Olhemos lá para fora, cá dentro.


Tem vindo a ser um hábito encontrar alguns comentários e textos de opinião que apresentam a tese de que nas novas gerações existe um claro desconhecimento e desinteresse da política nacional.

É obvio que a conjuntura induz este comportamento mas não me parece que seja exactamente a razão primordial.

Existe uma espécie de descontentamento associado a um defraudar de expectativas, próprio de quem cresceu num período de prosperidade e consumo e que chegou ao mercado de trabalho com o Mundo numa situação bem diferente.

Ao mesmo tempo, julgo que se educaram as novas gerações com valores bem diferentes. Mais egoístas, mais centradas nos seus interesses pessoais, com menores valores de família e solidariedade inter-geracional.

Se somarmos a tudo isto uma campanha sistemática de descredibilização da classe política, entendemos o porquê do discurso e a ausência efectiva das novas gerações na esfera política. A versão do “são todos iguais”, “cambada de corruptos”, “são todos farinha do mesmo saco” já cansa, é danosa e está muito longe da realidade.( Aliás a medida de alteração do número de deputados é uma prova disso mesmo…)

Contudo e sabendo que como em todas as profissões existem bons e maus, cabe aos partidos políticos um esforço sistemático para trazer de volta o talento com a criação dos think-tanks, blogs, redes sociais… no sentido de abranger mais opiniões, mais valências e trazer para dentro dos partidos gente capaz de tornar o FUTURO MAIS PROMISSOR: A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA de novas gerações que lutam pelos seus ideais (algumas com ideais socialistas bem vincados), que partilham opiniões e que juntas fogem da actual formatação partidária e lutam pelo que está certo, pelo bom senso, pelo bem comum.

Como o próprio Tony Blair escreve: “ Ainda é possível encontrar tanto à direita como à esquerda as velhas atitudes e divisões dominantes, mas menos, e os políticos que não compreendem essas correntes de mudança têm muitas probabilidades de se afundar”.

É esta necessidade eminente de trazer para dentro dos partidos maior pluralidade que os vai tornar mais capazes de preparar o Futuro e de os tornar mais actuais, acabando simultaneamente com os velhos dogmas de esquerda e direita que marcaram a politica no inicio do séc. XX.

Menos jantares-comício com o lombo assado e o vinho da terra direccionados para quem já apoia e criar uma maior plataforma de discussão mais próxima das pessoas que não se baseie meramente no agitar de bandeiras mas sim numa política de aproximação promovendo uma organização do poder mais horizontal.

É nisto que o PS tem vindo a dar um salto qualitativo de maior expressão relativamente aos restantes. A seriedade na discussão das matérias traz credibilidade e é com base nela que preparamos o FUTURO DE PORTUGAL!

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