia da República. Deitou-se para o lixo mais de quatro anos de trabalho e persistência de uma das melhores e mais corajosa ministra da Educação que o país teve, Maria de Lurdes Rodrigues. Tudo porque os partidos de poder que estão na oposição, o PSD e de alguma forma o CDS, caíram na tentação bacoca de conquistar os eleitores que são professores. Devem pensar que não só o país mas também os professores são parvos.

O acto da eliminação da avaliação dos professores é não só grave como tem um enorme valor simbólico. Vale mais do que milhares de análises sobre pelo menos duas décadas perdidas de tentativas de reformas estruturais. Os grupos de pressão em Portugal, principais responsáveis pelo estado em que o país se encontra, têm nos partidos os seus grandes aliados. Da construção que conseguiu que se fizessem estradas desnecessárias até à banca, justiça, saúde e educação, todos os protagonistas destes sectores manipulam com grande sucesso partidos políticos recheados de militantes anónimos que, na sua maioria, vivem à mesa do Orçamento do Estado e fazem tudo menos pensar nos interesses do país.

Todo o processo que levou ao irresponsável "não" do dito PEC IV é mais um exemplo da irresponsabilidade e falta de sentido de Estado que enxameia nestes tempos as lideranças políticas. Os analistas dos bancos internacionais com quem o Negócios foi falando desde a Cimeira de 11 de Março tiveram grande dificuldade em compreender como foi possível Portugal deitar pela janela fora um apoio europeu que nem a Grécia nem a Irlanda tiveram. Os gregos imploraram ajuda, os irlandeses foram empurrados para a ajuda e os portugueses, dizia um dos analistas, atiraram-se para a ajuda. Imaginem como já está a imagem de Portugal.

O que torna o "não" ao PEC IV e a precipitação para eleições antecipadas ainda mais incompreensíveis é tudo o que aconteceu a seguir, tendo como personalidade central o líder do PSD. As declarações de Pedro Passos Coelho durante os últimos quatro dias revelam uma desorientação e até um desconhecimento sobre a dimensão do problema financeiro português e europeu que são assustadoras. Não queremos acreditar que Passos Coelho desconhecia que o PEC IV era uma peça integrada na nova estratégia europeia de combate à crise do euro. Nem é possível acreditar que Passos Coelho não tinha uma estratégia já definida para o dia seguinte ao chumbo do PEC IV que não fosse contradizer o que tinha dito antes ou permitir que pessoas da sua equipa fizessem declarações sobre as taxas de juro e o risco da República que se aproximam de manifestações de fé.

No processo de apresentação do PEC IV José Sócrates cometeu um erro, como uns acreditam, ou premeditou esta crise para ganhar com ela, como é convicção de outros. Seja qual for a realidade - que só Sócrates saberá - erros e premeditações não se combatem com mais erros e desorientações que lançam o país para situações ainda mais graves, como tem andado a fazer o PSD.

Depois da manifestação da "Geração à Rasca", que em Lisboa juntou grupos com convicções diametralmente opostas sem que se partisse um vidro ou incendiasse um carro, o mínimo que se pode exigir aos líderes políticos é que façam aquilo que é sua obrigação, entendam-se para resolver os problemas.

Os portugueses já perceberam há algum tempo que têm de mudar de vida. Os eleitores não são parvos. Mário Soares é ainda hoje a grande figura da democracia apesar das medidas impopulares que tomou no seu tempo. Este tempo não é de politiqueiros que só se sabem mover pela carreira ou pela raiva. Todos queremos sair deste filme de quarta categoria mas precisamos de políticos com visão e dimensão."

Artigo de Helena Garrido hoje no Jornal de Negócios

Estreia Mundial dia 23 de Março




Porque uma imagem vale por mil palavras!

Portugal por um canudo…


Instalou-se no nosso País, por via da irresponsabilidade dos partidos da actual oposição, uma autêntica trapalhada política que trará à grande maioria dos portugueses desagradáveis consequências no plano social. Tal realidade já se poder ver com as mais imediatas reacções de instâncias internacionais e de vários líderes políticos pela Europa fora.
A situação do País é complexa e muito difícil, como se sabe, o País não pode consentir lideranças como a que se tem podido ver no PSD a cada dia que passa. ( No próprio PSD existe quem nunca tenha visto com bons olhos a subida de Pedro Passos Coelho à liderança do partido, ainda hoje falta uma explicação sobre a recusa de Manuela Ferreira Leite em colocar Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas nas listas de candidatura a deputados.)
No caso de existirem dúvidas, esta recente e longa entrevista de Pedro Passos Coelho a Teresa de Sousa veio levantar o mínimo de indeterminação que pudesse sobrevir: governar não é apenas palrar. Por muito que se possa discordar e desgostar de José Sócrates, o que o separa de Pedro Passos Coelho, em matéria de vivência e de conhecimento político, sobretudo na sua faceta do realismo, é simplesmente um abismo.
Seria do maior interesse para a vida do País que os portugueses fossem informados pelo próprio Pedro Passos Coelho sobre o que se propõe fazer em torno das mil e uma medidas que sempre condenou na política do actual Governo e que indicasse aos portugueses o que pretende fazer nos domínios da Saúde, Educação e Segurança Social Públicas, mas também na área da Justiça.
Vai pôr um fim no Serviço Nacional de Saúde, universal e tendencialmente gratuito? Vai modificar o Sistema Público de Educação, fazendo com que os mais humildes deixem de estudar por falta de meios? Vai privatizar a Segurança Social Pública, atirando os reformados e pensionistas para as mãos das seguradoras?
Em Suma:
“O que é que se propõe fazer Pedro Passos Coelho se, pelo acaso de um erro de atenção dos eleitores, vier a liderar o Governo de Portugal?”

