Deolinda 1, Louçã 0


DEOLINDA – Rapidamente, “que parva que eu sou” deixou de ser uma música dos Deolinda, para passar a ser uma música nossa. Dos jovens e dos menos jovens. De todos os que vivem para além do seu umbigo.

Os Deolinda mostraram-nos que não é preciso artifícios e artimanhas políticas para conquistar público. Mostraram-nos que, através da força da música e da palavra, é possível pôr o País a reflectir e a pronunciar-se sobre a juventude e os seus problemas.  Obrigado, Deolinda.

 
LOUÇÃ – Tenho por certo que, em momentos difíceis, a instabilidade a ninguém beneficia. Por isso, sempre defendi a importância de um Governo com amplo suporte parlamentar. Em teoria, com suporte preferencialmente à esquerda…em teoria. Porque a prática insiste em desmentir a teoria. Infelizmente.

O anúncio de uma moção de censura, com data certa, por parte do Bloco de Esquerda, evidencia que este é (ainda?) um partido com falta de sentido de Estado.

Falta de sentido de Estado: num momento de reformulação de regras a nível europeu e mundial e em que o País se encontra sob forte pressão dos mercados, apresentar moções de censura com o objectivo único de assegurar eleitorado é “criar factores de instabilidade governativa” desnecessários e, por isso, “dar tiros nos pés”, como disse e bem António Vitorino.

Incoerente: quando o PCP acenou com o espectro de uma moção, Louçã rejeitou essa possibilidade. Cinco dias depois, sem que se verificasse qualquer alteração substancial dos factos e/ou das circunstâncias (ou, pelo menos, sem que isso fosse inteligível para o comum dos mortais) o Bloco, qual Bolt português, faz um sprint e apresenta uma moção de censura.

Os Deolinda colocaram os holofotes nos problemas dos jovens. Louçã fintou o PCP mas rematou para a bancada. Deolinda 1, Louçã 0.


Versão integral no Diário de Viseu

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