Os actores e a marioneta

Concorrência ou Regulação no Mercado dos Combustíveis?


Parece claro, demasiado claro até, que não existe em Portugal um Mercado de Concorrência no Sector dos Combustíveis. Os sinais de Cartelização são por demais conhecidos com preços finais ao consumidor praticamente sem diferenças entre as diferentes operadoras do mercado e com subidas e descidas alinhadas entre concorrentes. É sabido que o preço final dos combustíveis aos consumidores não depende exclusivamente das variações dos preços internacionais do petróleo estando também a eles associados custos fixos e impostos. O que é um facto é que em momentos de subida do crude os preços finais nas bombas sobem de forma rápida e acelerada, pelo contrário em momentos de descida dos preços internacionais do crude os preços finais nas bombas descem de forma muito mais lenta. É óbvio que os ganhos operacionais dessa lenta desaceleração acabam por ficar nos operadores e no próprio Estado por via de impostos arrecadados. Quem paga? O consumidor final como não poderia deixar de ser, embora toda a economia acabe por perder uma vez os agentes económicos acabam por ter de suportar tarifas energéticas significativamente mais elevadas, com inevitáveis perdas de competitividade, sobretudo no sector de bens transaccionáveis.

Tendo presentes estes factos, sugeria uma breve análise microeconómica sobre questões de Concorrência latentes e necessariamente associadas a este problema. São por demais evidentes os sinais de falta de concorrência neste mercado. A opinião pública portuguesa já o percebeu e sente-o todos os dias nas bombas de gasolina. Para que exista uma “cultura de concorrência” devem ter-se em atenção três aspectos estruturantes: o primeiro – a questão da maximização do bem-estar económico, se quisermos, têm de ser encontradas formas de equilíbrio entre custos e benefícios; o segundo – a procura de um excedente total superior entre consumidores e produtores; o terceiro – políticas estratégicas ambientais. A pergunta que deve ser colocada ao Governo, parte muito interessada no processo, é que clarifique qual é a sua orientação neste contexto. Um elevado preço dos combustíveis, claramente acima da média europeia, faz parte de uma estratégia do Governo para arrecadar um maior volume de receita fiscal, compensando eventuais perdas noutras áreas? Fará parte de uma estratégia de diminuição das emissões de CO2 e de incentivos ao uso de energias alternativas e de políticas mais sustentáveis? Será apenas uma questão de falta de estratégia para o sector, deixando a decisão ao livre arbítrio de um mercado sem regras e com graves falhas no seu funcionamento? Ou será ainda uma omissão “politicamente consentida” fruto de um processo de captura regulatória em face dos grandes interesses e grupos económicos de pressão que operam neste sector estratégico da economia nacional? Para que serve, neste contexto, uma Autoridade da Concorrência (AdC) parca de competências, quase inoperante e sem poderes de Regulação?

Penso que a liberalização do sector nada de bom trouxe ao consumidor final. Liberalizar só por si não cria condições de eficiência no mercado e não trouxe um aumento do bem-estar para a sociedade no seu todo. Parece-me urgente repensar-se as condições de falta de concorrência e ponderar-se seriamente a Regulação do mercado de Combustíveis. A necessidade de Regulação coloca-se no sentido da procura de condições “pelo” mercado através de um Second-best (óptimo de segunda ordem) para os consumidores. Penso que a intervenção do Governo se exige para se ultrapassar esta “falha do mercado” sobretudo associadas a um enorme desequilíbrio nas relações de poder fruto da posição dominante de um dos operadores. Ainda assim é de ressalvar que a Regulação, tendo um custo significativo para os cofres do Estado, não deixa de ser um processo administrativo e burocrático que tem riscos associados uma vez que pode ser uma fonte geradora de conflitos entre Reguladores e Regulados, ou entre Consumidores, Concessionários e Reguladores.
Alexandre Azevedo Pinto, Economista

Política a Passos "de Coelho"


O descrédito das populações face aos políticos é manifesto. Escutamo-lo em conversas de café, pressentimo-lo na diminuição de novas filiações partidárias, nas correntes e manifestações apartidárias, mas o momento em que os Portugueses confessam este descrédito é nas urnas, onde a abstenção vence, invariavelmente, o partido mais votado…
O PSD insiste em dar razão aos descrentes e contribuir para o desencanto político, afastando os Portugueses da democracia participativa.
Com as eleições à porta, Passos Coelho sobe ao palco e dá espectáculo para uma plateia repleta de professores. “Saca” a avaliação de professores, como quem “saca” um coelho da cartola - num clássico de ilusionismo insultuoso e numa clara afronta à inteligência dos portugueses.
Como disse e bem o ministro dos Assuntos Parlamentares "O sentido de oportunismo, o sentido desenfreado do eleitoralismo leva o PSD a perder completamente o sentido da decência", quando decide apresentar o projecto de lei que determina a revogação do sistema de avaliação de desempenho docente, abortando, com este acto leviano, o trabalho que havia sido conseguido nos últimos anos.
O deputado social-democrata, Pacheco Pereira, considerou que a posição do PSD não teve “nenhuma racionalidade para um partido que sempre defendeu a avaliação” e que “até já votou contra a suspensão da avaliação que os outros partidos pretendiam”.
Passos Coelho esquece-se que a Geração “à rasca” de hoje, não é seguramente o Zé Povinho “rasca” de outros tempos… a famosa obra de Rafael Bordalo Pinheiro, o personagem iletrado, de boca aberta, amigo do copito, resignado perante a corrupção, a injustiça e a carga dos impostos, ignorante relativamente às grandes questões da sociedade, que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça, vestido com um rural fato, gasto e roto…a eterna vítima dos partidos regenerador e progressista da Monarquia Constitucional de finais do século XIX.
A Geração “à rasca” de hoje é letrada, atenta, pese embora aparentemente afastada, não se deixa iludir com falsas promessas e nada tem de ingénua. Sabe ler nas entrelinhas e desmonta facilmente truques de ilusionismo eleitoralistas.
Passos Coelho erra quando trata de forma indiferenciada uma e outra realidade…
A geração que fruto da difícil conjuntura económica e financeira se intitula “à rasca” questionar-se-á porque não votou o PSD com o BE e o PCP quando estes propuseram a suspensão do referido modelo de avaliação... porquê agora? o que mudou??
A geração “à rasca” questionar-se-á porque votou o PSD contra o PEC IV, ateando uma crise política, sob a ténue desculpa do congelamento das pensões mais baixas e decide abster-se quando o CDS-PP propôs uma actualização dessas mesmas pensões… Onde está a coerência do PSD??
A geração “à rasca” questionar-se-á da justiça da única medida apresentada até hoje por Passos Coelho, no caso de vir a ser Governo, - subir o IVA de 23% para 24% ou 25% - Curiosamente, de todos, o imposto mais cego - por penalizar todos os portugueses independentemente dos seus recursos económicos e sociais…

Estar na política deveria pressupor a definição clara das metas a atingir, estar na política deveria pressupor a avaliação dos recursos de que dispomos e as conjunturas que nos envolvem, e, em função disso, definir a melhor forma para alcançar as metas delineadas…mas quanto a isto o PSD nada apresenta, nada diz…nada acrescenta…

Earth Hour 2011

O Homem esse desconhecido



Na semana passada, comecei a ler um livro intitulado "O Homem, esse desconhecido" do Dr. Alexis Carrel do ano de 1968. Curiosamente, na quarta-feira, após o chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento IV e do consequente pedido de demissão do Governo, iniciei a leitura do capítulo quarto reservado às actividades mentais. Permitam que como minha primeira intervenção neste blog, transcreva um pequeno excerto do quarto capítulo, que por mera obra do acaso li na quarta-feira e que tão bem descrevia o meu estado de alma.

... O actual meio social ignora-o (senso moral) completamente, a verdade é que o suprimiu, inspirando a todos a irresponsabilidade. Aqueles que destinguem o bem do mal, que trabalham, que são previdentes, ficam pobres e são considerados inferiores, sendo por vezes severamente punidos..."

e prossegue,

"... A posse da riqueza é tudo, e tudo justifica (...) O bem e o mal, o justo e o injusto deixam de existir. Nas prisões há criminosos que são pouco inteligentes ou mal equilibrados. Os outros, muito mais numerosos, vivem em liberdade e andam intimamente misturados com o resto da população que disso não se admira. Em tal meio social o desenvolvimento do senso moral é impossível. O mesmo se dá sob o ponto de vista religioso. Os pastores racionalizaram a religião, e destruíram a sua base mística. Contudo, não conseguiram atrair os homens modernos: nos seus templos, mais vazios, pregam, em vão uma moral débil. Reduziram o seu papel ao de gendarmes que ajudam a conservar, no interesse dos ricos, os quadros da cidade actual. Ou então, tal como os políticos, adulam a sentimentalidade e a inteligência das massas.

Ao homem moderno é quase impossível defender-se desta atmosfera psicológica. Todos sofrem fatalmente a influência daqueles com quem vivem. Os que vivem desde a infância na companhia de criminosos ou de loucos tornam-se criminosos ou loucos. Não se escapa ao meio senão pelo isolamento ou pela fuga. Mas onde poderão os habitantes da cidade moderna encontrar a solidão? "Podes retirar-te para dentro de ti próprio à hora que quiseres", disse Marco Aurélio. "Não há refúgio mais tranquilo do que aquele que o homem encontra na sua própria alma". Mas, hoje, não somos capazes de tal esforço. Tornou-se impossível lutar vitoriosamente contra o nosso meio social..."

:. :. :.

Resta-nos esperar pelo dia de amanhã, pois acredito, ao contrário do autor, que com preserverança e determinação o homem moderno não será vencido.

O Farsolas e o Pote...

Portugal na Europa


Saindo um pouco da espuma dos dias que afectam o panorama politico nacional em que se esgrimem argumentos próprios de uma campanha eleitoral, não deixa de ser preocupante a forma como os destinos da Europa estão a ser conduzidos.

Pela primeira vez numa crise económica sem precedentes com base num sistema financeiro sem regulação, avarento e sem escrúpulos que transformou divida privada em divida publica, não se vislumbra um horizonte muito risonho para os países que fazem parte da “periferia” do velho continente. Ao mesmo tempo, ainda que seja próprio da época em que vivemos, existe uma crescente corrente neo-liberal virada cada vez mais para números e KPI’s (Key Performance Indicators) que em nada servem o futuro dos cidadãos europeus, mas que pelo contrário fomentam cada vez mais a perda de soberania dos estados membros ao mesmo tempo que incitam o Estado a ter um papel menos activo, mais ausente.

Depois de ouvir Ângela Merkel a falar sobre o que se passou em Portugal com as medidas de austeridade e a queda do actual governo e o que a FITCH fez na reavaliação do rating português no espaço de 2 horas, a mim parece-me que o País passou a ser uma empresa cotada em bolsa muito preocupada com o que pensam os seus “stakeholders” numa perspectiva de maximização de lucro ao mesmo tempo que tem os credores responsáveis pelo estado actual da arte sistematicamente a vir a público incitar ao descrédito dos governos e a situação que os países atravessam.

Face a tudo isto a Europa vê-se a braços com uma mudança de paradigma comandada por um eixo franco-alemão envolvido numa guerra monetária que em nada se preocupa com o futuro de uma Europa unida que deve caminhar para a igualdade e para a federalização.

Em vez disso assistimos a uma liderança frágil que pensa mais numa perspectiva interna e que comunga o mesmo espaço que os restantes com regras que protegem os mais fortes em detrimento dos mais fracos.

Que espaço existe para Portugal nesta mudança de paradigma? Se somos periféricos? Se existem restrições quanto a forma como devemos actuar a nível interno nos vários sectores que constituem a economia nacional o que é que pode ser feito?!

O desastre da liderança europeia está a empobrecer países como a Irlanda, a Grécia e agora Portugal com intervenções drásticas de instituições internacionais preocupadas com números e não com a realidade dos países.

A realidade é que não existem neste modelo espaço para que países como o nosso possam prosperar. As novas gerações, que hoje exigem mais igualdade mais oportunidades e mais qualidade de vida jazem no tempo à espera do impossível. A diminuição do nível de vida, associado a um aumento do desemprego vai lançar os países para um tensão social perigosa que não contribui para a serenidade e para a coragem que estes tempos exigem.

Depois de ouvir o autoritarismo da Srª Merkel, e depois de tudo o que tem sido feito para nos ajudar que é meramente da responsabilidade do ainda actual governo não me parece que com amigos “destes” precisemos de inimigos...

SERÁ ESTE O PARAÍSO PROMETIDO?


Não acham que o Jardim das Delícias, do afamado Bosch (é muito comum gente que se quer fazer entendida em artes citar este camarada. Eu confesso, não percebo patavina de artes, mas no Liceu a minha querida professora de História Luísa Cruz tinha o dom de nos fazer gostar de tudo o que fosse História, inclusive da arte, e desde então que este Jardim faz parte das 3 obras de arte que sei citar de cor), poderia ser uma dramatização da vida pública portuguesa?

A vida política portuguesa hoje não merece da minha parte mais do que a partilha desta fabulosa representação. Será este o Paraíso que a oposição nos promete depois do que fez ontem? Não será bem igual (a parte das meninas de seios ao léu não acredito que os sempre conservadores do CDS – tem dias, às vezes saem do armário e é a loucura descontrolada - e a ala “sexo é para procriar”do PSD o permitam, embora eu o apreciasse), mas longe não andará.

Um abraço e rezai portugueses!

PS: Estou um pouco confuso: há um mês e picos fui convidado para dar o meu contributo para o Clube Novos Horizontes. Agora vai haver umas conferências chamadas de Novos Desafios. Xiça penico que a imaginação em Viseu anda pelas ruas da amargura! Não há fome que não dê em fartura aqui nas nossas bandas! :)

Dia do Estudante - 24 de Março


Por determinação da Assembleia da República, em 1987 e no 25º aniversário das manifestações estudantis ocorridas em Lisboa (24 de Março de 1962) foi instituído, nesta data, o «Dia Nacional do Estudante».

Prestava-se assim a merecida homenagem a todos os que tiveram a coragem de protestar e, por causa disso, foram alvo das mais variadas sanções pelo regime de então.  «Urgente democratização do ensino» e «extensão do ensino universitário a todos os portugueses, independentemente da política, religião ou raça», eram algumas das bandeiras estudantis.

Os acontecimentos vividos neste dia acabariam por provocar uma agitação nunca antes vista e que se estendeu a todo o País.  A proibição da manifestação em Lisboa e o facto de as autoridades terem impedido os estudantes  de Coimbra e do Porto de rumar à capital provocou  confrontos entre estudantes e  as forças policiais, assim como a detenção de vários estudantes, em pleno Estádio Universitário.


Jorge Sampaio, dirigente estudantil em 1962, recordou estes acontecimentos, quando exerceu as funções de Presidente da República, afirmando: « Aprendi então, e não mais esqueci, que sem ideais e sem o combate solidário por eles pouco se pode fazer que mereça o nosso orgulho. É essa lição que procuro transmitir às novas gerações».

Mar Português



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, Mensagem

O Dia D em Portugal: A Razão da Mentira Resumida



Diria Marie Eschenbach que: “A força de vontade dos fracos chama-se teimosia”! Assim se encontra o País, refém da teimosia de um líder fraco de seu nome Pedro Passos Coelho.

As notícias cada vez mais recorrentes de uma crescente contestação a Pedro Passos Coelho no seio do PSD, deixavam adivinhar um líder nervoso e instável, que dificilmente conseguiria resistir mais tempo às pressões incessantes de uma máquina partidária que não sobrevive muito tempo afastada do poder. Bem acenou Pedro Passos Coelho com o FMI, procurando dizer aos seus “boys” que depois do FMI tudo seria mais fácil.

Foram recorrentes as declarações de vários dirigentes do PSD, dizendo que a vinda do FMI seria positiva, tentando deste modo estimular a sua vinda junto dos portugueses. Mas o facto é que as medidas de José Sócrates começavam a dar resultados positivos, a credibilidade de Portugal dava passos seguros junto da União Europeia e a “máquina laranja”, ávida de poder, via cada vez mais longe a desejada crise.

É, portanto, sem surpresa que surge esta crise artificial assente na mentira de Pedro Passos Coelho, habilmente orquestrada pela máquina laranja, com Paula Teixeira Cruz a dar-lhe voz, mas prontamente desmentida por Durão Barroso, que confirmou a comunicação em Bruxelas de linhas gerais e não de medidas concretas como o PSD afirmou. A irresponsabilidade desta crise política, criada num momento crítico em que se pretendia solucionar o problema da dívida em Bruxelas, terá na nossa história um rosto, Pedro Passos Coelho e o PSD! Pobre País que geras tais filhos...

No dia do debate mais importante dos últimos anos


Como diz António Costa, as crises políticas têm uma vantagem em relação às catástrofes naturais: são evitáveis!

Haja responsabilidade e menos sede de poder.

A crise política mais estúpida de sempre

Conhece a expressão "morrer na praia"? Esqueça. Portugal chegou à praia, viu lá um poço e atirou-se.


Os donos da praia, que tinham o posto de S.O.S em alerta, nem querem acreditar nos seus olhos. Em vez da maca para doentes, atiramo-nos para a cama de pregos dos faquires. Estas eleições não são um suicídio, são um homicídio.

Estamos nisto desde Outubro, escapámos por um triz à entrada do FMI em Novembro, o BCE e a Comissão Europeia emprestaram-nos dinheiro e tolerância para ganharmos tempo e entrarmos já na nova forma de ajuda externa, menos intrusiva e cara do que a grega e irlandesa. E Portugal, depois de cinco meses de resistência, de negociação e de ajudas, chega à véspera da Cimeira Europeia e fica sem Governo. Na véspera! É inacreditável, é lamentável, é irresponsável. Salve Luís Amado, o dissonante, o esclarecido, o isolado, que em Bruxelas, Frankfurt e Berlim conhece o sabor do pão que o diabo tantas vezes amassa.

Desde que tomou posse que este Governo está a prazo. Por isso Sócrates constituiu um Executivo manso, por isso negou evidências, por isso faz jogos de palavras com uma notável capacidade de esquecer o que disse antes que faz de qualquer amnésico um homem sempre actualizado. Mas é este o Governo que está eleito pelos portugueses, é a este Governo que tem de cumprir a função de governar.

Estas eleições são um crime porque acontecem no pior dia possível, ameaçando o sucesso da própria cimeira do euro que nos ia acudir. Estas eleições são um crime porque Portugal tem até Junho dez mil milhões de euros para pedir emprestados, porque a banca está em stress, porque as empresas públicas estão a ficar sem dinheiro. Estas eleições são um crime porque vão produzir meses de foguetório político para eventualmente chegar a minorias e inviabilidade negocial entre PS e PSD. Estas eleições são um crime porque são contra o interesse nacional, contra os portugueses, contra a sensatez. Se é crime, há culpado e não é preciso jogar Cluedo: Sócrates foi o primeiro responsável por esta crise política, como admitiu ontem Luís Amado, fosse por calculismo político ou por cegueira não ensaiada. Passos Coelho podia ter evitado a crise, se engolisse outro elefante, e pode mesmo perder nestas eleições o que ganharia noutras daqui a mais tempo. Ou seja: depois da ajuda externa que ainda não chegou mas já partiu.

Portugal está mentalizado para eleições, mas não está preparado para eleições. Só um milagre de último minuto pode evitá-las. Sim, um milagre, porque estão cruzadas as únicas duas mãos humanas mandatadas para travar esta imolação política regada com gasolina da demência. Cavaco Silva é Presidente da República. É sua função zelar pelo regular funcionamento das instituições. Talvez o Presidente ainda nos surpreenda. Talvez nos mostre que as suas palavras na tomada de posse não eram vistosos invólucros de pólvora seca. A impotência não é uma função, é uma resignação.

Vamos para a sétima eleição antecipada desde 1979. Os países estáveis têm eleições de quatro em quatro anos, Portugal tem uma eleição antecipada de quatro anos e meio em quatro anos e meio. Ninguém se governa assim. Entretanto, há um PEC IV, que tem de ser mais do que o PEC que fica entre o III e o V. Caro Eng.º Sócrates, governe; caro Professor Cavaco, presida. De outra forma, não somos apenas nós que não merecemos ir a eleições, são os senhores que não merecem ser eleitos.

Quem diz que a economia dominou a política não conhece Portugal.


Artigo de Pedro Santos de Guerreiro publicado no Jornal de Negócios de ontem

Este País não é para jovens (?)


É incontornável não falar dos problemas com que os jovens licenciados, jovens desempregados, jovens em estágios não renumerados, jovens a recibos verdes (…). O que falhou? O que falha? Que politicas conduziram a este verdadeiro desastre económico e social, a esta crise que parece sem fim à vista?
Os jovens de hoje vão receber uma dura herança da geração que governa. Claro que percebemos  que esta crise não nos afecta só a nós , mas também aos seniores, ás famílias, ás crianças e a todos os adultos, com ou sem licenciatura, com ou sem emprego. A exclusão social, a pobreza, e até a fome, já fazem parte do quotidiano de muitas famílias portuguesas.
Andar a “contar os euros” até ao final do mês, tornou-se uma rotina essencial para a sobrevivência de muitos casais jovens e das famílias, em geral, agarradas aos créditos e às hipotecas bancárias, fruto de uma ilusão que lhes foi vendida pelo marketing de um país de sucesso. Esta ilusão tornou-se um pesadelo para muitos jovens casais.
Hoje as famílias estão já a “cortar “ em tudo o que não faz parte das necessidades básicas. Muitas crianças estão hoje já privadas de um “serviço essencial”: a educação. Basta a mãe ficar desempregada, para a retirar da creche ou do jardim infantil, ficando a sua formação claramente prejudicada. Em muitos casos, a irmã deixa de estudar, a criança fica com a irmã, sendo esta uma forma encontrada para “poupar” mensalmente. A educação ter-se à transformado um bem de luxo do qual se possa abdicar desta forma? Que culpa têm as crianças desta crise?
Muitas famílias, agora fortemente endividadas, recorrem a ajuda dos seniores. Outrora um “estorvo” e um “inválido”, tornaram-se numa ajuda preciosa no complemento do orçamento familiar. As famílias estão a viver duramente e os problemas sociais aumentam e continuarão aumentar nos próximos tempos, sem esquecer os jovens que vêem cada vez mais adiada a possibilidade de constituir a sua própria família, casar e ter filhos.
Nós jovens, precisamos de soluções e oportunidades ou emigraremos mais cedo ou mais tarde. Será a emigração a solução razoável para esta Geração? Queria pensar que não, porque defendo ser possível construirmos um país mais justo, fraterno, inter-geracional capaz de resolver as suas desigualdades económicas e sociais. Acredito num país que saiba combater de forma eficaz a exclusão económica e social. Quero continuar acreditar em Portugal.
Sofia Oliveira, Assistente Social

Um apelo angustiado - Mário Soares


Há razões para admitir que a próxima Cimeira da União Europeia, que se realizará em Bruxelas, nos dias 24 e 25, quinta e sexta-feira, vai ser decisiva para o futuro da Europa e do euro. A agenda, pelo menos, é indiscutivelmente importante e se for cumprida, como se espera, representará um passo em frente no projecto europeu, há tantos meses paralisado.

Com efeito, para além dos problemas da actualidade, como: a tragédia que vive o Japão e que merece toda a solidariedade internacional possível, depois do sismo e do tsunami que arrasaram cidades inteiras e dos perigos subsequentes, resultantes da proliferação das partículas nucleares, dada a explosão de várias centrais atómicas; e do genocídio intolerável a que tem estado a ser sujeita a população da Líbia, pela acção do ditador Kadhafi e dos seus mercenários, ter sido in extremis parada pela condenação do Conselho de Segurança da ONU e a consequente intervenção aéreo-militar dos Estados Unidos e de alguns países europeus, como a França.

Assim, para além destas - e outras - questões de actualidade, a agenda europeia, da próxima Cimeira de Bruxelas, irá debater: a reforma do Governo Económico da União Europeia; o reforço do pilar euro, mediante a criação de um Pacto sobre o euro; a criação dos mecanismos de estabilidade financeira, com capacidade para valer aos países europeus em crise, como é o caso português e outros; e, finalmente, definir uma estratégia europeia para o crescimento do emprego, sem o que cairão na recessão, criando planos nacionais, para os Estados membros do euro. Temas estes da maior importância para a União, que demonstram que os grandes líderes, como a Alemanha, a França e outros, começam a compreender que alguma coisa tem efectivamente de mudar.

Sabemos que a esmagadora maioria dos Estados da União têm Governos conservadores, alguns ultra-reacionários, com uma cultura neoliberal e economicista. Mas a força da realidade - e da crise, que está longe de ter passado - tem muito peso. Contudo, não há países a querer desertar da Zona Euro. Pelo contrário, alguns Estados, como a Polónia e a Hungria, entre outros, querem integrar-se, quanto antes, na Zona Euro e estão em curso negociações nesse sentido.

Imaginem pois os leitores que é neste momento, tão decisivo para a União - e consequentemente para Portugal -, e depois da reunião polémica que o primeiro-ministro Sócrates teve no dia 12 em Bruxelas, onde realmente conseguiu algumas garantias públicas das instituições europeias e da própria chanceler Merkel, que se desencadeou uma guerrilha partidária à portuguesa, que parece conduzir à queda do Governo e, portanto, a um vazio de poder, por dois ou três meses, precisamente quando o nosso próximo futuro se vai jogar. Com que autoridade, para negociar vantagens para Portugal, se irá apresentar em Bruxelas o primeiro-ministro português?

Não interessa agora discutir, do meu ponto de vista, a quem cabem as culpas do impasse criado. Quando há conflitos partidários, geralmente, as culpas são quase sempre, mais ou menos, repartidas. Vamos, de resto, ouvir, na campanha eleitoral que, ao que parece, infelizmente, se vai abrir, essa discussão interminável. Para quê? Talvez, para não termos tempo de tratar do essencial, o problema que mais aflige o Povo Português: como sair da crise, financeira e económica, em que estamos mergulhados? Será sensato, assim, sejam de quem forem as culpas, acrescentar-lhe uma crise política? Será que alguém pensa, em consciência, que a nossa situação vai melhorar, por ignorarmos durante mais de dois meses a crise que hoje nos aflige - a todos - lançando--nos numa disputa eleitoral, ganhe quem ganhar - PSD ou PS - haja ou não coligações, à direita ou à esquerda?

Depois, o CDS/PP vai estar contra o PSD, a disputar-lhe o terreno, palmo a palmo, como se percebeu no Congresso de Viseu. Os Partidos da extrema-esquerda radical não se entendem, como se tem visto, mas estarão ambos contra Sócrates, o que só o reforça, no interior do PS. Mas nenhum partido quer realmente deitá-lo abaixo. Para ficar pior? Quer fritá-lo em lume brando, o que é diferente. Com a excepção, talvez, de Passos Coelho, porque está, cada vez mais, a sofrer pressões internas nesse sentido.

Quando o País acordar dessa campanha eleitoral, que só desacreditará os Partidos - os políticos e o País - quem terá condições efectivas para governar e nos tirar da crise? E por quanto tempo? Passos Coelho? Outra vez, Sócrates? À beira da bancarrota, o Povo Português estará então, desesperadamente, a pedir um governo de salvação nacional ou até: um salvador (que felizmente parece não ser fácil encontrar) visto não estarmos nos anos trinta do século passado...

No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. Tem ainda um ou dois dias para intervir. Conhece bem a realidade nacional e europeia e, ainda por cima, é economista. Por isso, não pode - nem deve - sacudir a água do capote e deixar correr. Como se não pudesse intervir no Parlamento - enviando uma mensagem ou chamando os partidos a Belém - quando estão em jogo, talvez como nunca, "os superiores interesses nacionais". Tanto mais que, durante a campanha eleitoral para a Presidência, prometeu exercer uma magistratura de influência activa. Não pode assim permitir, sem que se oiça a sua voz, que os partidos reclamem insensatamente eleições, que paralisarão, nos próximos dois meses cruciais, a vida nacional, em perigo iminente de bancarrota.

Se não intervier agora, quando será o momento para se pronunciar? É uma responsabilidade que necessariamente ficará a pesar-lhe. Por isso - e com o devido respeito - lhe dirijo este apelo angustiado, quebrando um silêncio que sempre tenho mantido em relação ao exercício das funções dos meus sucessores, no alto cargo de Presidente da República.

E, já agora, seja-me permitida uma última nota. Também não me agradou nada o exemplo que o Senhor Presidente deu aos nossos jovens, apontando-lhes os também então jovens, que se bateram - a maior parte deles forçados - nas guerras coloniais do salazarismo. Inúteis, como se viu, obsoletas e altamente prejudiciais para Portugal. Foi uma forma de esquecer o sentido essencial do 25 de Abril que, aliás, tantas vezes, elogiou - e bem - nos últimos anos. Podendo, com este exemplo infeliz, lesar as excelentes relações que temos vindo a construir, no quadro da CPLP. Sobretudo, quando essas relações nos são tão necessárias, no momento de crise que atravessamos.

Artigo de Opinião de Mário Soares publicado no Diário de Notícias

Second Life

O Second Life é um ambiente virtual e tridimensional que simula, em alguns aspectos, a vida real e social do ser humano.

O Second Life poderá ser interpretado como um jogo, um simples simulador, ou mesmo uma rede social.
No Second Life existe uma vida paralela, uma verdadeira segunda vida, além da vida dita como “principal” ou “real”.

Ora, tendo por base este conceito…considero-me absolutamente “desvirtuado”!

Vou pois apresentar alguns apontadores, sobre o ambiente que vivemos:

- Portugal tem um primeiro-ministro que, na minha opinião, tem sido o primeiro-ministro mais atacado desde o 25 de Abril, tendo sido vítima de todo o tipo de ataques e de ódios,

- Portugal tem, neste momento, órgãos de comunicação social, jornalistas e comentadores que não se distinguem pela sua posição e espaço, mas pela sua crítica sistemática;

- Portugal tem, neste momento, uma “geração à rasca” onde os jovens são empurrados por partidos políticos para as praças e ruas do nosso país e onde o ponto de encontro é o facebook!;

- No enquadramento parlamentar temos dois partidos à esquerda do PS que são os partidos do “contra”, verdadeiramente inúteis e que, acima se tudo, ainda não se habituaram à presença um do outro (o que leva a que, por vezes, se façam moções se censura, somente para se testarem um ao outro)!

- À direita do PS temos um PSD profundamente dividido que, para já, está colado à ideia do poder. Porém é um partido que tem um líder com a mesma consistência de um “Pudim Molotov”, que é um liberal, que não advoga o PSD de Sá Carneiro e que propõe uma revisão constitucional quando questionado sobre ideias alternativas do PSD, por exemplo, ao preço do leite e do pão!

- Um PSD que recusa negociar um PEC-IV, mas não é capaz de apresentar medidas alternativas, nem margem negocial (precipitando o país para uma crise politica, querendo o poder pelo poder e apresentando-se como o partido da tolerância, caso seja governo, onde tudo será então negociável!)

- Temos também o CDS-PP, um partido que tem o líder mais antigo da política actual e que está cheio de pressa, para abandonar as feiras e os agricultores e tirar a sua boina para vir vestir o fato do poder.

- Portugal tem um governo e um primeiro-ministro que tudo têm feito, ao seu alcance, para uma boa consolidação e execução orçamental, alavancando medidas difíceis de austeridade, para tirar Portugal das garras do FMI. Porém, do outro lado, temos os partidos da oposição que preferem a vinda do FMI porque… e esta é a realidade…não têm qualquer proposta ou solução para apresentar como medidas alternativas às do governo!

Actualmente, Second Life é para uns a verdadeira realidade!

PRIMEIRO A DIVERSÃO, DEPOIS A OBRIGAÇÃO!

Já estamos a viver um novo ciclo político. Há um grande frenesim nas oposições.

À direita, como se infere do Congresso do CDS, já se sugerem membros do governo (seja ele qual for) e é criado um novo lugar no partido - Coordenador - para substituir Paulo Portas durante o seu mandato como ministro.
No PSD, segundo Pacheco Pereira, a azáfama é maior, mas a "distribuição de lugares" já começou. Em síntese: ainda não houve eleições, muito menos se sabe quem as irá ganhar, mas os "lugares" já estão esgotados. E a coisa é de sucesso, como na Bolsa, a procura é bem superior à oferta.
Sorte, mesmo muita sorte, tem Passos Coelho, porque sem eleições, sem conhecer os resultados, já é Primeiro-Ministro, já tem Governo formado, de baixo para cima, uma espécie de "escolha participada" e, pelos vistos, vai ser o último a saber o elenco. Dias fantásticos!
À esquerda o momento é de grande euforia. PCP e BE "salivam" pela queda do Governo PS. Dentro em breve - e finalmente - esperam ter a Direita no "poder". A ser a sim, o momento é único, um êxtase quase tão profundo como o que viveram com Cavaco Silva, Durão Barroso ou Santana Lopes.
E têm razões de sobra. Em ambos os casos o país entrou em crise, bem portuguesa na exclusividade da sua origem, um "produto nacional" por excelência! Sim, isto de apanhar crises internacionais não lembra ao diabo!
Entretanto, por mera falta de tempo, certamente, nem de um lado nem de outro houve espaço para pensar o país. Se calhar pode esperar. Não apareceram propostas concretas, mas apenas intenções generalistas. Avançar com modelos de receita ou fontes de financiamento não foi oportuno. Para quê "estragar a festa" com essas minudências?
Ao fim e ao cabo para tudo é preciso metodologia. Não se podem fazer duas coisas ao mesmo tempo: distribuir lugares e assumir soluções de governação foi coisa que nunca bateu certo. Ou uma coisa ou outra.
Portanto, compreendem-se as oposições.
Afinal, o óptimo é inimigo do bom! Como diria o Tonico Bastos da Gabriela: primeiro a diversão, depois a obrigação!
                                                                                                                                                                     José Junqueiro
Secretário de Estado da Administração Local